{"id":100153,"date":"2016-05-02T15:25:08","date_gmt":"2016-05-02T18:25:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=100153"},"modified":"2016-05-02T16:43:50","modified_gmt":"2016-05-02T19:43:50","slug":"procurador-de-contas-acusa-dilma-de-fraudar-gastos-publicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/procurador-de-contas-acusa-dilma-de-fraudar-gastos-publicos\/","title":{"rendered":"Procurador de Contas acusa Dilma de fraudar Or\u00e7amento com uso de pedaladas"},"content":{"rendered":"<p>O procurador do Minist\u00e9rio P\u00fablico junto ao Tribunal de Contas da Uni\u00e3o, J\u00falio Marcelo de Oliveira afirmou que o governo Dilma Rousseff utilizou os bancos federais como um &#8220;cheque especial&#8221; e que o contingenciamento p\u00fablico (corte de gastos do governo) foi &#8220;fraudado&#8221; por meio das pedaladas fiscais.<\/p>\n<p>Oliveira foi ouvido nesta segunda-feira (2) na comiss\u00e3o especial do impeachment do Senado, junto com outros dois especialistas convidados pelos senadores da oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O procurador defendeu que o atraso nos repasses do governo aos bancos para o pagamento de programas federais, medidas que ficaram conhecidas como &#8220;pedaladas fiscais&#8221;, configuram empr\u00e9stimo de bancos p\u00fablicos ao Tesouro, o que \u00e9 ilegal.<\/p>\n<p>&#8220;Houve realmente a utiliza\u00e7\u00e3o da Caixa como cheque especial e que isso n\u00e3o era pr\u00e1tica de governos anteriores. Isso acontece realmente em 2013 e 2014&#8221;, afirmou Oliveira.<\/p>\n<p>Questionado por senadores da base governista se a pr\u00e1tica se manteve no ano seguinte, o procurador disse que o governo efetuou o repasse no final de 2014, e em 2015 n\u00e3o deveu mais \u00e0 Caixa.<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o gerou reclama\u00e7\u00f5es dos governistas, que afirmaram que as acusa\u00e7\u00f5es do pedido de impeachment se referiam apenas ao mandato atual, a partir de 2015. Al\u00e9m disso elas n\u00e3o se refeririam \u00e0 Caixa, mas aos repasses ao Banco do Brasil, relativos ao Plano Safra.<\/p>\n<p>&#8220;Isso n\u00e3o entrou na den\u00fancia&#8221;, afirmou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), ao que o presidente da comiss\u00e3o, Raimundo Lira (PMDB-PB), respondeu: &#8220;Todos n\u00f3s aqui sabemos disso&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Guerrilha<\/strong> &#8211; A oposi\u00e7\u00e3o reclamou da interrup\u00e7\u00e3o dos governistas \u00e0 fala do procurador. &#8220;Interrompe a linha de pensamento do expositor, desestabiliza emocionalmente, como aconteceu com a doutora Jana\u00edna (Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment, que falou na quinta-feira \u00e0 comiss\u00e3o). \u00c9 uma t\u00e1tica clara de quem n\u00e3o quer a apura\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou o senador C\u00e1ssio Cunha Lima (PSDB-PB).<\/p>\n<p>O procurador no TCU fez uma esp\u00e9cie de hist\u00f3rico sobre as investiga\u00e7\u00f5es das pedaladas fiscais.<\/p>\n<p>Segundo Oliveira, em 2014, ano eleitoral, o governo usou as pedaladas para &#8220;fraudar&#8221; o contingenciamento de gastos p\u00fablicos que deveria ser feito para cumprir a meta fiscal (economia para pagar juros da d\u00edvida p\u00fablica). Naquele ano, com a piora na economia, o governo j\u00e1 sofria com queda na arrecada\u00e7\u00e3o de impostos e cortou despesas para cumprir a meta.<\/p>\n<p>Oliveira afirma que o contingenciamento deveria ter sido maior do que o que foi feito e que, na pr\u00e1tica, o governo manteve gastos com programas federais por meio do atraso nos repasses aos bancos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>&#8220;O governo, ent\u00e3o, ele frauda o decreto de contingenciamento, ele ignora dados oficiais que ele n\u00e3o poderia ignorar. Esta fraude permitiu que despesas que deveriam ter sido bloqueadas n\u00e3o fossem bloqueadas e ficassem livres pra execu\u00e7\u00e3o&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;Mas n\u00e3o bastava ter or\u00e7amento livre, precisava ter dinheiro e de onde vem o dinheiro, exatamente do uso dos bancos p\u00fabico. Ele usa o banco como um cheque especial. Ent\u00e3o h\u00e1 fraude engendrada para fazer gasto p\u00fablico insustent\u00e1vel em ano eleitoral, e obviamente com objetivo de vencer as elei\u00e7\u00f5es&#8221;, afirmou Oliveira.<\/p>\n<p>A comiss\u00e3o tamb\u00e9m ouviu nesta segunda-feira o professor de direito financeiro da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo) Jos\u00e9 Mauricio Conti afirmou que os decretos de abertura de cr\u00e9dito do governo Dilma Rousseff foram editados de forma ilegal e discordou de um dos principais argumentos da defesa da presidente, de que a mudan\u00e7a da meta fiscal ao final do ano daria regularidade aos decretos.<\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o de seis decretos presidenciais que teriam ampliado a autoriza\u00e7\u00e3o de gastos do governo em R$ 2,5 bilh\u00f5es \u00e9\u00a0um dos pontos da den\u00fancia do impeachment contra a presidente Dilma. A acusa\u00e7\u00e3o diz que a presidente cometeu crime de responsabilidade por ter publicado os decretos de aumento de despesas sem a autoriza\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional e num momento em que havia dificuldade para cumprir a meta fiscal (economia anual para pagamento de juros da d\u00edvida p\u00fablica).<\/p>\n<p>O professor da USP afirmou que a mudan\u00e7a da meta fiscal, autorizada pelo Congresso em dezembro do ano passado, configurou uma &#8220;manobra&#8221; para dar apar\u00eancia de legalidade \u00e0 edi\u00e7\u00e3o dos decretos.<\/p>\n<p>&#8220;Isso configura uma manobra que inequivocamente teve a clara fun\u00e7\u00e3o apenas de tentar afastar formalmente a ilegalidade dos decretos, que embora editados sem observar os requisitos legais \u00e0 \u00e9poca da sua publica\u00e7\u00e3o, ao final do exerc\u00edcio passaram a estar de acordo com as metas que foram fixadas posteriormente&#8221;, disse Conti.<\/p>\n<p>A defesa de Dilma tem afirmado que, como a meta fiscal s\u00f3 \u00e9 medida ao fim do ano, n\u00e3o houve ilegalidade na edi\u00e7\u00e3o dos decretos, pois a meta, alterada com o aval do Congresso Nacional, foi de fato cumprida.<\/p>\n<p>Conti por\u00e9m afirmou que, para que a abertura de cr\u00e9dito seja legal, \u00e9 preciso que haja condi\u00e7\u00f5es financeiras adequadas no momento em que os decretos or\u00e7ament\u00e1rios s\u00e3o publicados.<\/p>\n<p>F\u00e1bio Medina Os\u00f3rio, presidente do Instituto Internacional de Estudos de Direito do Estado, afirmou que a presidente Dilma Rousseff, ao chamar o processo de impeachment de golpe, estaria praticando um crime de responsabilidade. &#8220;Constitui um crime de responsabilidade da presidente ir ao cen\u00e1rio internacional para dizer, em ofensa \u00e0s institui\u00e7\u00f5es, que h\u00e1 uma conspira\u00e7\u00e3o. Que este parlamento, ao exercer a sua soberana miss\u00e3o, de acordo com o rito estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal, estaria praticando um golpe&#8221;.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O procurador do Minist\u00e9rio P\u00fablico junto ao Tribunal de Contas da Uni\u00e3o, J\u00falio Marcelo de Oliveira afirmou que o governo Dilma Rousseff utilizou os bancos federais como um &#8220;cheque especial&#8221; e que o contingenciamento p\u00fablico (corte de gastos do governo) foi &#8220;fraudado&#8221; por meio das pedaladas fiscais. 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