{"id":105208,"date":"2016-06-17T06:09:55","date_gmt":"2016-06-17T09:09:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=105208"},"modified":"2016-06-19T21:09:53","modified_gmt":"2016-06-20T00:09:53","slug":"caso-de-yamato-abandonado-pelos-pais-em-estrada-levanta-debate-sobre-castigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/caso-de-yamato-abandonado-pelos-pais-em-estrada-levanta-debate-sobre-castigo\/","title":{"rendered":"Caso de Yamato, deixado pelos pais em estrada, gera novo debate sobre castigo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Melissa Diniz<\/strong><\/p>\n<p>A not\u00edcia do menino japon\u00eas Yamato Tanooka, de sete anos, que foi deixado pelos pais \u00e0 beira da estrada ap\u00f3s se comportar mal dentro do carro, ficando sete dias perdido em uma floresta, levantou a discuss\u00e3o sobre os limites do castigo.<\/p>\n<p>No outro extremo da puni\u00e7\u00e3o rigorosa adotada pelos pais de Yamato est\u00e3o os que adotam um comportamento permissivo diante dos erros dos filhos, livrando-os da responsabilidade pelos atos cometidos.<\/p>\n<p>Nessa linha, dois outros casos chamaram aten\u00e7\u00e3o recentemente. A tentativa do pai de MC Biel de dizer que o ass\u00e9dio do filho a uma rep\u00f3rter foi apenas uma brincadeira, e a fala de outro pai, dessa vez americano, de que o filho n\u00e3o deveria ser punido por um \u201cato de 20 minutos\u201d, referindo-se ao fato de o rapaz ter estuprado uma jovem inconsciente.<\/p>\n<p>Se a rigidez dos pais japoneses assusta, a dificuldade de impor limites dos outros dois tamb\u00e9m pode comprometer o desenvolvimento saud\u00e1vel da crian\u00e7a e do adolescente. De que maneira, ent\u00e3o, deve-se educar um filho?<\/p>\n<p>Para a psic\u00f3loga Vera Zimmermann, coordenadora do Cria (Centro de Refer\u00eancia de Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia) da Unifesp (Universidade Federal de S\u00e3o Paulo), antes de se falar em limites, \u00e9 preciso falar de valores.<\/p>\n<p>\u201cOs pais precisam refletir sobre que tipo de ser humano gostariam que o filho fosse. Tirando influ\u00eancias gen\u00e9ticas e ambientais, que s\u00e3o vari\u00e1veis, a defini\u00e7\u00e3o de valores pode ser um eixo organizador dos limites na educa\u00e7\u00e3o\u201d, declara Vera.<\/p>\n<p>Segundo a especialista, pais que desejam que o filho seja uma pessoa valorizada e querida em seu meio social, por exemplo, precisam garantir que ele vivencie, desde beb\u00ea, rela\u00e7\u00f5es amorosas em fam\u00edlia, que seja conduzido a respeitar o pr\u00f3ximo. Que aprenda a se colocar no lugar do outro desde pequeno e participe de tarefas da rotina familiar.<\/p>\n<p>\u201cEm uma educa\u00e7\u00e3o pautada nesses valores, os limites podem funcionar com os exemplos da fam\u00edlia e tamb\u00e9m com san\u00e7\u00f5es, que v\u00e3o sendo colocadas aos poucos, como n\u00e3o permitir que a crian\u00e7a bata nos pais, que os ofenda com palavras grosseiras ou que maltrate animais e plantas.\u201d<\/p>\n<p><strong>Em cada fase, uma atitude<\/strong> &#8211; Para funcionarem, as san\u00e7\u00f5es ou limites precisam estar adequadas \u00e0 fase do desenvolvimento em que a crian\u00e7a se encontra, afirma a psic\u00f3loga Elizabeth Monteiro, autora de seis livros, entre os quais \u201cCriando Filhos em Tempos Dif\u00edceis\u201d (Summus Editorial).<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 os cinco anos, a crian\u00e7a n\u00e3o entende o significado moral da palavra n\u00e3o. Sua compreens\u00e3o do mundo se d\u00e1 a partir de experi\u00eancias concretas. Somente a partir dos seis anos, ela vai come\u00e7ar a compreender o que n\u00e3o pode fazer.\u201d<\/p>\n<p>Segundo Elizabeth, \u00e9 comum que a crian\u00e7a pequena seja oposicionista e busque contradizer os pais a todo momento. \u201cDizer muitos \u2018n\u00e3os\u2019 para essa crian\u00e7a n\u00e3o adianta, e, em geral, os pais acabam sendo vencidos pelo cansa\u00e7o. O ideal \u00e9 mudar o foco. Em vez de gritar &#8216;saia da janela&#8217; mil vezes, \u00e9 melhor ir at\u00e9 l\u00e1, pegar a crian\u00e7a e tir\u00e1-la do lugar, convidando-a a fazer outra atividade.\u201d<\/p>\n<p>Para a especialista, outro equ\u00edvoco comum \u00e9 colocar a crian\u00e7a pequena para pensar sobre o que fez. \u201cEla ainda n\u00e3o tem capacidade de refletir ou elaborar o erro. Vai ficar brincando ou dormindo. Al\u00e9m disso, promove a ideia de que pensar \u00e9 um castigo, o que \u00e9 p\u00e9ssimo.\u201d<\/p>\n<p>Para aquelas que j\u00e1 compreendem, a psic\u00f3loga aconselha dizer &#8220;n\u00e3o&#8221; com firmeza, olhando nos olhos, e sempre explicando por qual raz\u00e3o ela n\u00e3o poder fazer aquilo. \u201c\u00c0s vezes, se os argumentos n\u00e3o convencem, \u00e9 importante mostrar-se incomodado, deixando claro que esse \u00e9 um motivo para ela parar.\u201d<\/p>\n<p>Mas aten\u00e7\u00e3o, firmeza n\u00e3o significa agressividade ou desrespeito. \u201c\u00c9 preciso ser delicado. Pais que desrespeitam os filhos tamb\u00e9m s\u00e3o desrespeitados por eles. A gente educa pelo modelo, n\u00e3o pelas palavras\u201d, diz Elizabeth.<\/p>\n<p>Se apenas os bons exemplos n\u00e3o s\u00e3o suficientes para coibir atitudes negativas dos filhos, \u00e9 preciso haver puni\u00e7\u00e3o, ou seja, castigo. Mas, apesar do peso palavra, trata-se de uma medida educativa que n\u00e3o pode ser confundida com viol\u00eancia f\u00edsica ou psicol\u00f3gica. \u201cUma boa op\u00e7\u00e3o \u00e9 retirar algo que seja importante para a crian\u00e7a\u201d, diz Vera.<\/p>\n<p>Outra possibilidade \u00e9 condicionar o momento de lazer, o uso da internet ou a televis\u00e3o \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de alguma tarefa, como fez o operador de turismo Paulo Machado, que deixou um bilhete para a filha Catarina dizendo que apenas liberaria a senha do Wi-Fi se ela cooperasse nos afazeres dom\u00e9sticos. Publicado no Facebook, o recado do pai viralizou e conquistou a simpatia de muitos.<\/p>\n<p>\u201cFoi uma atitude muito criativa e funcionou. A ideia \u00e9 tirar o que estiver atrapalhando e s\u00f3 permitir seu uso quando o problema for resolvido\u201d, fala Elizabeth. Para ela, os pais devem tomar cuidado com barganhas, evitando utilizar dinheiro. \u201cAo pagar por uma tarefa, o pai ensina que o dinheiro compra tudo. \u00c9 preciso pontuar que existem obriga\u00e7\u00f5es a serem cumpridas.\u201d<\/p>\n<p>Outro erro comum \u00e9 recompensar com comida, principalmente doces, pois pode levar \u00e0 crian\u00e7a a desenvolver algum tipo de dist\u00farbio alimentar. \u201cTamb\u00e9m n\u00e3o funciona fazer amea\u00e7as que a crian\u00e7a sabe que os pais n\u00e3o v\u00e3o cumprir. Perde-se assim a autoridade.\u201d<\/p>\n<p><strong>Di\u00e1logo sim, palmada n\u00e3o<\/strong> &#8211; \u00c0 medida que o filho cresce, o di\u00e1logo ganha import\u00e2ncia no relacionamento com os pais. As orienta\u00e7\u00f5es precisam ser dadas com seguran\u00e7a. \u201cQuando os pais acreditam naquilo que est\u00e3o falando, o filho obedece. Aqueles que copiam os outros e vivem em busca de novas f\u00f3rmulas n\u00e3o acreditam nos seus pr\u00f3prios valores e n\u00e3o conseguem educar bem seus filhos\u201d, afirma Elizabeth.<\/p>\n<p>Muito importante, portanto, que haja coer\u00eancia nas atitudes do pai e da m\u00e3e. \u201cSe um coloca limites e o outro retira, n\u00e3o funciona\u201d, diz a psic\u00f3loga.<\/p>\n<p>Puni\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e viol\u00eancia emocional nunca devem ser utilizadas. \u201cPalmada nunca, jamais, isso apenas ensina que a viol\u00eancia \u00e9 uma forma de coer\u00e7\u00e3o. Em um momento de estresse, tanto a crian\u00e7a quanto os pais devem se acalmar primeiro. Muitos extrapolam ao agir pela emo\u00e7\u00e3o\u201d, declara Elizabeth.<\/p>\n<p>Para Vera, os castigos corporais n\u00e3o funcionam como transmiss\u00e3o de valores humanos e, portanto, n\u00e3o educam.<\/p>\n<p>Elizabeth afirma que puni\u00e7\u00f5es excessivas, como a que foi dada ao garoto japon\u00eas, deixam sequelas para toda a vida e podem causar problemas s\u00e9rios, como fobias, transtornos ps\u00edquicos e sociais. \u201cSer amea\u00e7ado por quem deveria proteg\u00ea-la distorce a vis\u00e3o de mundo da crian\u00e7a, ela passa a n\u00e3o confiar mais em ningu\u00e9m.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Melissa Diniz A not\u00edcia do menino japon\u00eas Yamato Tanooka, de sete anos, que foi deixado pelos pais \u00e0 beira da estrada ap\u00f3s se comportar mal dentro do carro, ficando sete dias perdido em uma floresta, levantou a discuss\u00e3o sobre os limites do castigo. 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