{"id":101209,"date":"2016-05-11T21:55:24","date_gmt":"2016-05-12T00:55:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=101209"},"modified":"2016-05-11T21:55:24","modified_gmt":"2016-05-12T00:55:24","slug":"meira-filho-a-quem-os-amigos-chamavam-simplesmente-joao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/meira-filho-a-quem-os-amigos-chamavam-simplesmente-joao\/","title":{"rendered":"Meira Filho, a quem os amigos chamavam simplesmente Jo\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jos\u00e9 Escarlate<\/strong><\/p>\n<p>Jo\u00e3o Assis Meira Filho foi meu companheiro de trabalho na Ag\u00eancia Nacional e amigo at\u00e9 a morte. Conquistava seus f\u00e3s com seu programa de r\u00e1dio. Para mim, ele era o Jo\u00e3o. E o Meira gostava. Sangue quente, ele sabia se controlar. Era agrad\u00e1vel, simp\u00e1tico e gostava de ajudar a todos. Preparava seus programas com carinho, escudado nos livros. Lia muito.<\/p>\n<p>Velho servidor da R\u00e1dio Nacional, no Rio, Meira trabalhava com o animador C\u00e9sar de Alencar, at\u00e9 decidir vir para Bras\u00edlia, em 1959. Foi quando ingressou na Ag\u00eancia Nacional, sendo locutor oficial da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, formando com \u00c9verton Correa e Ruy Carneiro, o trio que levava ao ar A Voz do Brasil, no governo JK.<\/p>\n<p>Fundador da R\u00e1dio Nacional de Bras\u00edlia, Meira Filho transmitiu pela TV a inaugura\u00e7\u00e3o da cidade e lan\u00e7ou o primeiro programa de audit\u00f3rio da emissora, o \u201cPrograma do Meira\u201d por mais de 15 anos, sendo l\u00edder de audi\u00eancia. Come\u00e7ava \u00e0s 5 da manh\u00e3 e ia at\u00e9 \u00e0s 9 horas, todos os dias. Condu\u00e7\u00e3o na cidade era dif\u00edcil. N\u00e3o havia linhas de \u00f4nibus. A solu\u00e7\u00e3o era o transporte solid\u00e1rio.<\/p>\n<p>Quando eu sa\u00eda da 411 Sul, \u00e0s 7 da manh\u00e3, onde morava, em dire\u00e7\u00e3o ao Pal\u00e1cio do Planalto, o Meira, pelo microfone da Nacional anunciava que \u201co rep\u00f3rter Escarlate est\u00e1 passando pelo Eixo Rodovi\u00e1rio no jeep cinza placa tal (n\u00e3o me recordo), da Ag\u00eancia Nacional, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes\u201d. E acrescentava: \u201c\u00c9 carona boa e segura\u201d.<\/p>\n<p>Apaixonado por Bras\u00edlia, o Meira era disposto, apesar da idade. Nasceu em Tapero\u00e1, Para\u00edba, em 1922, amigo de inf\u00e2ncia de Ariano Suassuna. Ap\u00f3s longo tempo no Rio, foi aqui que ele se firmou.<\/p>\n<p>Por for\u00e7a do grande sucesso dos seus programas radiof\u00f4nicos, procurando ajudar as pessoas pobres, carentes, doentes ou n\u00e3o favorecidas na vida, Meira sempre teve muito apoio dessa camada da popula\u00e7\u00e3o, mesmo porque tamb\u00e9m era um nordestino como a grande maioria dos candangos que por aqui chegavam, em jardineiras e caminh\u00f5es dos chamados pau de arara.<\/p>\n<p>Sentindo essa for\u00e7a, amigos decidiram lan\u00e7ar o seu nome, na primeira elei\u00e7\u00e3o a ser realizada em Bras\u00edlia para a escolha de candidatos \u00e0 C\u00e2mara e ao Senado. Bem cotado, Meira foi eleito por expressiva vota\u00e7\u00e3o, somando 130 mil votos. Seus companheiros de Brasilia na C\u00e2mara Alta foram Maur\u00edcio Corr\u00eaa e Pompeu de Souza.<\/p>\n<p>Nesses anos, tentou, mas n\u00e3o conseguiu ser nomeado diretor da Radio Nacional, um sonho. Durante o governo Sarney ganhou uma emissora de r\u00e1dio, na amplia\u00e7\u00e3o do n\u00famero de canais de r\u00e1dios FM.<\/p>\n<p>Um dia, jogando conversa fora num banco da pracinha central do Centro Comercial Gilbero Salom\u00e3o, o velho Meira &#8211; Jo\u00e3o para mim &#8211; desabafou: \u201cVeja s\u00f3 Escarlate, como o destino \u00e9 ingrato. Depois de dedicar quase toda a vida ao r\u00e1dio, onde fiz de um tudo, precisei ser senador para ganhar do governo uma emissora\u201d. Meira jamais perdeu a dignidade. Buscava alcan\u00e7ar seus objetivos por m\u00e9rito pr\u00f3prio e muito trabalho.<\/p>\n<p>No Senado, timidamente aprendeu o caminho das pedras. Adaptado, foi ele o autor do projeto de lei obrigando o uso do cinto de seguran\u00e7a em ve\u00edculos automotores. Pela sua magnitude, foi incorporado ao C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro. Estava certo o velho Meira. O uso obrigat\u00f3rio do cinto de seguran\u00e7a teve o m\u00e9rito de reduzir o n\u00famero de mortos e feridos em acidentes de tr\u00e2nsito, tanto nas cidades quanto nas estradas. Jo\u00e3o Assis Meira Filho morreu em 8 de junho de 2008, em Jo\u00e3o Pessoa, aos 85 anos, v\u00edtima de aneurisma cerebral. Foi sepultado no Campo da Esperan\u00e7a, em Bras\u00edlia, no in\u00edcio da noite.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-83053\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/PV.png\" alt=\"PV\" width=\"122\" height=\"26\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Escarlate Jo\u00e3o Assis Meira Filho foi meu companheiro de trabalho na Ag\u00eancia Nacional e amigo at\u00e9 a morte. Conquistava seus f\u00e3s com seu programa de r\u00e1dio. Para mim, ele era o Jo\u00e3o. E o Meira gostava. Sangue quente, ele sabia se controlar. 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