{"id":104563,"date":"2016-06-12T10:19:17","date_gmt":"2016-06-12T13:19:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=104563"},"modified":"2016-06-12T10:19:17","modified_gmt":"2016-06-12T13:19:17","slug":"crise-na-economia-tira-classe-media-dos-planos-de-saude-e-manda-para-a-fila-do-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/crise-na-economia-tira-classe-media-dos-planos-de-saude-e-manda-para-a-fila-do-sus\/","title":{"rendered":"Crise na economia tira classe m\u00e9dia dos planos de sa\u00fade e manda para a fila do SUS"},"content":{"rendered":"<p>Foi no m\u00eas de janeiro que a empres\u00e1ria Eliene Pereira Andrade, de 42 anos, sentiu na pele os efeitos da crise econ\u00f4mica. Com a queda crescente de clientes em seu restaurante popular no Butant\u00e3, zona oeste de S\u00e3o Paulo, ela fechou o com\u00e9rcio. Teve de optar por manter o col\u00e9gio particular dos filhos e cancelar o conv\u00eanio m\u00e9dico, que custava R$ 1.737 para ela e mais quatro pessoas. Eliene e a fam\u00edlia migraram para o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS).<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico exemplo.\u00a0Tamb\u00e9m por causa da crise, o contador Ademir Alegria, de 66 anos, decidiu cancelar o plano de sa\u00fade, de R$ 1.200. Portador de hepatite e sem conv\u00eanio, ele passou a buscar atendimento em uma cl\u00ednica particular popular, com consulta a R$ 98.<\/p>\n<p>Assim como Eliene e Ademir, 1,9 milh\u00e3o de brasileiros perderam o plano de sa\u00fade nos \u00faltimos 18 meses, segundo dados da Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS). Foi no fim de 2014 que a tend\u00eancia de crescimento de clientes desse mercado se inverteu e o n\u00famero de benefici\u00e1rios come\u00e7ou a cair, passando de 50,4 milh\u00f5es, em novembro daquele ano, para 48,4 milh\u00f5es em abril de 2016.<\/p>\n<p>A queda de benefici\u00e1rios de planos vem trazendo dois principais impactos para o sistema de sa\u00fade brasileiro. Por um lado, mais pessoas passam a ser dependentes da rede p\u00fablica, j\u00e1 sobrecarregada pela alta demanda e recursos insuficientes. Por outro, cl\u00ednicas particulares com pre\u00e7os mais acess\u00edveis, de olho nos \u00f3rf\u00e3os dos conv\u00eanios, abrem cada vez mais unidades e diversificam a oferta de procedimentos.<\/p>\n<p>&#8220;O plano de sa\u00fade \u00e9 sens\u00edvel a emprego e renda&#8221;, diz Mario Scheffer, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMUSP). Para o especialista, o que mais preocupa \u00e9 que, enquanto a demanda cresce, o investimento no sistema p\u00fablico cai. &#8220;Este seria o momento de o SUS receber mais recursos para estar preparado para atender mais pessoas&#8221;, opina.<\/p>\n<p>Demora. A dificuldade de acesso a especialistas na rede p\u00fablica j\u00e1 \u00e9 sentida por quem perdeu o plano de sa\u00fade. A empres\u00e1ria Eliene reclama da demora para conseguir agendar uma consulta. &#8220;Estou com uma dor de cabe\u00e7a muito forte desde fevereiro e acho que pode ser por causa de um problema na vis\u00e3o. Fui ao posto de sa\u00fade e consegui uma data com o cl\u00ednico-geral s\u00f3 para setembro.&#8221;<\/p>\n<p>Para quem n\u00e3o quer esperar, a alternativa tem sido pagar consultas particulares em cl\u00ednicas populares. No \u00faltimo ano, o contador Ademir j\u00e1 passou por gastroenterologista, urologista e cardiologista, pagando cerca de R$ 100 por atendimento. &#8220;Fa\u00e7o o acompanhamento da hepatite e tamb\u00e9m os check-ups que preciso por um pre\u00e7o que, para mim, \u00e9 justo&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Na rede dr.consulta, o n\u00famero de especialistas e procedimentos oferecidos cresce m\u00eas a m\u00eas, assim como o de unidades. Em cinco anos de exist\u00eancia, j\u00e1 s\u00e3o 12 centros m\u00e9dicos inaugurados e mais de 40 especialidades dispon\u00edveis. Dependendo do valor, o custo dos tratamentos pode ser parcelado em at\u00e9 dez vezes sem juros. &#8220;O n\u00famero de atendimentos cresce 15% mensalmente e, no \u00faltimo m\u00eas, aumentou 30%&#8221;, diz Marcos Fumio, vice-presidente da \u00e1rea m\u00e9dica do dr.consulta. A empresa pretende chegar a 30 centros m\u00e9dicos at\u00e9 o fim do ano.<\/p>\n<p>No nicho do pronto-atendimento, a rede Dr. Agora tamb\u00e9m expande suas atividades, com consultas a R$ 89. Em um ano, foram cinco unidades inauguradas, algumas delas dentro de esta\u00e7\u00f5es do metr\u00f4. &#8220;Com o cen\u00e1rio atual do Brasil, a demanda ficou ainda maior&#8221;, diz Guilherme Berardo, cofundador e CEO do Dr. Agora.<\/p>\n<p>Para Mario Scheffer, as cl\u00ednicas particulares podem resolver problemas mais simples, mas os casos mais complexos continuar\u00e3o a ser direcionados para o sistema p\u00fablico. &#8220;Em qualquer necessidade de maior complexidade, a pessoa vai voltar a depender do SUS e, como essas cl\u00ednicas n\u00e3o t\u00eam liga\u00e7\u00e3o com o sistema p\u00fablico, esses pacientes ter\u00e3o de come\u00e7ar o processo desde o in\u00edcio&#8221;, alerta.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi no m\u00eas de janeiro que a empres\u00e1ria Eliene Pereira Andrade, de 42 anos, sentiu na pele os efeitos da crise econ\u00f4mica. 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