{"id":6961,"date":"2026-10-14T11:38:28","date_gmt":"2026-10-14T14:38:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/?p=6961"},"modified":"2026-10-14T11:38:28","modified_gmt":"2026-10-14T14:38:28","slug":"flavio-rasga-bandeira-de-lula-e-abraca-fim-da-6x1-como-batalha-eleitoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/eleicoes-2026\/flavio-rasga-bandeira-de-lula-e-abraca-fim-da-6x1-como-batalha-eleitoral\/","title":{"rendered":"Fl\u00e1vio rasga bandeira de Lula e abra\u00e7a fim da 6&#215;1 como batalha eleitoral"},"content":{"rendered":"<p>A disputa pelo Pal\u00e1cio do Planalto ganhou nesta quarta-feira, 14, um novo campo de batalha. E, desta vez, n\u00e3o envolve diretamente infla\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a p\u00fablica ou os tradicionais embates ideol\u00f3gicos entre direita e esquerda. O confronto chegou ao rel\u00f3gio de ponto de milh\u00f5es de brasileiros. O senador Fl\u00e1vio Bolsonaro (PL), candidato \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, decidiu apoiar o fim da escala de trabalho 6&#215;1, apropriando-se de uma bandeira eleitoral que o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) pretendia apresentar como uma das vitrines de sua campanha \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o do parlamentar ocorre justamente quando o Senado se prepara para avan\u00e7ar na an\u00e1lise da proposta de emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o que prev\u00ea o fim do modelo de seis dias de trabalho para um de descanso. Nesta quarta-feira, est\u00e1 prevista a quinta sess\u00e3o de discuss\u00e3o da PEC, etapa que poder\u00e1 abrir caminho para sua vota\u00e7\u00e3o em primeiro turno.<\/p>\n<p>O movimento de Fl\u00e1vio tem evidente significado eleitoral. Ao aderir \u00e0 proposta, o candidato do PL procura neutralizar um discurso de forte apelo popular, tradicionalmente associado \u00e0 esquerda e ao movimento sindical. Mais do que disputar votos, tenta retirar das m\u00e3os de Lula a exclusividade de uma bandeira capaz de sensibilizar trabalhadores de diferentes classes sociais.<\/p>\n<p>\u00c9 como se, no tabuleiro pol\u00edtico, Fl\u00e1vio tivesse decidido avan\u00e7ar sobre uma pe\u00e7a que o advers\u00e1rio considerava protegida. O petista apostava na redu\u00e7\u00e3o da jornada como instrumento de aproxima\u00e7\u00e3o com o eleitorado assalariado. O bolsonarista, por sua vez, sinaliza que n\u00e3o pretende entregar essa parcela do eleitorado sem resist\u00eancia.<\/p>\n<p>A escala 6&#215;1 tornou-se s\u00edmbolo de uma discuss\u00e3o que ultrapassa os limites das rela\u00e7\u00f5es trabalhistas. Para seus defensores, a mudan\u00e7a representa a possibilidade de ampliar o tempo de conviv\u00eancia familiar, descanso, qualifica\u00e7\u00e3o profissional e lazer. Para setores empresariais, entretanto, a altera\u00e7\u00e3o exige cautela diante dos poss\u00edveis impactos sobre custos operacionais, produtividade e manuten\u00e7\u00e3o dos empregos. \u00c9 precisamente nesse encontro de interesses que a pol\u00edtica encontrou terreno f\u00e9rtil.<\/p>\n<p>Lula procura associar sua candidatura \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o de direitos sociais. Fl\u00e1vio, ao apoiar a proposta, tenta demonstrar que a defesa de melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho n\u00e3o precisa ser monop\u00f3lio do PT ou das organiza\u00e7\u00f5es sindicais. A estrat\u00e9gia tamb\u00e9m dialoga com uma caracter\u00edstica da elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2026: a necessidade de conquistar votos fora dos grupos tradicionalmente identificados com cada candidatura. Em uma disputa polarizada, conquistar eleitores moderados ou reduzir a rejei\u00e7\u00e3o pode ser t\u00e3o importante quanto mobilizar as pr\u00f3prias bases.<\/p>\n<p>Ao mudar de posi\u00e7\u00e3o, Fl\u00e1vio assume o risco de contrariar segmentos empresariais mais resistentes \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da jornada. Em contrapartida, busca ampliar sua presen\u00e7a entre trabalhadores do com\u00e9rcio, servi\u00e7os e outras atividades nas quais o regime 6&#215;1 \u00e9 frequente. A reviravolta ficou evidente na ter\u00e7a-feira, 13, quando Fl\u00e1vio anunciou seu voto favor\u00e1vel ap\u00f3s visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro. &#8220;Estou rodando o Brasil, e a maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6 por 1. Ent\u00e3o, vou votar a favor do fim da 6 por 1&#8221;, declarou o senador.<\/p>\n<p>At\u00e9 poucos dias antes, Fl\u00e1vio criticava a iniciativa e acusava Lula de oportunismo eleitoral. Sua prefer\u00eancia era por um modelo de jornada flex\u00edvel, negociado entre empregadores e empregados. Agora, embora mantenha ressalvas sobre os custos da medida, reconhece a for\u00e7a da reivindica\u00e7\u00e3o popular. O presidenci\u00e1vel tamb\u00e9m defendeu que o governo federal compense eventuais despesas adicionais das empresas. N\u00e3o apresentou, por\u00e9m, um mecanismo detalhado para financiar essa compensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a n\u00e3o significa, necessariamente, uma ades\u00e3o integral \u00e0 pol\u00edtica trabalhista defendida pelo PT. Segundo informa\u00e7\u00f5es publicadas pela imprensa, Fl\u00e1vio sinalizou a aliados que pretende rever aspectos da legisla\u00e7\u00e3o caso seja eleito, especialmente para ampliar a flexibilidade nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>A PEC 221\/2019, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), j\u00e1 foi aprovada pela C\u00e2mara dos Deputados. No Senado, a proposta \u00e9 relatada por Omar Aziz (PSD-AM). O texto estabelece a redu\u00e7\u00e3o da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado, um deles preferencialmente aos domingos, sem diminui\u00e7\u00e3o salarial.<\/p>\n<p>A implementa\u00e7\u00e3o seria gradual: inicialmente, a jornada cairia para 42 horas semanais, dois meses ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da emenda. Posteriormente, chegaria \u00e0s 40 horas, um ano e dois meses depois da promulga\u00e7\u00e3o. A l\u00edder do governo no Senado, Teresa Leit\u00e3o (PT-PE), informou ter reunido 56 assinaturas para um requerimento destinado a acelerar a tramita\u00e7\u00e3o. Se aprovado, o procedimento poder\u00e1 permitir que os dois turnos de vota\u00e7\u00e3o ocorram nesta quarta-feira. S\u00e3o necess\u00e1rios pelo menos 49 votos favor\u00e1veis em cada turno. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (Uni\u00e3o Brasil-AP), j\u00e1 manifestou apoio \u00e0 discuss\u00e3o da mudan\u00e7a, destacando seu impacto na vida dos trabalhadores.<\/p>\n<p>A movimenta\u00e7\u00e3o governista revela que a disputa n\u00e3o termina com a contagem dos votos no Senado. Lula avalia comparecer pessoalmente \u00e0 Casa ap\u00f3s a vota\u00e7\u00e3o, numa tentativa de associar sua imagem \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o da medida. A campanha petista tamb\u00e9m utiliza a propaganda eleitoral para apresentar o fim da escala 6&#215;1 como uma conquista vinculada ao presidente. Mas Fl\u00e1vio introduziu um elemento novo nessa narrativa. Se o projeto for aprovado com votos de parlamentares governistas e oposicionistas, a conquista poder\u00e1 ser apresentada como resultado de um entendimento mais amplo, enfraquecendo a tentativa de atribuir seus m\u00e9ritos exclusivamente ao Pal\u00e1cio do Planalto.<\/p>\n<p>O apoio popular ajuda a explicar a mudan\u00e7a. Levantamentos do Datafolha e da Quaest indicaram que aproximadamente sete em cada dez brasileiros defendem o fim da escala 6&#215;1. Trata-se, portanto, de uma pauta capaz de atravessar fronteiras partid\u00e1rias.<\/p>\n<p>A ades\u00e3o de Fl\u00e1vio \u00e0 proposta n\u00e3o elimina as diferen\u00e7as entre os dois candidatos. Lula defende a redu\u00e7\u00e3o da jornada como amplia\u00e7\u00e3o de direitos, enquanto o senador do PL insiste na necessidade de preservar a atividade econ\u00f4mica e oferecer mecanismos de compensa\u00e7\u00e3o \u00e0s empresas.<\/p>\n<p>As entidades empresariais, entre elas a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) e a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC), manifestam preocupa\u00e7\u00f5es com o aumento de custos, os poss\u00edveis reflexos sobre pre\u00e7os e os impactos na gera\u00e7\u00e3o de empregos. Essas quest\u00f5es dever\u00e3o permanecer no debate mesmo que o Congresso aprove a altera\u00e7\u00e3o constitucional.<\/p>\n<p>A praticamente 10 dias do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, a escala 6&#215;1 deixou de ser apenas uma discuss\u00e3o sobre direitos trabalhistas para se transformar em instrumento de disputa pelo eleitorado. Lula quer colher os frutos de uma bandeira que ajudou a impulsionar. Fl\u00e1vio procura demonstrar que tamb\u00e9m pode defender a reivindica\u00e7\u00e3o, ainda que por caminhos econ\u00f4micos diferentes.<\/p>\n<p>No fundo, os dois candidatos disputam algo maior do que a autoria pol\u00edtica da proposta: o reconhecimento de milh\u00f5es de brasileiros que trabalham seis dias para descansar apenas um. A ironia \u00e9 que uma reivindica\u00e7\u00e3o nascida da necessidade de ampliar o tempo livre dos trabalhadores passou a ocupar praticamente todo o tempo dos estrategistas eleitorais. Lula levantou a bandeira. Fl\u00e1vio decidiu segur\u00e1-la tamb\u00e9m. Agora, resta saber quem receber\u00e1 os aplausos quando ela for hasteada \u2014 e, principalmente, quem conseguir\u00e1 transformar a promessa em realidade.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p><strong>Marta Nobre \u00e9 Editora Executiva de Notibras<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A disputa pelo Pal\u00e1cio do Planalto ganhou nesta quarta-feira, 14, um novo campo de batalha. E, desta vez, n\u00e3o envolve diretamente infla\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a p\u00fablica ou os tradicionais embates ideol\u00f3gicos entre direita e esquerda. O confronto chegou ao rel\u00f3gio de ponto de milh\u00f5es de brasileiros. 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