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Brasil

S&P muda perspectiva da nota brasileira de estável para negativa



A agência de classificação de risco Standard & Poor’s colocou nesta terça-feira em perspectiva negativa a nota (rating) brasileira, mas manteve o grau de investimento do país. De acordo com comunicado no site da agência, a nota em moeda estrangeira de longo prazo foi mantida em “BBB-“, um degrau acima do nível especulativo, mas a perspectiva passou de estável para negativa. A agência sinalizou ainda que a falta de avanços nos ajustes fiscais durante o próximo ano “poderia levar a um rebaixamento do rating”.

Em moeda local, a nota brasileira foi mantida em “BBB+”, e a perspectiva também foi revisada de estável para negativa. A decisão da agência aumentou a tensão no mercado e o dólar intensificou a alta.

— Mantemos o grau de investimento desde que o Brasil se mostre capaz de fazer as mudanças na economia — afirmou Lisa M. Schineller, diretora de ratings soberanos da S&P, ao ser questionada, durante teleconferência com investidores, sobre o motivo pelo qual o Brasil segue como grau de investimento.

Ou seja, para a agência, uma falha no avanço do ajuste fiscal poderia resultar em uma deterioração ainda maior no perfil financeiro do Brasil e prejudicar a confiança no país e em seu crescimento. “Os ratings poderiam se estabilizar se o atual elevado nível de incerteza política diminuísse.”

A noticia é uma derrota para o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que tentava evitar avaliações negativas das agências de classificação de risco durante a implementação do ajuste fiscal e reconquistar a confiança dos investidores. Pesaram na decisão da S&P fatores econômicos e políticos, além das investigações da Operação Lava Jato.

A S&P mencionou em nota que a série de investigações de corrupção entre certas empresas e políticos pesa cada vez mais sobre a perspectiva econômica e fiscal do Brasil, colocando risco na implementação de políticas efetivas, particularmente no Congresso. A agência informou que o país enfrenta circunstâncias políticas e econômicas desafiadoras. Em sua nota explicativa, a S&P destaca, entretanto, que houve uma correção política significativa durante o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

“Reconsideramos a perspectiva dos ratings do Brasil de modo a refletir nossa avaliação de que a probabilidade de a correção de política sofrer novo deslize seja maior que uma entre três, dado o contexto das dinâmicas políticas e de que o retorno a uma trajetória de crescimento mais firme será um processo mais longo do que o esperado”, em relatório assinado por Schineller.

Para Lisa Schineller, a economia brasileira deve demorar mais a se recuperar. A agência espera uma retração de 2% na economia brasileira este ano, estagnação em 2016 e uma leve recuperação em 2017.

Em março, a agência manteve a nota do Brasil em BBB-, com perspectiva estável. De lá até agora, a agência considera que houve um piora dos riscos. A S&P foi a primeira a conceder o grau de investimento ao país, no final de abril de 2008. Essa avaliação é uma espécie de selo de bom pagador.

Na demais agências de classificação de risco, a nota brasileira ainda está dois degraus acima do nível especulativo, mas também ganhou perspectiva negativa. Na Fitch, a nota brasileira é BBB e a perspectiva foi rebaixada de estável para negativa no mês de abril passado.

“Embora o governo tenha começado um processo de ajuste macroeconômico para impulsionar a confiança e credibilidade política, riscos negativos relacionados à sua efetiva implementação e duração persistem, especialmente no contexto de uma economia e ambiente político desafiadores”, justificou a agência.

No último dia 23, a Fitch informou que vai reavaliar as tendências fiscais do Brasil após o governo cortar a meta de superávit primário (a economia feita para pagar juros da dívida) de 1,1% do Produto Interno Bruno (PIB) para 0,15%.

Já a Moody’s rebaixou de estável para negativa a perspectiva da nota brasileira às vésperas da eleição presidencial do ano passado. Neste mês, técnicos da agência estiveram reunidos com o governo avaliando os números da economia. Segundo especialistas, a expectativa é que a Moody’s rebaixe a nota brasileira em um degrau. de Baa2 para Baa3, ainda considerada grau de investimento. A dúvida do mercado é se a perspectiva será mantida negativa ou mudada para estável.

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