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Brasília

Briga no governo do DF. Chefe do BRB ‘é moleque’

Foto/Reprodução - Radar
Antônio Albuquerque

Uma crise de consequências imprevisíveis está instalada no governo de Brasília. A causa é a falta de diálogo entre assessores diretos do governador Ibaneis Rocha (MDB). “Até parece uma Torre de Babel”, segundo definição de um frequentador assíduo do Palácio do Buriti.

Ibaneis é acusado de ter abrigado os ‘diabos’ tão temidos por Jofren Frejat (PR), que renunciou à candidatura quando seu nome despontava como franco favorito para vencer as eleições do ano passado.

Um desses ‘diabos’ seria José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal, preso na operação Caixa de Pandora, maior escândalo político da história da capital da República. Embora fora do governo, Arruda manda, segundo visão de observadores políticos.

Arruda tem muitos ex-colaboradores colados em Ibaneis. Ao menos três ocupam cargos de destaque: Wellinton Baiano Moraes, secretário de Comunicação (preso, junto com o ex-governador, na Caixa de Pandora), Dario Oswaldo e Cristiane Maria, estes últimos lotados no Banco de Brasília.

Dario e Cristiane sobreviveram à devassa provocada pela Operação Circus Maximus, que mandou para a prisão, no final do governo de Rodrigo Rollemberg (PSB), Ricardo Leal (ex-conselheiro-chefe) e Vasco Gonaçlves (presidente) do Banco de Brasília.

Além de uma diretoria do banco, Dario responde interinamente pela presidência da Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários do BRB, tida como uma verdadeira caixa preta.

Paulo Henrique Costa, presidente do BRB, não teria poderes para demitir os dois afilhados de José Roberto Arruda. Em compensação, retalia o secretário Wellinton Baiano Moraes, resistindo a investidas sobre a verba de publicidade do banco.

Quando assumiu a Secretaria de Comunicação, Wellinton Baiano Moraes tentou em diversas oportunidades, sem sucesso, lançar mão dos recursos administrados por Paulo Henrique nas áreas de propaganda, marketing e eventos. O argumento era de que tinha orçamento pífio (pouco menos de 50 milhões de reais).

O presidente do BRB não só deixou de atender ao pleito, como também não recebe o secretário em seu gabinete. A verba de publicidade do banco gira em torno de 30 milhões de reais.

Para tentar ‘acalmar’ o secretário de Comunicação, o governador Ibaneis Rocha aprovou uma suplementação orçamentária de 50 milhões de reais para a área de publicidade. Isso foi feito após uma série de três encontros com o ex-governador José Roberto Arruda.

Wellinton Baiano Moraes, porém, não se deu por satisfeito. Em mensagens trocadas pelo WhatsApp, chegou a dizer que Paulo Henrique é ‘um moleque’. Moleque, no sentido pejorativo, é a designação de pessoas desobedientes, que não cumprem as regras, que desrespeitam até os superiores.

Em uma das mensagens, o secretário, como quem bate na mesa, foi categórico: “Sem dinheiro para gastar com publicidade, não trabalho. Ou ele (Paulo Henrique) sai, ou peço as contas”.

Quando, na pré-campanha eleitoral do ano passado, Frejat disse que não queria ‘diabos’ ao lado dele, Wellinton Baiano Moraes, mesmo com o respaldo de José Roberto Arruda, mudou de lado e correu para coordenar a campanha do também candidato, na época, Alberto Fraga (DEM). A candidatura de Fraga, que se sentiu traído, foi um fracasso que ele amarga até hoje.

Vendo que a decisão de abraçar a causa de Fraga tinha sido um tropeço, o hoje secretário de Ibaneis Rocha aliou-se a velhos parceiros que coordenavam a chapa do emedebista. A tríade foi reconstruída após a posse. Além de Wellinton Baiano Moraes, Arruda também emplacou Dario e Cristiane, empurrados goela abaixo de Paulo Henrique Costa.

Embora tenha como padrinho o senador Ciro Nogueira (PP), conterrâneo, via familiares, do governador Ibaneis Rocha, Paulo Henrique, segundo interpretação de servidores do BRB, está com as mãos atadas. Na melhor das hipóteses, fala-se entreouvidos, PH não tem muito o que fazer para substituir gente que sobreviveu à cavalaria que atropelou uma verdadeira tropa.

Procurados para comentar a troca de farpas entre o secretário de Comunicação e o presidente do Banco de Brasília, nem o Palácio do Buriti, nem o BRB, se manifestaram por meio de suas assessorias de imprensa.

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