{"id":102706,"date":"2016-05-27T07:51:38","date_gmt":"2016-05-27T10:51:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=102706"},"modified":"2016-05-27T07:51:38","modified_gmt":"2016-05-27T10:51:38","slug":"pimentel-ministro-de-dilma-recebeu-20-milhoes-para-virar-governador-de-minas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pimentel-ministro-de-dilma-recebeu-20-milhoes-para-virar-governador-de-minas\/","title":{"rendered":"Pimentel, ministro de Dilma, recebeu 20 milh\u00f5es para virar governador de Minas"},"content":{"rendered":"<p>O empres\u00e1rio Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Ben\u00e9, afirmou em dela\u00e7\u00e3o premiada que o Grupo Caoa pagou R$ 20 milh\u00f5es ao governador de Minas, Fernando Pimentel (PT).<\/p>\n<p>Os pagamentos, segundo Ben\u00e9, ocorreram entre 2013 e 2014, ano em que o petista deixou o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior para candidatar-se ao governo.<\/p>\n<p>Dos R$ 20 milh\u00f5es, afirmou o delator, R$ 7 milh\u00f5es foram repassados diretamente a Pimentel no exterior. O restante teria sido usado na campanha.<\/p>\n<p>Para os investigadores, o relato de Ben\u00e9 mostra que Pimentel teria transformado o minist\u00e9rio em &#8220;ag\u00eancia de neg\u00f3cios&#8221;. Segundo o delator, ele alterava portarias para atender pleitos de segmentos empresariais desde que fizessem doa\u00e7\u00f5es para sua campanha e cobrava para ele pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Ben\u00e9 e o petista j\u00e1 foram denunciados criminalmente, no in\u00edcio do m\u00eas, pela Procuradoria da Rep\u00fablica. A Pimentel, o Minist\u00e9rio P\u00fablico atribui corrup\u00e7\u00e3o passiva e lavagem de dinheiro.<\/p>\n<p>Na mesma acusa\u00e7\u00e3o foram inclu\u00eddos outros seis investigados, entre eles o ex-ministro Mauro Borges &#8211; sucessor de Pimentel &#8211; e o empres\u00e1rio Carlos Alberto de Oliveira Andrade, dono da Caoa.<\/p>\n<p>Nessa den\u00fancia, a Procuradoria indica que Pimentel foi benefici\u00e1rio de propina de R$ 2 milh\u00f5es para favorecer a Caoa quando era ministro, de 2011 a 2014, no primeiro mandato da presidente afastada Dilma Rousseff. O caso, revelado pelo Estado em outubro de 2015, foi investigado na Acr\u00f4nimo.<\/p>\n<p><strong>Parcelas<\/strong> &#8211; Em sua dela\u00e7\u00e3o, Ben\u00e9 afirmou aos investigadores que os R$ 20 milh\u00f5es foram divididos em duas partes, acertadas na \u00e9poca em que Pimentel ainda era ministro. Ele citou como envolvidos no esquema o dono da Caoa e o presidente do grupo, Antonio dos Santos Maciel.<\/p>\n<p>Segundo o delator, os primeiros R$ 10 milh\u00f5es foram transferidos quando o ent\u00e3o ministro atendeu a um pedido do grupo Caoa e promoveu altera\u00e7\u00e3o no mix de modelos de ve\u00edculos autorizados pelo Programa de Importa\u00e7\u00e3o Inovar Auto. Na den\u00fancia levada ao STJ, a Procuradoria sustenta que Pimentel editou portarias do Programa Inovar Auto, que concederam incentivos fiscais de R$ 600 milh\u00f5es por ano ao Grupo Caoa.<\/p>\n<p>Segundo os investigadores, os primeiros atos de Pimentel habilitavam a empresa no programa at\u00e9 31 de mar\u00e7o de 2013, permiss\u00e3o que foi estendida at\u00e9 31 de maio de 2014.<\/p>\n<p>Os outros R$ 10 milh\u00f5es ao petista foram acertados e pagos, de acordo com Ben\u00e9, por Pimentel ter garantido um benef\u00edcio no pagamento de Imposto de Importa\u00e7\u00e3o e de IPI do modelo IX 35, utilit\u00e1rio fabricado pela Hyundai.<\/p>\n<p>O delator disse que, como encarregado da pr\u00e9-campanha e da campanha de Pimentel ao governo, operou esses pagamentos e, dessa forma, sabe dos detalhes. Do total, R$ 7 milh\u00f5es pagos no exterior, segundo Ben\u00e9, porque a Caoa tem facilidade para fazer repasses fora do Pa\u00eds, por atuar com importa\u00e7\u00f5es. Outra parte do dinheiro, segundo ele, passou por uma empresa sua, a BRO.<\/p>\n<p>Ben\u00e9 est\u00e1 preso em Bras\u00edlia desde 15 de abril e \u00e9 apontado como &#8220;operador&#8221; de Pimentel. A ordem de pris\u00e3o foi decretada pelo ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), relator da Opera\u00e7\u00e3o Acr\u00f4nimo na corte. O empres\u00e1rio teria falsificado provas para tentar &#8220;blindar&#8221; o governador.<\/p>\n<p>Ben\u00e9 assinou acordo de dela\u00e7\u00e3o com o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal. S\u00e3o 20 anexos, cada um correspondendo a uma suposta irregularidade envolvendo n\u00e3o apenas Pimentel, mas outros pol\u00edticos. Um anexo \u00e9 denominado &#8220;Evento Caoa&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Defesas<\/strong> &#8211; As defesas de Pimentel e do Grupo Caoa negaram as acusa\u00e7\u00f5es de Ben\u00e9. Por meio de sua assessoria de imprensa, o Grupo Caoa disse desconhecer o conte\u00fado da dela\u00e7\u00e3o de Ben\u00e9.<\/p>\n<p>O advogado de Pimentel, Eug\u00eanio Pacelli, recha\u00e7ou as acusa\u00e7\u00f5es. &#8220;A defesa de Fernando Pimentel esclarece que o governador n\u00e3o recebeu qualquer tipo de vantagem em qualquer tempo de quem quer que seja. Se existente, \u00e9 falsa e absurda a acusa\u00e7\u00e3o de pagamento no exterior&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>&#8220;Basta um elemento para desacreditar a suposta acusa\u00e7\u00e3o: \u00e9 atribui\u00e7\u00e3o da Receita Federal do Brasil, vinculada ao Minist\u00e9rio da Fazenda, a redu\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o de al\u00edquotas de impostos cobrados em \u00e2mbito federal. Pimentel, como se sabe, n\u00e3o era ministro da Fazenda&#8221;, disse Pacelli. &#8220;Quanto \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o de modelos automobil\u00edsticos a serem importados, a decis\u00e3o foi precedida de relat\u00f3rios e pareceres t\u00e9cnicos e contou com parecer jur\u00eddico da Advocacia-Geral da Uni\u00e3o. Al\u00e9m disso, a defini\u00e7\u00e3o do modelo de neg\u00f3cios, como se sabe, \u00e9 decis\u00e3o que cabe \u00e0s empresas, n\u00e3o ao Poder P\u00fablico.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo o advogado, a defesa do governador pedir\u00e1 &#8220;abertura de inqu\u00e9rito para apurar os reiterados vazamentos de supostas informa\u00e7\u00f5es cujo objetivo \u00f3bvio \u00e9 antecipar a condena\u00e7\u00e3o p\u00fablica dos investigados&#8221;.<\/p>\n<p>O criminalista Jos\u00e9 Roberto Batochio, que defende a Caoa, reagiu enfaticamente \u00e0s declara\u00e7\u00f5es de Ben\u00e9. &#8220;Isso \u00e9 um del\u00edrio, absolutamente n\u00e3o corresponde \u00e0 verdade. Ali\u00e1s, a pr\u00f3pria conduta do cidad\u00e3o delator j\u00e1 demonstra que isso n\u00e3o \u00e9 veross\u00edmil. Primeiro, ele fala que recebeu R$ 2,2 milh\u00f5es para fazer uma consultoria que ele diz que n\u00e3o existiu, que n\u00e3o era real, que foi fabricada de acordo com as notas fiscais que emitiu. Depois, passou a falar que eram R$ 10 milh\u00f5es e n\u00e3o mais os R$ 2,2 milh\u00f5es. Agora vem falar que eram R$ 20 milh\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>Batochio ironizou o delator. &#8220;Precisamos perguntar para ele qual das tr\u00eas cifras ele vai escolher. A partir do momento em que definir qual o valor ent\u00e3o poderemos fazer um abordagem mais direta para que explique sua vers\u00e3o.&#8221; Sobre os R$ 7 milh\u00f5es que a Caoa teria pago a Pimentel no exterior, o advogado fez um desafio. &#8220;J\u00e1 que o senhor delator sabe que foi pago no exterior, ent\u00e3o tem que dizer de que conta saiu esse dinheiro e em qual conta entrou.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;A Caoa desconhece a exist\u00eancia e eventual conte\u00fado de qualquer dela\u00e7\u00e3o premiada que lhe fa\u00e7a qualquer men\u00e7\u00e3o, sendo curioso que tal informa\u00e7\u00e3o, coberta por sigilo legal, venha parcialmente ao conhecimento p\u00fablico, sem possibilidade pr\u00e9via da empresa saber e contrapor os seus termos&#8221;, diz nota da assessoria do grupo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O empres\u00e1rio Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Ben\u00e9, afirmou em dela\u00e7\u00e3o premiada que o Grupo Caoa pagou R$ 20 milh\u00f5es ao governador de Minas, Fernando Pimentel (PT). 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