{"id":7098,"date":"2026-10-17T00:35:51","date_gmt":"2026-10-17T03:35:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/?p=7098"},"modified":"2026-10-17T03:40:50","modified_gmt":"2026-10-17T06:40:50","slug":"pequenas-cidades-podem-virar-lugarejos-com-o-fim-dos-progrmas-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/brasil\/pequenas-cidades-podem-virar-lugarejos-com-o-fim-dos-progrmas-sociais\/","title":{"rendered":"Pequenas cidades podem virar lugarejos com o fim dos progrmas sociais"},"content":{"rendered":"<p>A estagna\u00e7\u00e3o ou cortes no valor dos benef\u00edcios sociais e previdenci\u00e1rios poder\u00e3o causar uma retra\u00e7\u00e3o severa \u00e0 atividade econ\u00f4mica em munic\u00edpios do interior do Brasil, mostra levantamento do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia e Administra\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo (FEA-USP), lan\u00e7ado nesta semana.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, as aposentadorias, o Bolsa Fam\u00edlia e o Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada (BPC) t\u00eam peso significativo na economia dessas cidades e chegam a representar quase metade do or\u00e7amento das fam\u00edlias mais pobres.<\/p>\n<p>\u201cComo o valor recebido por essas fam\u00edlias \u00e9 usado quase integralmente para a aquisi\u00e7\u00e3o de itens de primeira necessidade, o dinheiro circula imediatamente no com\u00e9rcio local, garante empregos e mant\u00e9m a arrecada\u00e7\u00e3o municipal ativa\u201d, destaca a co-diretora do Made-USP, a economista Luiza Nassif.<\/p>\n<p>De acordo com o levantamento, dos 5.569 munic\u00edpios brasileiros, cerca de 4 mil est\u00e3o fora das regi\u00f5es metropolitanas. Nessas cidades, segundo o estudo, o peso das transfer\u00eancias p\u00fablicas chega a ser o dobro em rela\u00e7\u00e3o aos dos grandes centros urbanos.<\/p>\n<p>No Cear\u00e1, por exemplo, os benef\u00edcios sociais e previdenci\u00e1rios respondem por 22% da renda agregada da capital e regi\u00e3o metropolitana. J\u00e1 nas cidades do interior, esse n\u00famero \u00e9 de 40%.<\/p>\n<p><strong>Impactos futuros<\/strong><br \/>\nO estudo do Made\/USP projetou os efeitos econ\u00f4micos da evolu\u00e7\u00e3o da renda dos benef\u00edcios sociais e previdenci\u00e1rios nas cidades do interior para os pr\u00f3ximos tr\u00eas anos. O estudo tomou como base os anos de 2022 a 2025, em que houve um crescimento real para BPC e aposentadorias, e comparou esse cen\u00e1rio ao contexto de reajustes utilizados entre 2019 e 2022, sem ganhos reais do sal\u00e1rio m\u00ednimo e congelamento total.<\/p>\n<p>O levantamento mostra que, sem os reajustes, a renda agregada do interior do pa\u00eds sofreria uma retra\u00e7\u00e3o severa, ficando entre 6,8% e 10,8% abaixo do patamar com a valoriza\u00e7\u00e3o real dos benef\u00edcios sociais e previdenci\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u201cIsso geraria uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia na atividade econ\u00f4mica que atinge inclusive as fam\u00edlias que n\u00e3o dependem do socorro p\u00fablico\u201d, avalia Nassif.<\/p>\n<p>O estudo mostra que os cen\u00e1rios mais cr\u00edticos ocorreriam no interior do Rio Grande do Norte, do Amap\u00e1 e do Piau\u00ed, onde a renda total cairia entre 17% a 18%, sem o ritmo atual de aumento dos benef\u00edcios sociais.<\/p>\n<p>Amazonas, Sergipe e Pernambuco teriam perda na casa dos 15%. Cear\u00e1, Maranh\u00e3o, Alagoas e Bahia teriam queda entre 10% e 13%, enquanto Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Esp\u00edrito Santo, S\u00e3o Paulo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, poderiam ter preju\u00edzo de at\u00e9 6,5%.<\/p>\n<p><strong>Os efeitos na pobreza<\/strong><br \/>\nO levantamento destaca que, al\u00e9m dos efeitos sobre a renda e a atividade econ\u00f4mica dos munic\u00edpios do interior, os benef\u00edcios desempenham um papel decisivo no combate \u00e0 pobreza.<\/p>\n<p>\u201cPara quem vive no limite, qualquer reajuste abaixo da infla\u00e7\u00e3o empurra a fam\u00edlia diretamente para a pobreza\u201d, afirma Nassif. Segundo ela, para fam\u00edlias com rendimento de at\u00e9 1,5 sal\u00e1rio m\u00ednimo per capita, os benef\u00edcios podem chegar a 50% do rendimento.<\/p>\n<p>Simula\u00e7\u00f5es feitas pelo levantamento indicam que a aus\u00eancia de ganhos reais nos benef\u00edcios entre 2022 e 2025 teria empurrado aproximadamente 2,7 milh\u00f5es de pessoas para a pobreza nos munic\u00edpios fora das regi\u00f5es metropolitanas, 2,4 milh\u00f5es delas para extrema pobreza.<\/p>\n<p>Em n\u00fameros absolutos, as maiores altas na pobreza ocorreriam na Bahia (at\u00e9 336 mil pessoas a mais), S\u00e3o Paulo (at\u00e9 263 mil) e Minas Gerais (at\u00e9 251 mil), seguidos por Maranh\u00e3o, Par\u00e1 e Cear\u00e1 (com mais de 200 mil pessoas cada).<\/p>\n<p>\u201cOlhando para o impacto que a queda de renda provoca, fica n\u00edtido o estrago que uma trava no crescimento dos benef\u00edcios pode fazer nas economias locais\u201d, observa Nassif.<\/p>\n<p>\u201cManter a valoriza\u00e7\u00e3o real da previd\u00eancia, do BPC e dos programas de transfer\u00eancia de renda \u00e9 a garantia m\u00ednima de dignidade para as fam\u00edlias e de sobreviv\u00eancia para o com\u00e9rcio local no Brasil profundo&#8221;, acrescenta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A estagna\u00e7\u00e3o ou cortes no valor dos benef\u00edcios sociais e previdenci\u00e1rios poder\u00e3o causar uma retra\u00e7\u00e3o severa \u00e0 atividade econ\u00f4mica em munic\u00edpios do interior do Brasil, mostra levantamento do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia e Administra\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo (FEA-USP), lan\u00e7ado nesta semana. 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