{"id":8189,"date":"2026-11-04T18:02:26","date_gmt":"2026-11-04T21:02:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/?p=8189"},"modified":"2026-11-04T18:54:51","modified_gmt":"2026-11-04T21:54:51","slug":"bc-mantem-juro-alto-e-real-nao-vai-nem-pra-cofrinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/brasil\/bc-mantem-juro-alto-e-real-nao-vai-nem-pra-cofrinho\/","title":{"rendered":"BC mant\u00e9m juro alto e real n\u00e3o vai nem pra cofrinho"},"content":{"rendered":"<p>As tens\u00f5es em torno do c\u00e2mbio e do fen\u00f4meno clim\u00e1tico El Ni\u00f1o fizeram o Banco Central (BC) botar o p\u00e9 no freio. Por unanimidade, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) manteve a Taxa Selic, juros b\u00e1sicos da economia, em 13,75% ao ano.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o surpreendeu o mercado financeiro, que esperava um corte de 0,25 ponto percentual. No entanto, uma parte das institui\u00e7\u00f5es apostavam na manuten\u00e7\u00e3o da taxa.<\/p>\n<p>De junho de 2025 a mar\u00e7o de 2026, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior n\u00edvel em quase 20 anos. Desde abril, o Copom cortou os juros cinco vezes, num cen\u00e1rio de queda da infla\u00e7\u00e3o. No entanto, o agravamento da guerra no Oriente M\u00e9dio, o in\u00edcio do fen\u00f4meno El Ni\u00f1o e a recente instabilidade cambial dificultam o trabalho do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>O Copom est\u00e1 desfalcado porque o mandato dos diretores de Organiza\u00e7\u00e3o do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica, Diego Guillen, expirou no fim de 2025. O presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva ainda n\u00e3o encaminhou as indica\u00e7\u00f5es dos substitutos ao Congresso Nacional.<\/p>\n<p><strong>Infla\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nA Selic \u00e9 o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a infla\u00e7\u00e3o oficial, medida pelo \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA). Em outubro, o IPCA-15, pr\u00e9via do \u00edndice oficial ficou em 0,32%, beneficiado pela queda nas contas de luz.<\/p>\n<p>No acumulado de 12 meses, o \u00edndice subiu de 4,5% para 4,62%, acima do teto da meta de infla\u00e7\u00e3o. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) divulgar\u00e1 o IPCA cheio de setembro no pr\u00f3ximo dia 12.<\/p>\n<p>Pelo novo sistema de meta cont\u00ednua, em vigor desde janeiro de 2025, a meta de infla\u00e7\u00e3o que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional, \u00e9 de 3%, com intervalo de toler\u00e2ncia de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior \u00e9 1,5% e o superior \u00e9 4,5%.<\/p>\n<p>No modelo de meta cont\u00ednua, a meta passa ser apurada m\u00eas a m\u00eas, considerando a infla\u00e7\u00e3o acumulada em 12 meses. Em novembro de 2026, a infla\u00e7\u00e3o desde dezembro de 2025 \u00e9 comparada com a meta e o intervalo de toler\u00e2ncia. Em dezembro de 2026, o procedimento se repete, com apura\u00e7\u00e3o a partir de janeiro de 2026. Dessa forma, a verifica\u00e7\u00e3o se desloca ao longo do tempo, n\u00e3o ficando mais restrita ao \u00edndice fechado de dezembro de cada ano.<\/p>\n<p>No \u00faltimo Relat\u00f3rio de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria, divulgado no fim de setembro pelo Banco Central, a autoridade monet\u00e1ria manteve, em 5,2% a previs\u00e3o do IPCA em 2026, mas a estimativa ser\u00e1 revista, por causa da recente queda da infla\u00e7\u00e3o. A pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o do documento ser\u00e1 divulgada no fim deste m\u00eas.<\/p>\n<p>As previs\u00f5es do mercado est\u00e3o em linha com as da autoridade monet\u00e1ria. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com institui\u00e7\u00f5es financeiras divulgada pelo BC, a infla\u00e7\u00e3o oficial dever\u00e1 fechar o ano em 5,22%, acima do teto da meta, de 4,5%. Antes do in\u00edcio da guerra no Oriente M\u00e9dio, as estimativas do mercado estavam em 3,95%.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito menos caro<\/strong><br \/>\nA redu\u00e7\u00e3o da taxa Selic impulsiona a economia. Isso porque juros mais baixos barateiam o cr\u00e9dito e estimulam a produ\u00e7\u00e3o e o consumo. Por outro lado, taxas menores dificultam o controle da infla\u00e7\u00e3o. No \u00faltimo Relat\u00f3rio de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria, o Banco Central reduziu para 1,8% a previs\u00e3o de crescimento da economia em 2026.<\/p>\n<p>O mercado projeta crescimento um pouco mais baixo. Segundo a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do boletim Focus, os analistas econ\u00f4micos preveem expans\u00e3o de 1,76% do PIB em 2026. H\u00e1 quatro semanas, a estimativa estava em 1,85%<\/p>\n<p>A taxa b\u00e1sica de juros \u00e9 usada nas negocia\u00e7\u00f5es de t\u00edtulos p\u00fablicos no Sistema Especial de Liquida\u00e7\u00e3o e Cust\u00f3dia (Selic) e serve de refer\u00eancia para as demais taxas de juros da economia. Ao reajust\u00e1-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os pre\u00e7os, porque juros mais altos encarecem o cr\u00e9dito e estimulam a poupan\u00e7a.<\/p>\n<p>Ao reduzir os juros b\u00e1sicos, o Copom barateia o cr\u00e9dito e incentiva a produ\u00e7\u00e3o e o consumo, mas enfraquece o controle da infla\u00e7\u00e3o. Para cortar a Selic, a autoridade monet\u00e1ria precisa estar segura de que os pre\u00e7os est\u00e3o sob controle e n\u00e3o correm risco de subir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As tens\u00f5es em torno do c\u00e2mbio e do fen\u00f4meno clim\u00e1tico El Ni\u00f1o fizeram o Banco Central (BC) botar o p\u00e9 no freio. 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