{"id":6205,"date":"2026-10-07T01:00:12","date_gmt":"2026-10-07T04:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/?p=6205"},"modified":"2026-10-05T19:00:22","modified_gmt":"2026-10-05T22:00:22","slug":"feijoada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/cafe-literario\/feijoada\/","title":{"rendered":"Feijoada"},"content":{"rendered":"<p>Drummond escreveu, em O sobrevivente: \u201cImposs\u00edvel compor um poema a essa altura da evolu\u00e7\u00e3o da humanidade\u201d.<\/p>\n<p>Concordo, mas consigo produzir algumas reflex\u00f5es. N\u00e3o uma an\u00e1lise pol\u00edtica \u2013 essa foi minha praia durante muito tempo, milit\u00e2ncia oblige, mas parei com isso. Algo bem mais subjetivo.<\/p>\n<p>Entrei no Facebook em 2018. Em minha primeira postagem, fiz alus\u00e3o \u00e0 c\u00f3lera de Aquiles, mencionada no comecinho da Il\u00edada, marco inicial da literatura do Ocidente. E informei urbi et orbi que iria escrever sobre o Bozo, \u201co c\u00f3lera de Aquiles\u201d.<\/p>\n<p>Prometi e cumpri. Em contos e poemas (e, v\u00e1 l\u00e1, em alguns text\u00f5es pol\u00edticos), desanquei o Bozo e a famil\u00edcia, os bolsom\u00ednions, a gadaiada.<br \/>\nPor que, ent\u00e3o, n\u00e3o tenho vontade de fazer o mesmo com o Fl\u00e1vio rachadinha? Podres dele n\u00e3o faltam para inspirar cantigas de esc\u00e1rnio, ou o equivalente contempor\u00e2neo dessas composi\u00e7\u00f5es medievais.<\/p>\n<p>Porque ele n\u00e3o \u00e9 nada, uma simples ameba. Bozo era um l\u00edder do mal; o rachadinha, nadica de nada O pai expunha a bunda ao a\u00e7oite do sarcasmo, o filhote anda nu, sem dar a m\u00ednima, e mente na caradura. Tantas mentiras, que n\u00e3o d\u00e1 pra escolher uma para desmascarar. E assim ele escapa, todo pimp\u00e3o.<\/p>\n<p>Claro que, at\u00e9 a elei\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 preciso lev\u00e1-lo a s\u00e9rio, desconstru\u00ed-lo, demonstrar as consequ\u00eancias criminosas de suas propostas, que v\u00e3o ferrar os brasileiros. E, afinal, derrot\u00e1-lo nas urnas \u2013 algo dif\u00edcil, mas poss\u00edvel. Mas, pra quem escreve, que nem eu, contos pol\u00edticos escrachados (n\u00e3o exclusivamente, mas tamb\u00e9m), as provas de corrup\u00e7\u00e3o e entreguismo dele s\u00e3o areia demais pro meu caminh\u00e3ozinho, tanta coisa que nem sei por onde come\u00e7ar.<\/p>\n<p>Sabem a hist\u00f3ria do gringo que s\u00f3 comia feijoada? Ele n\u00e3o aguentava mais; certo dia, decidiu inovar e pediu:<\/p>\n<p>\u2014 Sandu\u00edche.<\/p>\n<p>\u2014 De queijo ou presunto?<\/p>\n<p>\u2014 Sandu\u00edche.<\/p>\n<p>\u2014 Queijo ou presunto?<\/p>\n<p>\u2014 Sandu\u00edche!!!<\/p>\n<p>\u2014 Queijo ou presunto?!!!<\/p>\n<p>Sem conhecer o significado dessas palavras e, portanto, incapaz de escolher, o gringo desistiu:<\/p>\n<p>\u2014 Feijoada&#8230;<\/p>\n<p>Eu t\u00f4 assim. O pior \u00e9 que o B.O., a folha corrida, a capivara do rachadinha tem muito mais op\u00e7\u00f5es do que queijo ou presunto, e o embara\u00e7o da escolha me impede de entrar em campo. Mas, a essa altura da evolu\u00e7\u00e3o da humanidade, escrever sobre ele \u00e9 preciso, tra\u00e7ar uma feijoada metaf\u00f3rica n\u00e3o \u00e9 preciso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Drummond escreveu, em O sobrevivente: \u201cImposs\u00edvel compor um poema a essa altura da evolu\u00e7\u00e3o da humanidade\u201d. 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