{"id":7017,"date":"2026-10-15T17:49:36","date_gmt":"2026-10-15T20:49:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/?p=7017"},"modified":"2026-10-15T17:49:36","modified_gmt":"2026-10-15T20:49:36","slug":"notibras-interpreta-a-noticia-ha-27-anos-e-ninguem-paga-para-tirar-ou-colocar-uma-virgula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/brasil\/notibras-interpreta-a-noticia-ha-27-anos-e-ninguem-paga-para-tirar-ou-colocar-uma-virgula\/","title":{"rendered":"Notibras interpreta a not\u00edcia h\u00e1 27 anos, e ningu\u00e9m paga para tirar ou colocar uma v\u00edrgula"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 27 anos, quando a internet ainda engatinhava no Brasil e o jornalismo impresso reinava absoluto nas bancas, um jornalista decidiu trocar a seguran\u00e7a de uma grande reda\u00e7\u00e3o pela incerteza de um sonho. Depois de anos na sucursal de Bras\u00edlia da <em>Folha de S.Paulo<\/em>, Jos\u00e9 Seabra fez uma escolha que muitos considerariam ousadia e outros, simplesmente, teimosia, ao criar seu pr\u00f3prio portal de not\u00edcias. Foi assim que em 19 de junho de 1999, nasceu <strong>Notibras<\/strong>, com uma proposta que atravessaria gera\u00e7\u00f5es, governos, crises econ\u00f4micas e transforma\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. A orienta\u00e7\u00e3o para a equipe, ent\u00e3o pequena, era informar, interpretar e, sobretudo, respeitar o leitor.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi uma decis\u00e3o tomada ao sabor das conveni\u00eancias. Foi uma op\u00e7\u00e3o de vida. Porque jornalismo, quando praticado com seriedade, n\u00e3o \u00e9 uma profiss\u00e3o que se veste pela manh\u00e3 e se pendura no cabide ao anoitecer. \u00c9 uma esp\u00e9cie de segunda pele, uma voca\u00e7\u00e3o que cobra independ\u00eancia, exige coragem e, n\u00e3o raramente, apresenta uma conta salgada a quem se recusa a negociar a pr\u00f3pria consci\u00eancia.<\/p>\n<p>O tempo passou e com ele governadores chegaram e partiram, presidentes subiram e desceram a rampa do Pal\u00e1cio do Planalto, ministros trocaram de cadeiras, partidos mudaram de discurso, aliados se transformaram em advers\u00e1rios e antigos inimigos descobriram, entre abra\u00e7os e apertos de m\u00e3os, inesperadas afinidades. Mas <strong>Notibras<\/strong> permaneceu, principalmente porque nunca confundiu jornalismo com rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e tampouco aceitou transformar sua reda\u00e7\u00e3o em extens\u00e3o de gabinetes oficiais, comit\u00eas eleitorais ou escrit\u00f3rios empresariais.<\/p>\n<p>Nossos mestres nos ensinaram que not\u00edcia n\u00e3o \u00e9 favor, informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 moeda de troca e a consci\u00eancia de um jornalista n\u00e3o pode ter etiqueta de pre\u00e7o. E essa li\u00e7\u00e3o est\u00e1 estampada na parede de nossa reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais recentemente, tomamos emprestada uma velha express\u00e3o associada \u00e0 <em>Folha de S.Paulo<\/em> para definir, com a simplicidade das verdades que dispensam rodeios, a nossa rela\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico. Para ser curta e grossa, vou direto ao ponto, para enfatizar que <strong>Notibras<\/strong> s\u00f3 tem o rabo preso com o leitor. \u00c9 com ele que assumimos compromissos e \u00e9 a ele que devemos explica\u00e7\u00f5es. \u00c9 por respeito a ele que n\u00e3o aceitamos press\u00f5es para esconder fatos, fabricar virtudes ou transformar defeitos em qualidades por conveni\u00eancia de quem quer que seja.<\/p>\n<p>O jornalismo n\u00e3o \u00e9 uma atividade sacerdotal, e os jornalistas n\u00e3o s\u00e3o santos. Erramos, como erram todos os profissionais. A diferen\u00e7a est\u00e1 na disposi\u00e7\u00e3o de reconhecer equ\u00edvocos, corrigi-los e jamais permitir que interesses estranhos \u00e0 not\u00edcia determinem aquilo que ser\u00e1 publicado.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o confundimos independ\u00eancia com neutralidade artificial. A quest\u00e3o \u00e9 que <strong>Notibras<\/strong> interpreta a not\u00edcia. e isso est\u00e1 no nosso DNA. Interpretar significa contextualizar acontecimentos, examinar contradi\u00e7\u00f5es, confrontar vers\u00f5es e oferecer ao leitor elementos para compreender o que existe al\u00e9m das declara\u00e7\u00f5es oficiais.<\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o autoriza a inven\u00e7\u00e3o, como a opini\u00e3o n\u00e3o substitui o fato e a liberdade editorial n\u00e3o concede licen\u00e7a para transformar suspeitas em senten\u00e7as. Nosso entendimento \u00e9 de que uma coisa \u00e9 ter posi\u00e7\u00e3o editorial; outra, absolutamente diferente, \u00e9 ter dono. E <strong>Notibras<\/strong> tem hist\u00f3ria, princ\u00edpios e leitores, n\u00e3o uma coleira.<\/p>\n<p>Ao longo desses 27 anos, aprendemos que a independ\u00eancia incomoda a quem acredita que publicidade compra sil\u00eancio, a quem imagina que proximidade pessoal assegura blindagem, e, principalmente, aqueles que confundem o leg\u00edtimo direito de resposta com a pretens\u00e3o de ditar manchetes, escolher adjetivos e determinar o que deve ou n\u00e3o chegar ao conhecimento da sociedade.<\/p>\n<p>O jornalismo feito por <strong>Notibras<\/strong> n\u00e3o funciona assim. \u00c9 sabido que publicidade \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o comercial leg\u00edtima, necess\u00e1ria \u00e0 sobreviv\u00eancia de qualquer empresa jornal\u00edstica, como tamb\u00e9m entendemos que o anunciante compra espa\u00e7o publicit\u00e1rio, jamais a consci\u00eancia da reda\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 uma fronteira que n\u00e3o pode ser atravessada.<\/p>\n<p>Essa distin\u00e7\u00e3o precisa ser repetida, sobretudo em tempos de redes sociais, not\u00edcias fabricadas, campanhas de desinforma\u00e7\u00e3o e personagens que se apresentam como jornalistas quando, na realidade, apenas reproduzem interesses de seus patrocinadores.<\/p>\n<p>Jornalismo s\u00e9rio custa dinheiro, exige profissionais, experi\u00eancia, apura\u00e7\u00e3o, estrutura e responsabilidade. O que n\u00e3o se admite \u00e9 que a necessidade de financiamento se transforme em autoriza\u00e7\u00e3o para vender a verdade em presta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Notibras nasceu com a disposi\u00e7\u00e3o de fazer diferente. Reuniu, ao longo da caminhada, profissionais experientes, muitos deles veteranos de reda\u00e7\u00f5es que aprenderam a profiss\u00e3o quando uma informa\u00e7\u00e3o precisava ser confirmada antes de ganhar as ruas. \u00c9 gente que sabe que uma palavra mal colocada pode destruir reputa\u00e7\u00f5es e que uma v\u00edrgula, dependendo de onde apare\u00e7a, modifica o sentido de uma frase inteira.<\/p>\n<p>Isso nos permitiu criar uma imagem aparentemente pequena para resumir um princ\u00edpio t\u00e3o grande. Ningu\u00e9m paga para tirar ou acrescentar uma v\u00edrgula em <strong>Notibras<\/strong>. N\u00e3o se trata de figura de ret\u00f3rica, mas de uma declara\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Se uma v\u00edrgula precisa sair, que saia por exig\u00eancia da gram\u00e1tica, da clareza ou da verdade factual. Se precisa entrar, que entre pelas mesmas raz\u00f5es, e nunca porque algu\u00e9m ofereceu dinheiro, prometeu vantagens, insinuou repres\u00e1lias ou resolveu usar o peso de um cargo para interferir no trabalho jornal\u00edstico.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da imprensa est\u00e1 cheia de exemplos de ve\u00edculos que nasceram independentes e terminaram prisioneiros de interesses alheios. Tamb\u00e9m est\u00e1 repleta de profissionais que enfrentaram dificuldades para preservar a credibilidade, algo que n\u00e3o se recupera facilmente depois de perdido. \u00c9 essa credibilidade que cultivamos desde 1999 sem pretendermos unanimidade. Ali\u00e1s, desconfiamos dela. O leitor tem todo o direito de discordar de nossas an\u00e1lises, contestar nossas opini\u00f5es e questionar nossas conclus\u00f5es. A isso chamamos do contradit\u00f3rio que faz parte da ess\u00eancia democr\u00e1tica do jornalismo.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o pode faltar \u00e9 a honestidade intelectual de quem escreve e a transpar\u00eancia de quem publica. Aos 27 anos, <strong>Notibras<\/strong> n\u00e3o reivindica medalhas de hero\u00edsmo nem certificados de pureza, mas apenas o direito de continuar exercendo o jornalismo com a liberdade que inspirou nossa cria\u00e7\u00e3o. \u00c9 nesse contexto que seguiremos interpretando a not\u00edcia, incomodando quando necess\u00e1rio, reconhecendo erros quando cometidos e preservando a dist\u00e2ncia indispens\u00e1vel entre a mesa do editor e os interesses daqueles que gostariam de ocupar sua cadeira.<\/p>\n<p>Um jornal pode sobreviver \u00e0 falta de an\u00fancios, \u00e0 escassez de recursos e at\u00e9 \u00e0 hostilidade dos poderosos; contudo, dificilmente sobreviver\u00e1 \u00e0 perda da confian\u00e7a de seus leitores. E, c\u00e1 pra n\u00f3s, confian\u00e7a, ao contr\u00e1rio de publicidade, n\u00e3o se compra por cent\u00edmetro de coluna, por espa\u00e7o na tela ou por contrato mensal. Ela conquista-se todos os dias.<\/p>\n<p>Foi assim em 19 de junho de 1999. \u00c9 assim em outubro de 2026. <strong>Notibras<\/strong> tem 27 anos de hist\u00f3ria, interpreta a not\u00edcia e respeita a intelig\u00eancia de quem nos l\u00ea. Dito isso, posso assegurar, sem necessitar pedir o aval do Jos\u00e9 Seabra, do Armando Cardoso ou do Wenceslau Ara\u00fajo, que nossa independ\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 em negocia\u00e7\u00e3o. Nem por um ponto, nem por uma v\u00edrgula.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/p>\n<p><strong>Marta Nobre \u00e9 Editora Executiva de Notibras<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 27 anos, quando a internet ainda engatinhava no Brasil e o jornalismo impresso reinava absoluto nas bancas, um jornalista decidiu trocar a seguran\u00e7a de uma grande reda\u00e7\u00e3o pela incerteza de um sonho. 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