{"id":7151,"date":"2026-10-19T01:49:24","date_gmt":"2026-10-19T04:49:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/?p=7151"},"modified":"2026-10-19T03:57:01","modified_gmt":"2026-10-19T06:57:01","slug":"flavio-e-lula-fazem-debate-de-oracoes-e-aplausos-ironicos-sem-ter-motivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/eleicoes-2026\/flavio-e-lula-fazem-debate-de-oracoes-e-aplausos-ironicos-sem-ter-motivos\/","title":{"rendered":"Fl\u00e1vio e Lula fazem debate de ora\u00e7\u00f5es e aplausos ir\u00f4nicos sem ter motivos"},"content":{"rendered":"<p>A Band preparou o palco, colocou os dois candidatos frente a frente e ofereceu uma oportunidade que o eleitor esperava havia semanas. Lula e Fl\u00e1vio Bolsonaro tinham tempo, liberdade para perguntar e uma cole\u00e7\u00e3o de assuntos importantes para discutir. O problema come\u00e7ou quando resolveram usar boa parte dessa liberdade para trocar acusa\u00e7\u00f5es, provocar um ao outro e fazer um espet\u00e1culo que, em determinados momentos, chegou a dar vergonha alheia.<\/p>\n<p>As entrevistas individuais dos dias anteriores haviam deixado uma por\u00e7\u00e3o de perguntas sem respostas. Era razo\u00e1vel imaginar que o encontro direto pudesse esclarecer algumas delas, at\u00e9 porque um candidato teria a oportunidade de cobrar do outro aquilo que os jornalistas n\u00e3o conseguiram arrancar. Mas a expectativa durou pouco. O primeiro bloco virou um bate-boca, com os dois se engalfinhando verbalmente, interrompendo, ironizando e demonstrando uma disposi\u00e7\u00e3o enorme para acusar, mas bem menor para explicar.<\/p>\n<p>Lula come\u00e7ou perguntando a Fl\u00e1vio por que havia votado contra a amplia\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a-maternidade quando era deputado estadual. O senador falou da esposa, das filhas e, sem explicar propriamente o voto, puxou Roberta Luchsinger para a conversa. Pronto. A partir da\u00ed, apareceu de tudo um pouco: Lulinha, Eduardo Bolsonaro, fraudes no INSS, Banco Master, Daniel Vorcaro, o filme sobre Jair Bolsonaro e uma quantidade de suspeitas que daria assunto para v\u00e1rios programas policiais. S\u00f3 faltava algu\u00e9m lembrar que a elei\u00e7\u00e3o \u00e9 para presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Houve momentos de gra\u00e7a, embora nem sempre de bom gosto. Fl\u00e1vio resolveu brincar com a palavra \u201ccorrupto\u201d para associar duas letras ao PT. Lula, provocado sobre os votos recebidos entre presos, respondeu que gostaria de receber todos, inclusive o de Jair Bolsonaro. Entre uma ironia e outra, sobraram acusa\u00e7\u00f5es de mentira, insinua\u00e7\u00f5es sobre familiares e perguntas que iam sendo abandonadas conforme aparecia uma provoca\u00e7\u00e3o mais conveniente. O eleitor que tentasse acompanhar o racioc\u00ednio precisava fazer um esfor\u00e7o consider\u00e1vel para lembrar qual era o assunto original.<\/p>\n<p>Em determinado momento, Lula desafiou Fl\u00e1vio a abrir informa\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias e telef\u00f4nicas, incluindo as de familiares, oferecendo-se para fazer o mesmo. Era uma oportunidade de transformar a conversa sobre corrup\u00e7\u00e3o em algo mais concreto. Fl\u00e1vio disse que n\u00e3o tinha nada a esconder, mas n\u00e3o assumiu expressamente o compromisso proposto. E assim o debate seguiu, com mais uma quest\u00e3o importante engolida pela discuss\u00e3o seguinte.<\/p>\n<p>N\u00e3o faltaram propostas. Fl\u00e1vio falou em endurecer o combate \u00e0s fac\u00e7\u00f5es, ampliar vagas nas pris\u00f5es, investir em tecnologia e reduzir a maioridade penal para determinados crimes. Lula defendeu maior participa\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o na seguran\u00e7a p\u00fablica e insistiu nas medidas de seu governo. Na sa\u00fade, o presidente falou do SUS com a familiaridade de quem conhece sua estrutura, enquanto Fl\u00e1vio apresentou prontu\u00e1rio eletr\u00f4nico, telemedicina e a promessa de levar um padr\u00e3o de atendimento associado ao Hospital Albert Einstein \u00e0 rede p\u00fablica. Mas, quando a pergunta era de onde viria o dinheiro para ampliar os servi\u00e7os, a conversa j\u00e1 n\u00e3o parecia t\u00e3o desembara\u00e7ada.<\/p>\n<p>Na economia aconteceu algo semelhante. Vieram promessas de crescimento, renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas, prosperidade e investimentos, mas faltaram explica\u00e7\u00f5es sobre custos, prazos e condi\u00e7\u00f5es para tirar muita coisa do papel. A pergunta sobre produtividade, por exemplo, merecia uma discuss\u00e3o mais cuidadosa. Acabou cercada pelas generalidades de sempre.<\/p>\n<p>Curiosamente, os melhores momentos para compreender as propostas surgiram quando Adriana Ara\u00fajo e Eduardo Oinegue assumiram as perguntas. Os jornalistas colocaram problemas concretos na mesa e tentaram obter respostas objetivas. Quando os pr\u00f3prios candidatos passaram a perguntar, a prioridade frequentemente deixou de ser o assunto e passou a ser o constrangimento do advers\u00e1rio. Uma coisa \u00e9 cobrar uma explica\u00e7\u00e3o. Outra \u00e9 usar a pergunta como pretexto para come\u00e7ar uma nova briga.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m houve uma disputa de comunica\u00e7\u00e3o. Fl\u00e1vio mostrou desenvoltura na movimenta\u00e7\u00e3o pelo palco, procurou as c\u00e2meras e falou diretamente ao telespectador, mesmo quando se afastava da pergunta recebida. Lula, com sua experi\u00eancia de orador, preferiu o enfrentamento direto, recuperou realiza\u00e7\u00f5es de seus governos e insistiu em cobran\u00e7as que, repetidas muitas vezes, acabaram perdendo for\u00e7a. Os dois encontraram maneiras de ocupar a televis\u00e3o. Isso, naturalmente, n\u00e3o significa que tenham aproveitado o tempo para esclarecer o que realmente interessava.<\/p>\n<p>A temperatura foi t\u00e3o alta que os mediadores precisaram intervir at\u00e9 nas considera\u00e7\u00f5es finais, pedindo respeito ao tempo de fala e sil\u00eancio \u00e0 plateia. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o e tanto: dois candidatos disputando a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica e os apresentadores tendo de lembrar regras elementares de conviv\u00eancia para que cada um conseguisse terminar o que estava dizendo.<\/p>\n<p>E o eleitor? Esse ficou com a parte menos divertida da hist\u00f3ria. Quem reservou a noite de domingo para assistir ao primeiro confronto direto, a uma semana da elei\u00e7\u00e3o, provavelmente esperava encontrar alguma coisa nova para pensar. N\u00e3o sabemos quantos acompanharam tudo nem se o encontro mudou a opini\u00e3o de algu\u00e9m. Mas \u00e9 dif\u00edcil identificar, naquele amontoado de acusa\u00e7\u00f5es e provoca\u00e7\u00f5es, uma quantidade de esclarecimentos proporcional \u00e0 expectativa criada.<\/p>\n<p>As entrevistas individuais, com todos os seus problemas, permitiram conhecer melhor as posi\u00e7\u00f5es dos candidatos. O debate, que deveria aprofundar essas diferen\u00e7as, terminou oferecendo principalmente uma demonstra\u00e7\u00e3o de como Lula e Fl\u00e1vio se comportam quando est\u00e3o diante um do outro e precisam lidar com perguntas inc\u00f4modas.<\/p>\n<p>Talvez as campanhas tenham conseguido material de sobra para recortar, editar e espalhar pelas redes sociais nesta segunda-feira. N\u00e3o faltaram frases de efeito, caretas, provoca\u00e7\u00f5es e oportunidades para a milit\u00e2ncia comemorar algum lance. Mas uma elei\u00e7\u00e3o presidencial exige um pouco mais do que produzir cenas para o dia seguinte.<\/p>\n<p>A Band entregou o debate que todos esperavam assistir. O que os candidatos fizeram com ele \u00e9 outra hist\u00f3ria. E, para quem chegou \u00e0 televis\u00e3o querendo respostas, n\u00e3o foi uma noite muito proveitosa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Band preparou o palco, colocou os dois candidatos frente a frente e ofereceu uma oportunidade que o eleitor esperava havia semanas. Lula e Fl\u00e1vio Bolsonaro tinham tempo, liberdade para perguntar e uma cole\u00e7\u00e3o de assuntos importantes para discutir. 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