{"id":6638,"date":"2026-10-09T00:12:11","date_gmt":"2026-10-09T03:12:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/?p=6638"},"modified":"2026-10-09T10:16:34","modified_gmt":"2026-10-09T13:16:34","slug":"mulheres-estao-entre-maiores-vitimas-da-violencia-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/brasil\/mulheres-estao-entre-maiores-vitimas-da-violencia-politica\/","title":{"rendered":"Mulheres est\u00e3o entre maiores v\u00edtimas da viol\u00eancia pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p>As amea\u00e7as de morte e de viol\u00eancia sexual denunciadas pela deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) ilustram o cen\u00e1rio de viol\u00eancia pol\u00edtica pelo qual passa o Brasil durante a campanha eleitoral de 2026.<\/p>\n<p>Segundo levantamento divulgado pelas organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos Terra de Direitos e Justi\u00e7a Global, houve 134 casos de viol\u00eancia pol\u00edtica durante a campanha at\u00e9 o primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es, no \u00faltimo domingo (4), o que representou um caso a cada nove horas. Ao todo, 70 tiveram mulheres como v\u00edtimas (52,2%).<\/p>\n<p>Dos 102 epis\u00f3dios dirigidos apenas a pessoas candidatas, 60 tiveram mulheres como v\u00edtimas (58,8%). Embora representem cerca de um ter\u00e7o das candidaturas, as mulheres foram alvos em mais da metade dos epis\u00f3dios de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Segundo a coordenadora de Incid\u00eancia Pol\u00edtica da Terra de Direitos, Gisele Barbieri, a viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero desqualifica e intimida mulheres, e mostra como o cen\u00e1rio \u00e9 muito preocupante para a democracia brasileira.<\/p>\n<p>O ambiente digital tem sido, segundo ela, um terreno de agress\u00f5es sistem\u00e1ticas. Segundo a especialista, a falta de regula\u00e7\u00e3o das redes sociais \u00e9 um elemento que dificulta o enfrentamento dessas viol\u00eancias. Apesar disso, a maior parte dos casos (71) ocorreu nas ruas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 necess\u00e1rio uma for\u00e7a-tarefa do Estado para dar respostas mais r\u00e1pidas contra essas viol\u00eancias\u201d, avaliou a pesquisadora.<\/p>\n<p>O n\u00famero de 134 casos foi mapeado durante os 50 dias das campanhas eleitorais do 1\u00ba turno, iniciadas em 16 de agosto e encerradas no \u00faltimo domingo (4).<\/p>\n<p><strong>Subnotifica\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nGisele Barbieri explica que a pesquisa mapeia principalmente registros que chegam ao conhecimento p\u00fablico, o que leva a uma estimativa que o n\u00famero de 134 seja menor do que o real. Principalmente porque nem todos os casos de viol\u00eancias s\u00e3o denunciados.<\/p>\n<p>Para ela, mulheres, por exemplo, podem se sentir ainda mais expostas se n\u00e3o h\u00e1 respostas ou provid\u00eancias das autoridades policiais. \u201cExiste essa subnotifica\u00e7\u00e3o. Os casos muitas vezes n\u00e3o chegam \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica por causa do medo\u201d.<\/p>\n<p>Ela defende que existam provid\u00eancias e puni\u00e7\u00f5es com agilidade para que tenham car\u00e1ter pedag\u00f3gico em fun\u00e7\u00e3o do impacto desse tipo de viol\u00eancia para a democracia.<\/p>\n<p><strong>Em crescimento<\/strong><br \/>\nA pesquisadora mostra que o n\u00famero representa um aumento dos casos em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro turno de 2022, quando foram registrados 121 casos. Esta 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o da pesquisa levantou que a viol\u00eancia pol\u00edtica foi cinco vezes mais frequente do que no per\u00edodo sem disputa eleitoral (que teve uma m\u00e9dia de uma ocorr\u00eancia a cada 44 horas).<\/p>\n<p>A coordenadora da Terra de Direitos considera inadmiss\u00edvel a naturaliza\u00e7\u00e3o de epis\u00f3dios violentos, que funcionam para intimidar propostas dos representantes pol\u00edticos.<\/p>\n<p>&#8220;Esse cen\u00e1rio de hostilidade, al\u00e9m de intimidar, gera rupturas profundas no nosso sistema democr\u00e1tico exigindo do Estado uma resposta firme e proporcional \u00e0 gravidade da situa\u00e7\u00e3o&#8221;, destaca Gisele Barbieri.<\/p>\n<p>Dos epis\u00f3dios registrados no per\u00edodo, 54 (40,3%) atingiram pessoas que disputavam ou exerciam cargos federais. Outros 48 casos (35,8%) tiveram como alvo pessoas que disputavam ou exerciam cargos estaduais.<\/p>\n<p>A amea\u00e7a foi o tipo de viol\u00eancia pol\u00edtica mais recorrente (64 casos). Na sequ\u00eancia, aparecem 33 epis\u00f3dios de ofensa e 19 de agress\u00e3o f\u00edsica. Tamb\u00e9m foram registrados 11 atentados, cinco casos de criminaliza\u00e7\u00e3o e dois assassinatos. As duas mortes foram de agentes relacionados \u00e0 esfera municipal, de um vereador e um de secret\u00e1rio municipal.<\/p>\n<p><strong>Misoginia<\/strong><br \/>\nEntre os 70 epis\u00f3dios contra mulheres, foram apontados:<\/p>\n<p>Machismo ou misoginia em 45 casos<br \/>\nRacismo em nove<br \/>\nTransfobia em cinco.<\/p>\n<p>Entre os 32 epis\u00f3dios de viol\u00eancia f\u00edsica (agress\u00f5es, atentados e assassinatos) as mulheres foram v\u00edtimas em 21,9% dos casos. J\u00e1 entre os 97 epis\u00f3dios de viol\u00eancia simb\u00f3lica, que incluem amea\u00e7as e ofensas, as mulheres foram v\u00edtimas em 61,9% (60 casos).<\/p>\n<p>Os dois assassinatos e dez dos 11 atentados tiveram homens como v\u00edtimas. J\u00e1 as sete amea\u00e7as de viol\u00eancia sexual tiveram mulheres como v\u00edtimas exclusivamente.<\/p>\n<p><strong>Racismo<\/strong><br \/>\nPessoas negras representaram 44,8% (60) de todas as v\u00edtimas de viol\u00eancia pol\u00edtica no primeiro turno. Entre as mulheres v\u00edtimas, 19 das 70 eram mulheres pretas, mais de uma em cada quatro.<\/p>\n<p>\u201cEnquanto os homens s\u00e3o atacados por sua atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, mulheres, pessoas negras e pessoas trans enfrentam tamb\u00e9m o racismo, o machismo e a transfobia que estruturam a sociedade brasileira\u201d, disse a coordenadora da Justi\u00e7a Global, Glaucia Marinho.<\/p>\n<p>Outros dados da pesquisa referem-se aos respons\u00e1veis pelas viol\u00eancias: em 26 epis\u00f3dios (19,4% do total de 134), o autor identificado era um agente p\u00fablico. Pelo menos 14 eram parlamentares ou governantes e sete eram agentes de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Ainda segundo o levantamento, nenhum dos 134 epis\u00f3dios registrados teve puni\u00e7\u00e3o at\u00e9 o encerramento da coleta de dados. Durante a campanha, em pelo menos oito casos houve medidas de urg\u00eancia, como remo\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos, suspens\u00e3o de perfis e concess\u00e3o de medidas protetivas.<\/p>\n<p>Para a equipe pesquisadora, essas medidas chegam a interromper a viol\u00eancia, mas n\u00e3o representam a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos autores.<\/p>\n<p>As unidades federativas com maior n\u00famero de ocorr\u00eancia de casos s\u00e3o os estados de S\u00e3o Paulo (16), Rio Grande do Norte (13), Minas Gerais (12) e Rio Grande do Sul (10).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As amea\u00e7as de morte e de viol\u00eancia sexual denunciadas pela deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) ilustram o cen\u00e1rio de viol\u00eancia pol\u00edtica pelo qual passa o Brasil durante a campanha eleitoral de 2026. 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