{"id":8149,"date":"2026-11-04T03:29:50","date_gmt":"2026-11-04T06:29:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/?p=8149"},"modified":"2026-11-04T03:55:18","modified_gmt":"2026-11-04T06:55:18","slug":"exercito-simbolico-nos-livra-de-sermos-governados-pelos-votos-dos-outros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/brasil\/exercito-simbolico-nos-livra-de-sermos-governados-pelos-votos-dos-outros\/","title":{"rendered":"Ex\u00e9rcito simb\u00f3lico nos livra de sermos governados pelos votos dos outros"},"content":{"rendered":"<p>Fazendo minhas as s\u00e1bias palavras do fil\u00f3sofo alem\u00e3o Arthur Schopenhauer, os primeiros 40 anos de nossas vidas fornecem o texto. O coment\u00e1rio fica por conta dos 30 anos seguintes. Considerando que estou no limite da realiza\u00e7\u00e3o de todos os desejos da lista de Ano Novo, acho que desaprendi a votar. Na verdade, tenho certeza, pois, t\u00e3o logo anunciado o resultado, descobri que, ainda que mantenha um m\u00ednimo de intelig\u00eancia, acabei votando no sentido oposto ao da maioria que pensa que sabia pensar.<\/p>\n<p>Como aprendi que, mesmo errado, os povos e as <i>povas<\/i> est\u00e3o absolutamente certos, preferi segui-los de olhos fechados. Ou seja, optei por n\u00e3o ouvir o que queriam me obrigar a fazer. E por que n\u00e3o fi-lo? Porque n\u00e3o qui-lo! Simples assim. Embora essencial para uma leva de pol\u00edticos inescrupulosos, a mente encarcerada de parte ou da totalidade da popula\u00e7\u00e3o gera tens\u00f5es, conflitos e dissabores muito comuns entre os cidad\u00e3os, normalmente distinguidos pela produtividade intelectual e pela inutilidade eleitoral. Foi assim no primeiro\u00a0turno das elei\u00e7\u00f5es de 2026.<\/p>\n<p>Como ocupamos o mesmo ambiente pol\u00edtico-administrativo, cada um de n\u00f3s, independentemente da capacidade l\u00f3gica de racioc\u00ednio, acaba reduzido a um mero espectador de seres dominadores e dominantes. \u00c9 o pre\u00e7o da conviv\u00eancia obrigat\u00f3ria com o modernismo da sociedade pluralizada, mas submissamente unificada quando \u00e9 obrigada a optar entre o voto abusivamente determinado por pessoas ou lideran\u00e7as de fora e o estresse e a perturba\u00e7\u00e3o de escolher sem convic\u00e7\u00e3o. Felizmente, a ordem mudou de lado no segundo turno.<\/p>\n<p>Olhando por esse lado, a felicidade real n\u00e3o \u00e9 realizar todos os seus desejos da lista de Ano Novo, mas sim agir de forma coerente com a vida que o fulano e o ciclano escolheram levar. Em resumo: mais do que fazer o que d\u00e1 na telha, o segredo \u00e9 achar significado naquilo que se est\u00e1 fazendo. Talvez seja essa uma das raz\u00f5es pelas quais os que votaram a pedido n\u00e3o imaginaram que, associado ao Centr\u00e3o, o PL se transformaria em partido \u00fanico do Brasil. A princ\u00edpio, coisa de somenos import\u00e2ncia para quem n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed para a coletividade.<\/p>\n<p>Com base em um prov\u00e9rbio chin\u00eas, \u00e9 f\u00e1cil distinguir entre os brasileiros aqueles que querem a felicidade imediata, de celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria e a de longa dura\u00e7\u00e3o. Conforme o simbolismo do prov\u00e9rbio, a felicidade de uma semana \u00e9 sin\u00f4nimo de casamento, enquanto a de um m\u00eas representa o sacrif\u00edcio de um porco. J\u00e1 a da vida inteira est\u00e1 contida no cultivo de um jardim. O que o prov\u00e9rbio realmente quer dizer com cada exemplo \u00e9 simples e tem tudo a ver com nossas decis\u00f5es pol\u00edticas. O segundo turno eleitoral devolveu o povo \u00e0 normalidade.<\/p>\n<p>Obviamente que casar gera uma profunda e acentuada felicidade, que \u00e9 concentrada no per\u00edodo inicial de adapta\u00e7\u00e3o intensa, algo como, alegoricamente, uma semana. Em um contexto de fartura e de celebra\u00e7\u00e3o com os parceiros eleitores e eleitos, matar um porco rende uma satisfa\u00e7\u00e3o um pouco mais longa, o equivalente a um m\u00eas de festa e boa mesa compartilhada. Plantar um jardim exige cuidado cont\u00ednuo: regar, podar, esperar a esta\u00e7\u00e3o certa. A recompensa n\u00e3o vem de uma vez, ela se renova a cada temporada, o que a torna a fonte de felicidade mais duradoura das tr\u00eas. Seria o Lula 4? Para a maioria, sim.<\/p>\n<p>Resumindo, prazeres intensos e pontuais tendem a se dissipar rapidamente. As boas escolhas perenizam e mant\u00eam acesa a chama da fidelidade, isto \u00e9, aquele bom candidato ser\u00e1 o nosso candidato em tantas elei\u00e7\u00f5es quantas ele se candidatar. Ratificando meu voto no sentido oposto \u00e0queles que acham que sabiam pensar, hoje tenho certeza de que n\u00e3o corro mais o risco de ser governado pelo voto dos outros. Ou seja, gra\u00e7as a um simb\u00f3lico, sereno, forte e unido ex\u00e9rcito, n\u00e3o sou ref\u00e9m do voto alheio.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p><strong>Armando Cardoso \u00e9 presidente do Conselho Editorial de Notibras<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fazendo minhas as s\u00e1bias palavras do fil\u00f3sofo alem\u00e3o Arthur Schopenhauer, os primeiros 40 anos de nossas vidas fornecem o texto. O coment\u00e1rio fica por conta dos 30 anos seguintes. Considerando que estou no limite da realiza\u00e7\u00e3o de todos os desejos da lista de Ano Novo, acho que desaprendi a votar. 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