{"id":105355,"date":"2016-06-19T19:11:15","date_gmt":"2016-06-19T22:11:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=105355"},"modified":"2016-07-30T16:49:58","modified_gmt":"2016-07-30T19:49:58","slug":"hippomane-mancinella-a-arvore-que-mata-mas-quer-tambem-salva-muitas-vidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/hippomane-mancinella-a-arvore-que-mata-mas-quer-tambem-salva-muitas-vidas\/","title":{"rendered":"Hippomane mancinella, a \u00e1rvore que mata mas que tamb\u00e9m salva muitas vidas"},"content":{"rendered":"<p>Falam que os ind\u00edgenas usavam a \u00e1rvore para tortura, amarrando pessoas a seu tronco e deixando-as ali para que sofressem quando chegasse a chuva.\u00a0Contam que, al\u00e9m disso, os nativos envenenavam suas flechas com sua seiva.<\/p>\n<p>E que at\u00e9 foi o motivo da morte do espanhol Juan Ponce de Le\u00f3n, o primeiro governador de Porto Rico, que recebeu uma flechada em uma batalha quando tentou conquistar a costa da Fl\u00f3rida, em 1521.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil comprovar que esses fatos realmente tenham acontecido, mas o que se diz das propriedades cient\u00edficas da &#8220;\u00e1rvore da morte&#8221; j\u00e1 foi provado.<\/p>\n<p>A temida planta cresce em paisagens id\u00edlicas e pode alcan\u00e7ar grandes alturas.<\/p>\n<p>Seus galhos \u00e0s vezes repousam sobre a areia e te convidam a descansar sobre sob sua sombra ou se proteger da chuva ou do sol.<\/p>\n<p>Seus frutos, muitos parecidos com ma\u00e7\u00e3s, s\u00e3o cheirosos, doces e saborosos.<\/p>\n<p>Mas ela tem a duvidosa honra de estar registrada no livro dos recordes, o Guiness Book, como a \u00e1rvore mais perigosa do mundo.<\/p>\n<p><strong>Como seu nome diz<\/strong> &#8211; Hippomane mancinella. Esse \u00e9 seu nome cient\u00edfico. Segundo o Instituto de Ci\u00eancias de Alimentos e Agricultura da Fl\u00f3rida, nos Estados Unidos, Hippomane vem das palavras gregas hippo, que significa &#8220;cavalo&#8221;, e mane, que deriva de &#8220;mania&#8221; ou &#8220;loucura&#8221;.<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo grego Teofrasto (371a.C.-287a.C.) nomeou assim uma planta nativa da Gr\u00e9cia ap\u00f3s descobrir que os cavalos ficavam loucos ao com\u00ea-la. E o pai da taxonomia moderna, o sueco Carl Linneo, deu o mesmo nome \u00e0 nociva \u00e1rvore da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Mais precisamente, a que \u00e9 nativa da Am\u00e9rica Central e das ilhas do Caribe e cresce da costa da Fl\u00f3rida at\u00e9 a Col\u00f4mbia &#8211;em alguns lugares, sua presen\u00e7a \u00e9 alertada por cruzes vermelhas e placas.<\/p>\n<p><strong>\u00c1rvore da morte<\/strong> &#8211; Esse \u00e9 um dos nomes conhecidos, usado por quem convivem com ela. Tamb\u00e9m \u00e9 conhecida como Mancenilheira da Areia ou Mancenilheira da praia &#8211;mas \u00e1rvore da morte \u00e9 o apelido que melhor descreve a realidade.<\/p>\n<p>Sua seiva leitosa cont\u00e9m forbol, um componente qu\u00edmico perigoso. S\u00f3 de encostar na \u00e1rvore, sua pele pode ficar horrivelmente queimada.<\/p>\n<p>Refugiar-se debaixo dos seus galhos durante uma chuva tropical tamb\u00e9m pode ser desastroso, porque at\u00e9 a seiva dilu\u00edda pode causar uma erup\u00e7\u00e3o cut\u00e2nea grave.<\/p>\n<p>Queimar essas \u00e1rvores tamb\u00e9m \u00e9 uma m\u00e1 ideia. A fuma\u00e7a pode cegar temporariamente e causar s\u00e9rios problemas respirat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Mas, apesar dos efeitos desagrad\u00e1veis, o contato da pele com esta \u00e1rvore n\u00e3o \u00e9 fatal. A amea\u00e7a real vem de sua pequena fruta redonda.<\/p>\n<p>Comer este fruto, que parece uma pequena ma\u00e7\u00e3, pode causar v\u00f4mitos e diarreia t\u00e3o severos que desidratam o corpo at\u00e9 um ponto em que n\u00e3o h\u00e1 mais cura.<\/p>\n<p><strong>Tanto assim?<\/strong> &#8211; A radiologista brit\u00e2nica Nicola Strickland experimentou estes efeitos em 1999 ao passar f\u00e9rias com uma amiga na ilha caribenha de Tobago.<\/p>\n<p>Como boa cientista, ela descreveu o que acontece ao &#8220;British Medical Journal&#8221; para que outros cientistas soubessem o tamanho desta amea\u00e7a.<\/p>\n<p>Ela come\u00e7a contando como em uma manh\u00e3, &#8220;encontramos uma dessas id\u00edlicas praias desertas&#8230; areia branca, palmeiras balan\u00e7ando, o mar turquesa.&#8221;<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, viu as frutas verdes que &#8220;aparentemente haviam ca\u00eddo de uma \u00e1rvore grande&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Mordi a fruta e achei agradavelmente doce. Minha amiga fez o mesmo. Um pouco mais tarde, notamos um gosto estranho e picante na boca, que virou ard\u00eancia e dor, com uma press\u00e3o na garganta.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Os sintomas pioraram nas duas horas seguintes at\u00e9 que n\u00e3o consegu\u00edamos mais comer alimentos s\u00f3lidos, pois a dor era insuport\u00e1vel. A sensa\u00e7\u00e3o era de ter um grande n\u00f3 obstruindo a garganta.&#8221;<\/p>\n<p>Por sorte, oito horas mais tarde os sintomas orais come\u00e7aram a melhorar, mas os g\u00e2nglios linf\u00e1ticos ficaram muito sens\u00edveis.<\/p>\n<p>&#8220;Nossa experi\u00eancia provocou um genu\u00edno terror e incredulidade entre os locais. Tal \u00e9 a reputa\u00e7\u00e3o do veneno da fruta&#8221;, diz.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Uma s\u00f3 mata 20 pessoas&#8221;<\/strong> &#8211; Hist\u00f3rias do tipo n\u00e3o s\u00e3o novas, \u00e9 claro. John Esquemeling, autor de um dos mais importantes livros de consulta sobre pirataria no s\u00e9culo 17, &#8220;Os cors\u00e1rios da Am\u00e9rica&#8221; (1678), escreveu sobre sua experi\u00eancia com a \u00e1rvore &#8220;chamada mancenilheira, a \u00e1rvora da ma\u00e7\u00e3 an\u00e3&#8221;, quando esteve na ilha La Espa\u00f1ola, compartilhada entre o Haiti e a Rep\u00fablica Dominicana e conhecida por ter abrigado o primeiro assentamento europeu na Am\u00e9rica no fim do s\u00e9culo 15.<\/p>\n<p>&#8220;Um dia, quando estava extremamente atormentado pelos mosquitos e ainda ignorante sobre a natureza desta \u00e1rvore, cortei um galho para me abanar. Meu rosto inchou e se encheu de bolhas, como se estivesse queimado.&#8221;<\/p>\n<p>Nicholas Cresswell, cujo di\u00e1rio sobre seus dias nas col\u00f4nias brit\u00e2nicas na Am\u00e9rica ficou para hist\u00f3ria, escreveu sobre a sexta-feira de 16 de setembro de 1774: &#8220;A fruta da mancenilheira tem o aroma e a apar\u00eancia de uma ma\u00e7\u00e3 inglesa, mas \u00e9 pequena, cresce em \u00e1rvores grandes, geralmente ao longo da costa. Est\u00e3o repletas de veneno. Me disseram que uma s\u00f3 \u00e9 suficiente para matar 20 pessoas.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;A natureza do veneno \u00e9 t\u00e3o maligna que uma s\u00f3 gota de chuva ou orvalho que caia da \u00e1rvore na sua pele imediatamente causar\u00e1 uma bolha. Nem a fruta nem a madeira podem ser usadas, at\u00e9 onde eu sei.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Perigosa, mas \u00fatil<\/strong> &#8211;\u00a0Surpreendentemente, talvez, a \u00e1rvore tem seus usos, segundo o Instituto de Ci\u00eancias da Agricultura e Alimentos da Fl\u00f3rida.<\/p>\n<p>A mancenilheira da praia \u00e9 usada para fazer m\u00f3veis desde a \u00e9poca colonial. Acredita-se que sua seiva venenosa se neutraliza quando seca ao sol. Mas manipular a madeira rec\u00e9m-cortada requer muito cuidado.<\/p>\n<p>Os nativos cobriam suas flechas com o veneno quando iam ca\u00e7ar.<\/p>\n<p>E h\u00e1 documentos que mostram que a borracha da casca j\u00e1 foi usada para tratar doen\u00e7as ven\u00e9reas e reten\u00e7\u00e3o de l\u00edquidos na Jamaica, e as frutas secas foram usadas como diur\u00e9ticos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falam que os ind\u00edgenas usavam a \u00e1rvore para tortura, amarrando pessoas a seu tronco e deixando-as ali para que sofressem quando chegasse a chuva.\u00a0Contam que, al\u00e9m disso, os nativos envenenavam suas flechas com sua seiva. 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