{"id":8234,"date":"2026-11-05T10:19:51","date_gmt":"2026-11-05T13:19:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/?p=8234"},"modified":"2026-11-05T10:21:39","modified_gmt":"2026-11-05T13:21:39","slug":"devastacao-da-amazonia-acelera-e-para-bate-recorde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/brasil\/devastacao-da-amazonia-acelera-e-para-bate-recorde\/","title":{"rendered":"Devasta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia acelera e Par\u00e1 bate recorde"},"content":{"rendered":"<p>O estado do Par\u00e1 registrou 60.664 hectares de explora\u00e7\u00e3o madeireira entre agosto de 2024 e julho de 2025, a maior \u00e1rea desde o ciclo 2019-2020. Al\u00e9m disso, o resultado representa um aumento de mais de 40% em rela\u00e7\u00e3o ao ciclo anterior, de agosto de 2023 a julho de 2024.<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o do Sistema de Monitoramento da Explora\u00e7\u00e3o Madeireira (Simex), da Rede Simex, formada por tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es de pesquisa ambiental: Imazon, Instituto Centro de Vida (ICV) e Imaflora.<\/p>\n<p>Os pesquisadores cruzaram os registros de \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o madeireira, identificados por meio de imagens de sat\u00e9lite, com as autoriza\u00e7\u00f5es para a atividade emitidas pelos \u00f3rg\u00e3os competentes.<\/p>\n<p>Do total mapeado, 41.538 hectares (68%) foram explorados em \u00e1reas autorizadas e 19.126 hectares (32%) de forma ilegal.<\/p>\n<p>O levantamento mostrou ainda que, enquanto a atividade autorizada cresceu mais de 83% em rela\u00e7\u00e3o ao \u00faltimo ciclo, a realizada sem autoriza\u00e7\u00e3o diminuiu cerca de 6%.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora do Imazon, Camila Damasceno, a redu\u00e7\u00e3o da extra\u00e7\u00e3o ilegal \u00e9 algo positivo. No entanto, a \u00e1rea ainda representa uma extens\u00e3o equivalente a mais de 19 mil campos de futebol de florestas afetadas.<\/p>\n<p>\u201cOs n\u00fameros mostram que h\u00e1 muito a avan\u00e7ar. Precisamos fortalecer a fiscaliza\u00e7\u00e3o, ampliar as a\u00e7\u00f5es de combate e responsabiliza\u00e7\u00e3o dos infratores e criar mecanismos de incentivo ao manejo florestal, principalmente o comunit\u00e1rio\u201d, afirmou a pesquisadora, em nota.<\/p>\n<p>Para o coordenador do programa de monitoramento da Amaz\u00f4nia do Imazon, Carlos Souza Jr., apenas comemorar a queda percentual da \u00e1rea explorada de forma ilegal significaria ignorar o impacto concreto dessa perda na floresta.<\/p>\n<p>\u201cConsiderando um cen\u00e1rio conservador de extra\u00e7\u00e3o de duas a tr\u00eas \u00e1rvores por hectare, foram derrubadas e inseridas no fluxo comercial entre 38 mil e 57 mil \u00e1rvores, sem plano de manejo, vistoria ou rastreabilidade de sua proced\u00eancia\u201d, explica Carlos.<\/p>\n<p>Ele acrescenta que, quando essa quantidade massiva de madeira chega ao mercado sem garantia de origem, todo o setor florestal \u00e9 prejudicado. \u201c[Isso enfraquece] os esfor\u00e7os de transpar\u00eancia e os investimentos de quem opera de forma regularizada no estado.\u201d<\/p>\n<p><strong>Terras ind\u00edgenas<\/strong><br \/>\nO levantamento indicou que as terras ind\u00edgenas do estado concentram apenas 2% de toda a atividade sem autoriza\u00e7\u00e3o detectada. De acordo com os especialistas do Imazon, o resultado refor\u00e7a a import\u00e2ncia desses territ\u00f3rios como barreiras \u00e0 expans\u00e3o de crimes ambientais.<\/p>\n<p>Foram 424 hectares de extra\u00e7\u00e3o de madeira ilegal entre agosto de 2024 e julho de 2025 nas terras ind\u00edgenas. Segundo a Rede Simex, esse \u00e9 o segundo menor volume da s\u00e9rie hist\u00f3rica, ficando atr\u00e1s apenas do calend\u00e1rio de agosto de 2019 a julho de 2020, quando foram identificados 158 hectares.<\/p>\n<p>\u201cA redu\u00e7\u00e3o da extens\u00e3o afetada n\u00e3o significa que o problema esteja resolvido. A ocorr\u00eancia de explora\u00e7\u00e3o ilegal em uma \u00e1rea protegida \u00e9 extremamente sens\u00edvel e exige aten\u00e7\u00e3o urgente\u201d, alertou Camila.<\/p>\n<p>Os dados mostram que a ilegalidade identificada no per\u00edodo ficou concentrada em um \u00fanico local: a Terra Ind\u00edgena Amanay\u00e9. Segundo a pesquisadora, esta \u00e9 a quinta vez consecutiva em que a TI aparece nos boletins da Rede Simex, o que evidencia a continuidade das invas\u00f5es na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Ela ressalta que, al\u00e9m dos danos ambientais, essa explora\u00e7\u00e3o representa viola\u00e7\u00f5es aos direitos dos povos origin\u00e1rios. \u201cExp\u00f5e as comunidades a conflitos, amea\u00e7as e restri\u00e7\u00f5es ao direito de circular livremente em sua pr\u00f3pria terra, com poss\u00edveis impactos sobre a sa\u00fade e os modos de vida tradicionais.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estado do Par\u00e1 registrou 60.664 hectares de explora\u00e7\u00e3o madeireira entre agosto de 2024 e julho de 2025, a maior \u00e1rea desde o ciclo 2019-2020. Al\u00e9m disso, o resultado representa um aumento de mais de 40% em rela\u00e7\u00e3o ao ciclo anterior, de agosto de 2023 a julho de 2024. 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