{"id":106365,"date":"2016-07-02T17:38:32","date_gmt":"2016-07-02T20:38:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=106365"},"modified":"2016-07-03T08:06:16","modified_gmt":"2016-07-03T11:06:16","slug":"depois-do-feijao-disparar-qual-sera-novo-vilao-da-inflacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/depois-do-feijao-disparar-qual-sera-novo-vilao-da-inflacao\/","title":{"rendered":"Depois do feij\u00e3o disparar, qual ser\u00e1 o novo vil\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o para afligir os brasileiros?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ingrid Fagundez<\/strong><\/p>\n<p>O feij\u00e3o tomou o lugar do tomate como alimento que anda pesando no bolso dos brasileiros. O pre\u00e7o do carioca, variedade popular no Sudeste, subiu 54,09% at\u00e9 junho, segundo o IPCA-15, \u00edndice do IBGE considerado como a pr\u00e9via da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No ano passado, uma caixa de tomates chegou a custar o dobro do que em 2014. Com a infla\u00e7\u00e3o ainda alta, muita gente se pergunta: qual vai ser o pr\u00f3ximo vil\u00e3o das compras?<\/p>\n<p>Para tentar responder, a BBC Brasil conversou com economistas e especialistas no mercado de agroneg\u00f3cio. Segundo eles, os itens que podem causar mais preocupa\u00e7\u00e3o nas pr\u00f3ximas semanas s\u00e3o o leite, o milho e o arroz.<\/p>\n<p>O clima \u00e9 o fator comum em todas as altas, explicam os entrevistados. A distribui\u00e7\u00e3o irregular de chuvas neste ano prejudicou a produ\u00e7\u00e3o dessas culturas.<\/p>\n<p><strong>Arroz<\/strong> &#8211; No caso do arroz, as tempestades no Rio Grande do Sul &#8211; maior produtor &#8211; em abril atrasaram a colheita e causaram uma quebra de 15% na safra. Com menor oferta, os pre\u00e7os cresceram 5,21% at\u00e9 junho, segundo dados do IPCA-15. E devem continuar aumentando at\u00e9 as pr\u00f3ximas colheitas, no come\u00e7o de 2017.<\/p>\n<p>&#8220;De acordo com o nosso levantamento, no munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo variou 6,28% neste ano. E vai subir significativamente nos pr\u00f3ximos dois meses&#8221;, diz o pesquisador Vagner Martins, do Instituto de Economia Agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Pode parecer que 6% \u00e9 pouco, mas a alta \u00e9 preocupante para um elemento essencial da cesta b\u00e1sica, pondera Martins.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0s vezes h\u00e1 uma confus\u00e3o em destacar quedas expressivas de produtos de pouca relev\u00e2ncia. Qual a import\u00e2ncia da pera no prato do brasileiro? Em contrapartida, o peso do feij\u00e3o e do arroz t\u00eam grande peso na infla\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>O encarecimento do arroz, no entanto, n\u00e3o deve ser t\u00e3o dram\u00e1tico como o do feij\u00e3o. Isso porque h\u00e1 variedades da leguminosa, a exemplo do carioca, que s\u00e3o principalmente produzidos no Brasil, dificultando a importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A medida (a importa\u00e7\u00e3o do feij\u00e3o) foi anunciada pelo presidente Michel Temer na semana passada para segurar os pre\u00e7os mas, segundo os entrevistados, n\u00e3o deve ser muito eficaz.<\/p>\n<p>&#8220;Importar feij\u00e3o? Da onde? At\u00e9 tem um pouco no Paraguai, na Argentina, mas (a quantidade) \u00e9 marginal. O feij\u00e3o carioca que a gente gosta s\u00f3 n\u00f3s produzimos. Al\u00e9m disso, o feij\u00e3o n\u00e3o tem substituto, n\u00e3o d\u00e1 para fazer lentilha no lugar&#8221;, diz o professor do n\u00facleo de estudos de agroneg\u00f3cios da FGV Felippe Serigati.<\/p>\n<p>O mesmo n\u00e3o acontece com o arroz, consumido e vendido por diversos pa\u00edses.<\/p>\n<p>De acordo com Serigati, como o ciclo de produ\u00e7\u00e3o do feij\u00e3o \u00e9 mais curto e n\u00e3o h\u00e1 impeditivos para que ele volte ao normal, os valores devem diminuir at\u00e9 o fim do ano.<\/p>\n<p><strong>Leite e milho<\/strong> &#8211; Se as altas da dupla arroz e feij\u00e3o podem ser passageiras, h\u00e1 outras consideradas mais duradouras pelos especialistas. As do milho e do leite, por exemplo, s\u00e3o vistas como estruturais e, portanto, mais preocupantes.<\/p>\n<p>O milho \u00e9 um dos principais componentes da ra\u00e7\u00e3o das vacas leiteiras e registrou um crescimento expressivo em 2016. Ausente no IPCA-15, um de seus representantes no indicador, o fub\u00e1, encareceu 13% at\u00e9 junho. J\u00e1 o leite subiu 18% no mesmo per\u00edodo e se aproxima de um patamar in\u00e9dito.<\/p>\n<p>Os entrevistados explicam que a alta do milho se deve \u00e0 procura no mercado internacional, no qual o Brasil se tornou um vendedor importante. Nos \u00faltimos anos, o pa\u00eds acelerou a produ\u00e7\u00e3o do alimento, conseguiu export\u00e1-lo mais barato e teve grande demanda dos compradores, o que acabou elevando os valores l\u00e1 fora. O aumento chegou ao mercado interno.<\/p>\n<p>Com o milho caro, a ra\u00e7\u00e3o aumenta e os produtores de leite t\u00eam que desembolsar mais para alimentar suas vacas. A alta \u00e9 repassada para o consumidor. Al\u00e9m disso, as chuvas fortes no come\u00e7o do ano prejudicaram as pastagens e as estradas de transporte, dificultando a produ\u00e7\u00e3o e diminuindo a oferta.<\/p>\n<p>A crise tamb\u00e9m afetou o setor j\u00e1 que, com menos dinheiro, o brasileiro est\u00e1 cortando derivados. Dados do IPCA-15, a pr\u00e9via da infla\u00e7\u00e3o, mostram que a manteiga, por exemplo, subiu 41,89% neste ano. Com demanda menor, a ind\u00fastria processadora, por sua vez, compra menos dos produtores.<\/p>\n<p>&#8220;Os custos altos e a receita baixa acaba desestimulando o trabalhador da \u00e1rea. Ouvimos relatos de pessoas que est\u00e3o saindo da atividade, porque n\u00e3o estava mais compensando. Eles migram para a pecu\u00e1ria de corte, cruzam suas vacas com bois reprodutores&#8221;, diz o pesquisador do Cepea (Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada), da USP, Wagner Yanaguizawa.<\/p>\n<p>Um menor n\u00famero de produtores significa menos oferta de leite, o que tamb\u00e9m puxa os pre\u00e7os para cima. &#8220;Esse choque n\u00e3o \u00e9 tempor\u00e1rio, \u00e9 estrutural. H\u00e1 risco de valores maiores nas pr\u00f3ximas safras&#8221;, afirma Serigati.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ingrid Fagundez O feij\u00e3o tomou o lugar do tomate como alimento que anda pesando no bolso dos brasileiros. O pre\u00e7o do carioca, variedade popular no Sudeste, subiu 54,09% at\u00e9 junho, segundo o IPCA-15, \u00edndice do IBGE considerado como a pr\u00e9via da infla\u00e7\u00e3o. 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