{"id":7871,"date":"2026-10-31T00:22:01","date_gmt":"2026-10-31T03:22:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/?p=7871"},"modified":"2026-10-31T00:22:01","modified_gmt":"2026-10-31T03:22:01","slug":"embriaguez-do-poder-leva-ambicioso-pensar-ser-reencarnacao-de-napoleao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/eleicoes-2026\/embriaguez-do-poder-leva-ambicioso-pensar-ser-reencarnacao-de-napoleao\/","title":{"rendered":"Embriaguez do poder leva ambicioso pensar ser reencarna\u00e7\u00e3o de Napole\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Estranho, mas compreens\u00edvel entre os que se acham eternos, o desejo incontrol\u00e1vel de poder transita entre a filosofia, a psicologia e a sociologia, aparecendo como um dos impulsos mais debatidos sobre a natureza humana. O conceito mais famoso a respeito do tema foi desenvolvido pelo fil\u00f3sofo alem\u00e3o Friedrich Nietzsche, para quem a vontade de pot\u00eancia n\u00e3o se resume a uma simples ambi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou ao desejo de tiranizar os outros. Na pr\u00e1tica existencial, nada mais \u00e9 do que a busca da sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Diante de apenas ser, a intensidade do ter se manifesta de numerosas formas, algumas sob a fantasia da obriga\u00e7\u00e3o da superioridade: \u00e9 o artista que cria sem parar, o cientista que dorme e acorda procurando a verdade, o atleta que morre superando tentado superar seus limites ou o indiv\u00edduo que vende a alma para marcar sua exist\u00eancia. Ou seja, o apetite desmedido por poder muitas vezes nasce de inseguran\u00e7as profundas, servindo como uma compensa\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil para o medo da irrelev\u00e2ncia ou da vulnerabilidade.<\/p>\n<p>Inquestionavelmente, o mais perigoso \u00e9 o poder pol\u00edtico, cujos l\u00edderes, al\u00e9m de amea\u00e7as e mentiras descabidas, podem recorrer a meios escusos, entre eles a for\u00e7a, para garantir obedi\u00eancias \u00e0s suas normas. \u00c9 aquela velha, c\u00e9lebre e atual\u00edssima frase de Nicolau Maquiavel: \u201cD\u00ea poder ao homem e descobrir\u00e1 quem ele realmente \u00e9\u201d. Na hist\u00f3ria, o exerc\u00edcio absoluto do poder frequentemente flerta com a tirania e com o <i>delirium tremens<\/i>. Nos tempos modernos, a psiquiatria \u00e9 a ferramenta mais confi\u00e1vel para definir, politicamente, que \u00e9 \u201cs\u00e3o\u201d ou \u201canormal\u201d.<\/p>\n<p>Figuras dos antigos imp\u00e9rios europeus exemplificam como a soberania ilimitada pode se misturar \u00e0 megalomania, \u00e0 crueldade e \u00e0 ru\u00edna moral, transformando governos em um verdadeiro espet\u00e1culo de terror e trag\u00e9dia. Mentir que vivemos tudo isso em um passado bem recente \u00e9 assumir que a invers\u00e3o de valores do mundo e os de Deus \u00e9 apenas um detalhe capaz de desafiar a l\u00f3gica dos homens de bem. Didaticamente, \u00e9 o mesmo que associar a loucura pol\u00edtica a estere\u00f3tipos psiqui\u00e1tricos e culturais.<\/p>\n<p>S\u00e3o os que se veem como a reencarna\u00e7\u00e3o de Napole\u00e3o Bonaparte, transformado em arqu\u00e9tipo cl\u00e1ssico da psiquiatria e do imagin\u00e1rio popular para definir algu\u00e9m com del\u00edrios de onipot\u00eancia ou de soberania. Associada \u00e0 loucura de poder, a ambi\u00e7\u00e3o \u00e9 frequentemente descrita por pensadores contempor\u00e2neos como uma esp\u00e9cie de \u201cembriaguez de poder\u201d ou perda do senso de realidade. Guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, com todo respeito ao ser humano, esse parece ser o caso do candidato derrotado na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o presidencial do Brasil.<\/p>\n<p>Como explicar aos historiadores de plant\u00e3o que algu\u00e9m com mais de 60 milh\u00f5es de votos tenha optado por fugir do pa\u00eds e, um dia e meio ap\u00f3s o resultado, adotar o mesmo tom golpista do patriarca do cl\u00e3. Inimigo declarado do sistema democr\u00e1tico de governo, ele, antes de se autoproclamar presidente eleito, deveria ter sido informado que, em uma democracia consolidada, o t\u00edtulo de cidad\u00e3o \u00e9 muito mais importante do que o de presidente da Rep\u00fablica. T\u00e1 todo mundo louco? Nem todos.<\/p>\n<p>Tanto que a maioria do eleitorado nacional preferiu \u201cpremiar\u201d Luiz In\u00e1cio Lula da Silva com mais um mandato, o quarto de sua longa carreira pol\u00edtica. Loucura, sonhos e expectativas \u00e0 parte, a realidade \u00e9 objetiva para um e outro lado. Obrigatoriamente e provavelmente com louvor, Lula encerrar\u00e1 sua carreira de presidente em 2030. Quanto a seus advers\u00e1rios, fugitivos em decorr\u00eancia de graves pend\u00eancias judiciais, o esgotamento supostamente prematuro ocorreu exatamente quando a submiss\u00e3o a uma corrente ideol\u00f3gica estava a ponto de explodir. Embora velha, mas n\u00e3o ultrapassada, a outra ter\u00e1 mais quatro anos para formar sucessores. \u00c0 esquerda e \u00e0 direita, quem se habilita?<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p><strong>Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estranho, mas compreens\u00edvel entre os que se acham eternos, o desejo incontrol\u00e1vel de poder transita entre a filosofia, a psicologia e a sociologia, aparecendo como um dos impulsos mais debatidos sobre a natureza humana. 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