{"id":104163,"date":"2016-06-08T08:29:10","date_gmt":"2016-06-08T11:29:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=104163"},"modified":"2016-06-08T08:29:54","modified_gmt":"2016-06-08T11:29:54","slug":"masaomi-o-japonesinho-brasileiro-que-fez-ernesto-geisel-sorrir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/masaomi-o-japonesinho-brasileiro-que-fez-ernesto-geisel-sorrir\/","title":{"rendered":"Masaomi, o japonesinho brasileiro que fez Ernesto Geisel sorrir"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jos\u00e9 Escarlate<\/strong><\/p>\n<p>Dias antes da viagem ao Jap\u00e3o do presidente Geisel ao Jap\u00e3o, setembro de 1976, apareceu na sala de imprensa do Planalto um jovem fot\u00f3grafo, que parecia ser nissei. Levado pelo Ad\u00e3o Nascimento, \u201cqueria \u201cfalar com o Geisel\u201d. Simp\u00e1tico e risonho, Masaomi, esse o seu nome, conquistou a turma, que passou a torcer por ele. Queria pedir ao presidente para ir tamb\u00e9m ao Jap\u00e3o, na comitiva.<\/p>\n<p>Alberto Homsi era o presidente do Comit\u00ea de Imprensa e resolveu patrocinar o encontro do Masaomi com Humberto Barreto, que o levou at\u00e9 Geisel.<\/p>\n<p>No gabinete, o presidente perguntou a raz\u00e3o do seu pleito. E o rapaz abriu o jogo: \u201dEu nasc\u00ed no Jap\u00e3o mas vim cedo para o Brasil. A minha fam\u00edlia est\u00e1 toda l\u00e1, inclusive as minhas irm\u00e3s. Tenho o Brasil como minha p\u00e1tria e posso afirmar que sou mais brasileiro do que o senhor\u201d- enfatizou.<\/p>\n<p>De p\u00e9, tendo a seu lado o Humberto e o Homsi, Geisel ficou espantado com a hist\u00f3ria do jovem, e indagou o por qu\u00ea. Masaomi n\u00e3o se fez de rogado.<\/p>\n<p>\u201cPresidente \u2013 disse -, o senhor nasceu aqui por acaso, mas eu, n\u00e3o. Eu escolh\u00ed o Brasil como minha terra. Ent\u00e3o, sou mais brasileiro do que o senhor\u201d.<\/p>\n<p>Geisel deu um sorriso meio encabulado, virou-se para o Humberto e indagou:\u201dD\u00e1 para encaixar o rapaz na viagem?\u201d<\/p>\n<p>\u201c Dif\u00edcil \u2013 respondeu. A comitiva j\u00e1 est\u00e1 formada. S\u00f3 se o senhor quiser tirar algu\u00e9m.<br \/>\nSem contar d\u00favidas, o presidente determinou:<\/p>\n<p>\u201dTira o fot\u00f3grafo. Eu n\u00e3o preciso de fot\u00f3grafo na viagem\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Pinheiro de Carvalho, irm\u00e3o do Renato, que era o fot\u00f3grafo oficial do presidente, gelou. Entrou na maior fria. Perdeu a viagem, abrindo vaga para o Masaomi.<\/p>\n<p>J\u00e1 em T\u00f3quio, a comitiva visitava um templo budista. Massaomi, que acompanhava tudo, sentiu aquela m\u00e3o enorme, pesada, puxando-o pelo ombro. Virou-se espantado e viu que era a m\u00e3o do presidente, que lhe indagou: \u201cComo o senhor veio at\u00e9 aqui ?\u201d Geisel tratava todos os jornalistas por senhor ou senhora. Educado, mas sem abrir brechas.<\/p>\n<p>Sorrindo muito, Masaomi respondeu: \u201dDe avi\u00e3o\u201d. O presidente riu e seguiu em frente.<br \/>\nA verdade \u00e9 que o Masaomi passou a ser o mascote dos jornalistas brasileiros em T\u00f3quio. E mascote \u00fatil, pois apesar de n\u00e3o conhecer o Jap\u00e3o, falava bem tanto o japon\u00eas como o portugu\u00eas, meio arrastado mas que dava para quebrar o galho. Era o nosso tradutor de plant\u00e3o nas bibocas e restaurantes da capital japonesa, e tamb\u00e9m na sala de imprensa.<br \/>\nDias antes de retornarmos, ele nos apresentou \u00e0s suas irm\u00e3s e a tia, que moravam l\u00e1. Na minha vez ele disse para as irm\u00e3s, no seu linguajar atravessado: \u201cEsse, \u00e9 o pessoa idoso, meu amigo\u201d, por causa dos meus cabelos brancos, uma marca que trago comigo desde os tempos de rapaz.<\/p>\n<p>E o Pinheiro, coitado, ficou na saudade ! Ele at\u00e9 j\u00e1 havia feito uma listinha de compras no Jap\u00e3o, pedidos dos filhos e presentes para os netos.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o chiou. Absorveu o golpe e tocou a vida para a frente. Outras viagens viriam.<br \/>\nE o presidente ficou sem o registro fotogr\u00e1fico de sua passagem pela capital japonesa. O m\u00e1ximo que conseguiu foram fotos feitas pelo Monteiro, da Ag\u00eancia Nacional, que por sinal estavam \u00f3timas. Em Bras\u00edlia, outras fotos foram doadas pelos fot\u00f3grafos que viajaram. Al\u00e9m do Monteiro, Jader Neves, da Manchete, Ad\u00e3o Nascimento, O Estado de S. Paulo, Orlando Brito, de O Globo, Cl\u00e1udio Alves, do Jornal de Brasilia, Roberto Stuckert, da Folha de S. Paulo, Walmir Ribeiro e o Normando Parente, cinegrafistas da Ag\u00eancia Nacional e da TV Globo, e at\u00e9 fotos do Masaomi.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-83053\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/PV.png\" alt=\"PV\" width=\"122\" height=\"26\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Escarlate Dias antes da viagem ao Jap\u00e3o do presidente Geisel ao Jap\u00e3o, setembro de 1976, apareceu na sala de imprensa do Planalto um jovem fot\u00f3grafo, que parecia ser nissei. Levado pelo Ad\u00e3o Nascimento, \u201cqueria \u201cfalar com o Geisel\u201d. 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