{"id":100880,"date":"2016-05-09T12:01:04","date_gmt":"2016-05-09T15:01:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=100880"},"modified":"2016-05-09T12:01:52","modified_gmt":"2016-05-09T15:01:52","slug":"tenente-coronel-do-corpo-de-bombeiros-pedia-emprestimos-a-subordinados-e-nao-pagava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/tenente-coronel-do-corpo-de-bombeiros-pedia-emprestimos-a-subordinados-e-nao-pagava\/","title":{"rendered":"Tenente-coronel do Corpo de Bombeiros pedia empr\u00e9stimos a subordinados e n\u00e3o pagava"},"content":{"rendered":"<p><strong>Adriana Cruz<\/strong><\/p>\n<p>\u2018Tirei dinheiro do meu sustento para dar ao oficial. Sonhei muito com essa farda, para agora ser humilhado como homem e chefe de fam\u00edlia por causa da press\u00e3o da hierarquia\u201d. A revela\u00e7\u00e3o \u00e9 de um dos militares que caiu no conto do tenente-coronel Carlos Marcelo Corr\u00eaa de Mello Silva, do Corpo de Bombeiros.<\/p>\n<p>Segundo depoimentos, em 2009, quando estava \u00e0 frente do comando do extinto Grupo de Preven\u00e7\u00e3o e Est\u00e1dios (Gpreve), no Maracan\u00e3, Corr\u00eaa usava a boca de ferro \u2014 como \u00e9 chamado o auto-falante do quartel \u2014 para convocar ao seu gabinete os subordinados. O chamado provocava calafrios em pra\u00e7as e oficiais porque, a portas fechadas, Corr\u00eaa anunciava que precisava muito de ajuda financeira.<\/p>\n<p>O oficial seria um especialista em contar hist\u00f3rias tristes envolvendo at\u00e9 mesmo a pr\u00f3pria m\u00e3e, j\u00e1 idosa, e aproveitava-se da alta patente para pressionar a tropa a emprestar-lhe algum dinheiro. E n\u00e3o era qualquer trocado. Corr\u00eaa contaria ainda com a ajuda de funcion\u00e1rios do Banco BMG para saber a margem de cr\u00e9dito consignado dos militares na institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O arsenal de informa\u00e7\u00f5es e o poder da hierarquia intimavam os bombeiros a pegar empr\u00e9stimos de R$ 5 mil a R$ 10 mil no BMG. O dinheiro parava depois na conta de Corr\u00eaa. Ele prometia pagar as presta\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o honrava a palavra, e o preju\u00edzo \u2014 que chegou at\u00e9 a R$ 20 mil em alguns casos \u2014 ficava com os subordinados.<\/p>\n<p>Seis militares tiveram coragem de denunciar o caso \u00e0 Corregedoria do Corpo de Bombeiros. Corr\u00eaa foi denunciado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico que atua junto \u00e0 Auditoria da Justi\u00e7a pelo crime de estelionato. A pena varia de dois a sete anos de pris\u00e3o. O MP quer ainda que o oficial seja obrigado a devolver R$ 51.296,03 aos militares.<\/p>\n<p>Em setembro, a ju\u00edza da Auditoria da Justi\u00e7a Militar, Ana Paula Monte Figueiredo Pena Barros, determinou que Corr\u00eaa fosse afastado da fun\u00e7\u00e3o. \u00c0 \u00e9poca, ele estava lotado na Escola Superior de Comando de Bombeiro Militar. No entanto, no Boletim Interno de 25 de abril, ele foi lotado no Departamento Geral de Defesa Civil. A lota\u00e7\u00e3o gerou rea\u00e7\u00e3o. Agora o MP quer saber se o mesmo tratamento costuma ser dispensado a outros r\u00e9us em processos.<\/p>\n<p>Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que instaurou Inqu\u00e9rito Policial Militar contra o tenente-coronel e resultou em processo na Justi\u00e7a. Alegou que a atual lota\u00e7\u00e3o do oficial cumpre a decis\u00e3o judicial porque ele est\u00e1 afastado da atividade operacional ou administrativa.<\/p>\n<p>Sobre a den\u00fancia de envolvimento de funcion\u00e1rios no esquema, o banco BMG alega que segue a legisla\u00e7\u00e3o dos contratos de empr\u00e9stimos.<\/p>\n<p><strong>Militar faltou a audi\u00eancias na Justi\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Vergonha. Foi o que concluiu o tenente-coronel Jo\u00e3o Luiz Oliveira de Moraes ao concluir o IPM contra o tenente-coronel Carlos Marcelo Corr\u00eaa de Mello Silva. \u201cComo pode um oficial superior do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro caminhar por tais vergonhosas veredas?\u201d, questionou ele, ao encerrar o procedimento de investiga\u00e7\u00e3o do caso.<\/p>\n<p>Para pegar o dinheiro dos empr\u00e9stimos efetuados pelos subordinados, Corr\u00eaa usava a viatura do Corpo de Bombeiros, com direito a motorista, para buscar as v\u00edtimas at\u00e9 em casa. \u201cFic\u00e1vamos de p\u00e9s e m\u00e3os atadas\u201d, contou uma v\u00edtima.<\/p>\n<p>No processo que tramita na Auditoria da Justi\u00e7a Militar a que O DIA teve acesso, o subtenente da reserva Celso Luiz Alves de Ara\u00fajo, que pegou R$ 10 mil de empr\u00e9stimo para Corr\u00eaa, foi taxativo: \u201cMe sinto lesado, enganado e decepcionado\u201d. Ele entrou na Justi\u00e7a comum para reaver o dinheiro, mas Corr\u00eaa n\u00e3o compareceu a cinco audi\u00eancias.<\/p>\n<p>Na Auditoria da Justi\u00e7a Militar est\u00e1 marcado para o dia 17, \u00e0s 14h, depoimento de testemunhas de acusa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Falsos dep\u00f3sitos para enganar credores por mais tempo<\/strong><\/p>\n<p>Dep\u00f3sitos em envelopes sem dinheiro nos caixas eletr\u00f4nicos direcionados \u00e0s contas dos subordinados constam com uma das artimanhas usadas pelo tenente-coronel Carlos Marcelo Corr\u00eaa de Mello da Silva para continuar sem pagar os empr\u00e9stimos. Ele apresentava o canhoto do banco \u00e0s v\u00edtimas, que, assim, demoravam algum tempo para descobrir o golpe.<\/p>\n<p>A cada cobran\u00e7a, Corr\u00eaa dava desculpas, como a de que precisava vender um terreno da m\u00e3e para quitar os compromissos.<br \/>\nPara reaver o dinheiro, a maioria dos lesados ainda entrou com processos na Justi\u00e7a comum. \u201cEle sempre dizia que uma m\u00e3o lavava a outra. Mas acabei ficando no preju\u00edzo\u201d, contou um bombeiro em depoimento \u00e0 Justi\u00e7a Militar.<\/p>\n<p><strong>Oficial alega que quer pagar, mas perdeu contato dos subordinados<\/strong><\/p>\n<p>O tenente-coronel Carlos Marcelo Corr\u00eaa de Mello Silva n\u00e3o negou que pegava empr\u00e9stimos com seus subordinados em depoimento no Inqu\u00e9rito Policial Militar (IPM) aberto pela Corregedoria da corpora\u00e7\u00e3o. Alegou que passava por s\u00e9rias dificuldades financeiras na ocasi\u00e3o e que deixou de efetuar os pagamentos porque perdeu o contato dos bombeiros. Fez quest\u00e3o de ressaltar ainda que nunca coagiu os militares e que quer pagar as d\u00edvidas das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Na corpora\u00e7\u00e3o, o oficial tem uma trajet\u00f3ria conceituada. No seu curr\u00edculo n\u00e3o faltam elogios de outros oficiais por compet\u00eancia e atua\u00e7\u00e3o em grandes eventos da cidade. Em mar\u00e7o de 2010, por exemplo, ganhou destaque ao participar do evento \u201cPadroniza\u00e7\u00e3o dos Procedimentos das For\u00e7as Policiais em Espet\u00e1culo de Futebol\u201d, em Bras\u00edlia, uma esp\u00e9cie de preparat\u00f3rio para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. A autoriza\u00e7\u00e3o foi dada pela Secretaria de Defesa Civil. Tamb\u00e9m participou de eventos que visavam a realiza\u00e7\u00e3o do Pan-2007, no Rio de Janeiro. Uma das especialidades do oficial na corpora\u00e7\u00e3o era ainda participar de cursos como de T\u00e9cnica de Ensino para Oficiais, em 2010.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de comandar unidades, Carlos Marcelo Corr\u00eaa de Mello Silva passou por cargos importantes, como a chefia do Estado-Maior. A reportagem tentou entrevistar o oficial. O pedido foi feito \u00e0 assessoria de imprensa da corpora\u00e7\u00e3o, que alegou que n\u00e3o tinha o contato do militar.<\/p>\n<p><strong>O Dia<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adriana Cruz \u2018Tirei dinheiro do meu sustento para dar ao oficial. Sonhei muito com essa farda, para agora ser humilhado como homem e chefe de fam\u00edlia por causa da press\u00e3o da hierarquia\u201d. A revela\u00e7\u00e3o \u00e9 de um dos militares que caiu no conto do tenente-coronel Carlos Marcelo Corr\u00eaa de Mello Silva, do Corpo de Bombeiros. 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