{"id":102247,"date":"2016-05-22T16:16:03","date_gmt":"2016-05-22T19:16:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=102247"},"modified":"2016-05-23T16:59:29","modified_gmt":"2016-05-23T19:59:29","slug":"ghb-a-droga-usada-no-estupro-se-espalha-entre-os-latinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ghb-a-droga-usada-no-estupro-se-espalha-entre-os-latinos\/","title":{"rendered":"GHB, a droga usada no estupro, se espalha entre os latinos"},"content":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria come\u00e7a com uma mulher despertando nua em uma cama de um quarto de hotel no qual n\u00e3o se lembra de ter entrado. Ela foi drogada em uma festa. E as \u00fanicas pistas que restam do que ocorreu na noite anterior s\u00e3o as marcas de estupro ainda vis\u00edveis em seu corpo.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um drama comum em toda Am\u00e9rica Latina, onde muitas mulheres se tornam v\u00edtimas de abuso sexual, frequentemente quando ainda s\u00e3o adolescentes. &#8220;Os estupros realizados com a ajuda de drogas eram raros quando comecei a trabalhar com o tema&#8221;, diz Maria Elena Leuzzi, presidente da ONG Ajuda a V\u00edtimas de Estupro, organiza\u00e7\u00e3o que \u00e9 refer\u00eancia para v\u00edtimas de abuso sexual na Argentina. &#8220;Hoje s\u00e3o mais frequentes. \u00c9 muito f\u00e1cil conseguir essas subst\u00e2ncias.&#8221;<\/p>\n<p>Leuzzi diz receber ao menos quatro telefonemas por fim de semana de mulheres contando a mesma hist\u00f3ria: divertiam-se em festas ou casas noturnas de Buenos Aires e, depois, n\u00e3o se recordavam de mais nada.<\/p>\n<p>Casos assim se repetem por todos os pa\u00edses da regi\u00e3o. &#8220;S\u00f3 na Cidade do M\u00e9xico, mais de 300 mulheres s\u00e3o estupradas por ano sob o efeito de drogas, e o n\u00famero \u00e9 cada vez maior&#8221;, afirma Laura Mart\u00ednez, presidente da Associa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Integral de Pessoas Estupradas (ADIVAC, na sigla em espanhol), a \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o civil que atende casos de viol\u00eancia sexual no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Com 20 anos de experi\u00eancia no laborat\u00f3rio de qu\u00edmica forense da Procuradoria de Justi\u00e7a da Cidade do M\u00e9xico, o toxicologista Carlos D\u00edaz faz um c\u00e1lculo semelhante. &#8220;Em m\u00e9dia, analisamos uma den\u00fancia por dia. \u00c9 not\u00f3rio que o uso de subst\u00e2ncias que facilitam o estupro est\u00e1 aumentando. E a grande maioria das v\u00edtimas tem menos de 25 anos de idade.&#8221;<\/p>\n<p>D\u00edaz adverte que existe &#8220;um cat\u00e1logo cada vez mais amplo de subst\u00e2ncias psicotr\u00f3picas&#8221; usadas para se cometer abusos sexuais. O objetivo \u00e9 sempre o mesmo: anular a vontade da v\u00edtima e transform\u00e1-la em um &#8220;brinquedo&#8221; na m\u00e3o no agressor. Um brinquedo que n\u00e3o ter\u00e1 qualquer lembran\u00e7a do ataque.<\/p>\n<p>No caso de Cristina (nome fict\u00edcio), a primeira coisa que ela viu ao acordar foi o tapete vermelho do quarto de hotel. Seus bra\u00e7os e pernas do\u00edam. Sua roupa estava espalhada ao lado da cama. Em uma pequena mesa, sob uma lumin\u00e1ria, o rel\u00f3gio marcava 13h.<\/p>\n<p>Dezesseis horas antes, ela havia se arrumado na casa de uma amiga da faculdade para irem juntas a uma festa. Cristina se lembra de ter conhecido um rapaz, com quem conversou e dan\u00e7ou salsa. N\u00e3o sabe por que pediu que a amiga fosse embora.<\/p>\n<p>A ONU j\u00e1 alertava em 2010 para o r\u00e1pido aumento do uso das &#8220;drogas de estupro&#8221; e o surgimento de novas subst\u00e2ncias do tipo.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio anual da Junta Internacional de Fiscaliza\u00e7\u00e3o de Entorpecentes (JIFE) apresentado naquele ano destacou a &#8220;evolu\u00e7\u00e3o muito r\u00e1pida&#8221; desses crimes e ressaltou o fato de que, em muitos pa\u00edses, narc\u00f3ticos usados com este fim s\u00e3o vendidos sem controle.<\/p>\n<p>No caso da Am\u00e9rica Latina, as drogas mais usadas s\u00e3o a benzodiazepinas, obtidas facilmente em qualquer farm\u00e1cia.<\/p>\n<p>Foi essa a subst\u00e2ncia encontrada nos corpos das turistas argentinas Mar\u00eda Jos\u00e9 Coni e Marina Menegazzo, assassinadas na cidade costeira de Monta\u00f1ita, no oeste do Equador.<\/p>\n<p>Isso refor\u00e7a a teoria de suas fam\u00edlias, para quem as jovens foram drogadas e conduzidas pelos acusados at\u00e9 suas casas, sem conseguir resistir.<\/p>\n<p>&#8220;Os estupradores sabem quais quantidades levam a um estado de seda\u00e7\u00e3o e \u00e0 perda de mem\u00f3ria. Ao misturar com \u00e1lcool, o efeito \u00e9 potencializado&#8221;, diz Emilio Menc\u00edas, do Instituto Nacional de Toxicologia e Ci\u00eancias Forenses da Espanha.<\/p>\n<p>As benzodiazepinas s\u00e3o drogas de efeito sedativo e hipn\u00f3tico receitadas para o combate a estresse, crises nervosas, sonol\u00eancia e ansiedade.<\/p>\n<p>Ainda que em muitos pa\u00edses se costume exigir uma receita m\u00e9dica ao vend\u00ea-las, os controles s\u00e3o facilmente burlados. Em outros, nem a receita \u00e9 necess\u00e1ria, segundo a ONU.<\/p>\n<p>A burundanga, talvez a &#8220;droga de estupro&#8221; mais conhecida na Am\u00e9rica Latina, cresce de forma silvestre em quase toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Chamada tamb\u00e9m de estram\u00f4nio, trombeta ou &#8220;sopro do diabo&#8221;, ela tem como princ\u00edpio ativo a escapolamina.<\/p>\n<p>Segundo o Departamento de Sa\u00fade dos Estados Unidos, este alcaloide provoca desorienta\u00e7\u00e3o, alucina\u00e7\u00f5es, amn\u00e9sia e, em doses elevadas, pode ser mortal.<\/p>\n<p>No entanto, apesar da fama, \u00e9 cada vez menos usada em abusos sexuais.<\/p>\n<p>&#8220;Ela incapacita a v\u00edtima, mas tamb\u00e9m pode torn\u00e1-la agressiva. N\u00e3o \u00e9 pr\u00e1tica para o criminoso, que prefere outras drogas&#8221;, diz Pilar Acosta, m\u00e9dica do hospital Santa Clara de Bogot\u00e1 e vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Toxicologia Cl\u00ednica Colombiana.<\/p>\n<p>Uma das drogas silenciosas que est\u00e1 substituindo a burudanga \u00e9 o GHB.<\/p>\n<p>Seu nome cient\u00edfico \u00e9 \u00e1cido gama-hidroxibut\u00edrico e \u00e9 dif\u00edcil detect\u00e1-lo. Ele \u00e9 usado com fins medicinais no tratamento do alcoolismo, mas seus usos ilegais s\u00e3o mais frequentes e conhecidos.<\/p>\n<p>A subst\u00e2ncia tamb\u00e9m \u00e9 chamada de \u00eaxtase l\u00edquido, porque seu primeiro efeito \u00e9 a euforia. &#8220;N\u00e3o \u00e9 complicado de sintetizar &#8211; e alguns criminosos at\u00e9 o preparam com removedor de tinta&#8221;, afirma D\u00edaz.<\/p>\n<p>O GHB n\u00e3o tem odor nem cor &#8211; o que faz com que a v\u00edtima n\u00e3o perceba que ingeriu a subst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Foi o que aconteceu com Andrea, no Peru. Ela sempre foi t\u00edmida, mas sua \u00faltima lembran\u00e7a da noite em que a estupraram \u00e9 de estar dan\u00e7ando em cima do bar de uma boate em um balne\u00e1rio ao sul de Lima. Estava irreconhec\u00edvel.<\/p>\n<p>Ela havia tomado uma bebida oferecida por dois jovens e, logo, estava beijando um deles. Depois, foi com eles para o estacionamento. Acredita que entrou num carro cinza, mas n\u00e3o tem certeza.<\/p>\n<p>O Centro de Informa\u00e7\u00e3o para Educa\u00e7\u00e3o e Abuso de Drogas do Peru (Cedro) alertou que, no \u00faltimo ver\u00e3o, a venda de GHB se popularizou nas praias de Lima.<\/p>\n<p>Representante da institui\u00e7\u00e3o, Milton Rojas explica que as drogas sint\u00e9ticas ficaram mais baratas no pa\u00eds e jovens que antes n\u00e3o as compravam agora conseguem faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>\u00c0 BBC Mundo, representantes da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) destacaram que os controles internacionais do com\u00e9rcio de GHB s\u00e3o m\u00ednimos.<\/p>\n<p>Para o \u00f3rg\u00e3o, nem o uso legal da droga se justifica, porque h\u00e1 medicamentos mais seguros para tratar as mesmas doen\u00e7as e condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os dramas de Cristina e Andrea ainda s\u00e3o invis\u00edveis. Na Am\u00e9rica Latina e na Espanha, h\u00e1 uma aus\u00eancia significativa de observat\u00f3rios especializados em abusos sexuais que envolvam f\u00e1rmacos. Nem os especialistas da ag\u00eancia da ONU contra Crimes e Drogas, a UNODC, t\u00eam estat\u00edsticas precisas.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 arriscado dar n\u00fameros exatos, porque eles n\u00e3o existem. Analisamos oito ou nove den\u00fancias por semana. Isso ningu\u00e9m pode refutar&#8221;, afirma D\u00edaz.<\/p>\n<p>A pouca informa\u00e7\u00e3o existente na regi\u00e3o \u00e9 fragmentada e depende quase sempre de iniciativas isoladas de governos.<\/p>\n<p>Na Col\u00f4mbia, o relat\u00f3rio mais recente foi feito pela Universidade Nacional, ap\u00f3s reunir documentos do Grupo de Elite de Delitos Sexuais, uma unidade de investiga\u00e7\u00e3o especializada criada em Bogot\u00e1.<\/p>\n<p>Entre junho de 2013 e mar\u00e7o de 2014, foram denunciadas 184 agress\u00f5es sexuais s\u00f3 na capital colombiana, das quais 53, ou quase um ter\u00e7o, foram facilitadas por drogas.<\/p>\n<p>Ter informa\u00e7\u00f5es exatas sobre esses casos \u00e9 importante para criar pol\u00edticas p\u00fablicas, assim como um bom diagn\u00f3stico pode curar um doente.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos vendo s\u00f3 a ponta do iceberg&#8221;, diz Menc\u00edas, acrescentando que um em cada cinco estupros atendidos nos hospitais de Barcelona e Madri envolve drogas.<\/p>\n<p>Diferentemente da maioria das v\u00edtimas, Isabel acordou em sua pr\u00f3pria cama. N\u00e3o lembrava da festa a que fora na casa de amigos, em Barcelona, e pensou que havia bebido demais, nada al\u00e9m disso.<\/p>\n<p>Mas logo descobriu sinais em seu quarto e no banheiro que indicavam que algu\u00e9m havia estado com ela. Seu corpo tamb\u00e9m tinha marcas. Quando foi atendida no hospital, confirmaram o estupro, mas os exames toxicol\u00f3gicos deram negativo.<\/p>\n<p>&#8220;Meu primeiro conselho para uma v\u00edtima quando h\u00e1 suspeita de que ela tenha sido drogada \u00e9 fazer exames imediatamente&#8221;, diz Leuzzi. &#8220;As evid\u00eancias desaparecem muito r\u00e1pido.&#8221; A maioria das &#8220;drogas de estupro&#8221; s\u00e3o eliminadas do organismo em menos de 12 horas.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a \u00fanica maneira de detect\u00e1-las \u00e9 com um exame capilar, feito em centros especializados. O processo \u00e9 mais longo, requer a elabora\u00e7\u00e3o detalhada da hist\u00f3ria cl\u00ednica do paciente e, em muitos casos, a v\u00edtima deve pagar pelo teste.<\/p>\n<p>Ainda que Isabel tenha chegado a tempo no hospital, nada foi detectado. Provavelmente porque, assim como v\u00e1rios pa\u00edses latino-americanos, a Espanha tamb\u00e9m tem um problema com seu protocolo m\u00e9dico para o tratamento de casos desse tipo.<\/p>\n<p>&#8220;Normalmente, se busca por coca\u00edna, maconha, benzodiacepinas e \u00e1lcool. N\u00e3o se procura por mais subst\u00e2ncias psicotr\u00f3picas, porque o protocolo n\u00e3o exige isso&#8221;, afirma D\u00edaz.<\/p>\n<p>O GHB e outras drogas muitas vezes passam despercebidas pelos exames, que s\u00e3o fundamentais em um processo judicial por estupro.<\/p>\n<p>Segundo Acosta, na Col\u00f4mbia os equipamentos e agentes qu\u00edmicos necess\u00e1rios para detectar essas subst\u00e2ncias tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o comumente encontrados em centros m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma quest\u00e3o de custo. Al\u00e9m disso, muitos criminosos aprenderam a usar as drogas mais dif\u00edceis de rastrear&#8221;, diz a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Sem um exame que comprove que a v\u00edtima foi drogada e muitas vezes sem qualquer lembran\u00e7a do agressor, o estupro costuma ser o in\u00edcio de um drama judicial longo e doloroso.<\/p>\n<p>De acordo com o Instituto Nacional de Toxicologia e Ci\u00eancias Forenses da Espanha, s\u00f3 uma em cada cinco mulheres que foram drogadas para facilitar o abuso denuncia.<\/p>\n<p>Isabel se atreveu a isso e come\u00e7ou um processo legal intermin\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ela chegou a reconhecer o agressor nas grava\u00e7\u00f5es da c\u00e2mera de seguran\u00e7a do seu edif\u00edcio, mas as imagens s\u00f3 mostram que ela entrou de m\u00e3os dadas com ele em casa. O acusado garante que a rela\u00e7\u00e3o foi consensual. E, para Isabel, \u00e9 muito dif\u00edcil provar o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Talvez o conselho mais comum ouvido por uma adolescente que come\u00e7a a sair para boates \u00e9 &#8220;Nunca perca seu copo de vista&#8221;.<\/p>\n<p>E o conselho n\u00e3o \u00e9 um exagero. As &#8220;drogas de estupro&#8221; precisam ser ingeridas para surtir efeito.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um mito que o simples contato com a subst\u00e2ncia pode drogar algu\u00e9m. Nenhuma delas atua desta forma&#8221;, diz Menc\u00edas.<\/p>\n<p>Mas a quantidade necess\u00e1ria para drogar uma pessoa \u00e9 t\u00e3o pequena e se dilui t\u00e3o r\u00e1pido que bastam alguns segundos de desaten\u00e7\u00e3o para que o agressor a coloque em uma bebida &#8211; e, num local de festa, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil um descuido assim.<\/p>\n<p>Para tentar limitar o uso de f\u00e1rmacos em delitos sexuais, a ONU recomenda que a ind\u00fastria qu\u00edmica desenvolva medidas de seguran\u00e7a como adicionar corantes e sabores em seus produtos para que a v\u00edtima se d\u00ea conta se ingerir a subst\u00e2ncia. Mas essa \u00e9 apenas uma recomenda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A difus\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre o problema \u00e9 outro passo importante para que ele coece a ser combatido.<\/p>\n<p>Desde que v\u00e1rios meios de comunica\u00e7\u00e3o e organismos internacionais come\u00e7aram a denunciar o crescente uso das &#8220;drogas de estupro&#8221; e suas consequ\u00eancias, Martinez, da ADIVAC, passou a receber um tipo in\u00e9dito de telefonema: de mulheres com hist\u00f3rias ocorridas meses ou anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Elas dizem que sempre sentiram que algo estranho ocorrera na ocasi\u00e3o. Hoje, afirmam com convic\u00e7\u00e3o: &#8220;Fui estuprada.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria come\u00e7a com uma mulher despertando nua em uma cama de um quarto de hotel no qual n\u00e3o se lembra de ter entrado. Ela foi drogada em uma festa. 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