{"id":7110,"date":"2026-10-17T01:55:22","date_gmt":"2026-10-17T04:55:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/?p=7110"},"modified":"2026-10-17T03:58:27","modified_gmt":"2026-10-17T06:58:27","slug":"brasileiro-come-produtos-contaminados-e-o-governo-faz-vista-grossa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/brasil\/brasileiro-come-produtos-contaminados-e-o-governo-faz-vista-grossa\/","title":{"rendered":"Brasileiro come produtos contaminados e o governo faz vista grossa"},"content":{"rendered":"<p>Pesticidas considerados t\u00f3xicos demais para utiliza\u00e7\u00e3o dentro da Uni\u00e3o Europeia (UE) continuam sendo fabricados por empresas do bloco e exportados para dezenas de pa\u00edses ao redor do mundo. No Dia Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o, relat\u00f3rio da Oxfam aponta que o Brasil foi o segundo maior importador desses produtos proibidos pela UE, recebendo cerca de 15 mil toneladas em 2024. Os Estados Unidos aparecem em primeiro lugar.<\/p>\n<p>A Oxfam concluiu que as pol\u00edticas e regulamenta\u00e7\u00f5es da UE levam \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios desiguais e de car\u00e1ter colonial em rela\u00e7\u00e3o aos agrot\u00f3xicos altamente perigosos (AAPs). Isso porque tais mecanismos de regula\u00e7\u00e3o seguem protegendo parcialmente sua pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o e meio ambiente enquanto permitem que subst\u00e2ncias proibidas continuem sendo produzidas e exportadas para outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Em pa\u00edses como Brasil e \u00c1frica do Sul, as planta\u00e7\u00f5es s\u00e3o pulverizadas com grandes quantidades de AAPs fabricados pelas empresas europeias. A Oxfam ressalta que, al\u00e9m das frutas, vegetais e commodities agr\u00edcolas, trabalhadores rurais, suas comunidades e o meio ambiente s\u00e3o expostos aos impactos desses produtos qu\u00edmicos t\u00f3xicos.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel que a Uni\u00e3o Europeia pro\u00edba determinados agrot\u00f3xicos para proteger sua pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, permita que essas mesmas subst\u00e2ncias sejam produzidas e exportadas para outros pa\u00edses\u201d, apontou a diretora da Oxfam Brasil, Viviana Santiago.<\/p>\n<p>Dados do relat\u00f3rio mostram que, em 2024, os Estados-Membros da UE exportaram quase 122 mil toneladas de pesticidas proibidos dentro do bloco, mais do que o dobro do volume exportado em 2018.<\/p>\n<p>Segundo o doccumento, 93 pa\u00edses importam agrot\u00f3xicos perigosos da UE, sendo 75% deles de baixa e m\u00e9dia renda do Sul Global<\/p>\n<p>A Oxfam alerta que os pesticidas altamente perigosos representam cerca de um ter\u00e7o dos ingredientes ativos utilizados em todo o mundo e s\u00e3o empregados principalmente em pa\u00edses do Sul Global, onde os mecanismos de prote\u00e7\u00e3o e regulamenta\u00e7\u00e3o costumam ser mais fr\u00e1geis.<\/p>\n<p>\u201cEsse duplo padr\u00e3o transfere os riscos para trabalhadores rurais, comunidades e territ\u00f3rios do Sul Global, enquanto os benef\u00edcios econ\u00f4micos ficam concentrados em poucas empresas\u201d, acrescentou Viviana Santiago.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise aponta que, no Brasil, os AAPs correspondem a 49% de todos os agrot\u00f3xicos vendidos, uma propor\u00e7\u00e3o muito superior \u00e0 observada em pa\u00edses da UE, como a Alemanha, onde representam apenas 12% das vendas.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio destaca ainda que seis dos dez pesticidas mais vendidos no Brasil s\u00e3o proibidos na Uni\u00e3o Europeia, mas continuam sendo pulverizados sobre lavouras e \u00e1reas pr\u00f3ximas a florestas por tratores, avi\u00f5es e drones.<\/p>\n<p>\u201cEsse uso intensivo est\u00e1 diretamente ligado ao modelo agr\u00edcola baseado em grandes monoculturas voltadas para exporta\u00e7\u00e3o, como soja, caf\u00e9 e cana-de-a\u00e7\u00facar, altamente dependentes de agrot\u00f3xicos\u201d, apontou a Oxfam, em nota.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos impactos para a sa\u00fade humana e o meio ambiente, o relat\u00f3rio mostra como esse sistema beneficia um pequeno grupo de grandes corpora\u00e7\u00f5es. Segundo os dados analisados, quatro empresas controlam 61% do mercado global de pesticidas e obtiveram cerca de \u20ac 2,7 bilh\u00f5es em receitas (R$ 15,37 bilh\u00f5es) pela venda de pesticidas altamente perigosos.<\/p>\n<p>A Oxfam avalia que tais n\u00fameros evidenciam a concentra\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os das grandes multinacionais agroqu\u00edmicas do poder econ\u00f4mico e dos lucros gerados por esse com\u00e9rcio de produtos t\u00f3xicos. Enquanto isso, os riscos \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente s\u00e3o transferidos para pa\u00edses do Sul Global.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso interromper a exporta\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos proibidos e avan\u00e7ar em regras que coloquem a sa\u00fade, os direitos das pessoas e a prote\u00e7\u00e3o ambiental acima dos interesses comerciais\u201d, afirmou Viviana Santiago.<\/p>\n<p>Apesar do cen\u00e1rio em que h\u00e1 amplo uso de agrot\u00f3xicos, a Oxfam aponta que a expans\u00e3o do mercado brasileiro segue acelerada. \u201cEm 2025, o pa\u00eds registrou um novo recorde de aprova\u00e7\u00f5es, com 725 novos pesticidas autorizados, um aumento de quase 10% em compara\u00e7\u00e3o com o recorde anterior de 663 produtos registrados em 2024\u201d, apontou a entidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesticidas considerados t\u00f3xicos demais para utiliza\u00e7\u00e3o dentro da Uni\u00e3o Europeia (UE) continuam sendo fabricados por empresas do bloco e exportados para dezenas de pa\u00edses ao redor do mundo. 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