{"id":10658,"date":"2014-05-23T08:40:00","date_gmt":"2014-05-23T11:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=10658"},"modified":"2014-05-23T11:30:41","modified_gmt":"2014-05-23T14:30:41","slug":"nova-iorque-amanhece-e-imigrante-faz-do-lixo-da-rua-o-seu-ganha-pao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/nova-iorque-amanhece-e-imigrante-faz-do-lixo-da-rua-o-seu-ganha-pao\/","title":{"rendered":"Nova Iorque amanhece; e imigrantes fazem do lixo o seu ganha p\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Uma cena comum nas grandes cidade brasileiras tamb\u00e9m \u00e9 vista com frequ\u00eancia na maior metr\u00f3pole dos Estados Unidos. Encurvadas sobre sacolas de pl\u00e1stico, empurrando velhos carrinhos de supermercado, milhares de pessoas circulam, dia e noite, em Nova York, procurando no lixo latas e garrafas de pl\u00e1stico que vendem para sobreviver.<\/p>\n<p>Jovens, velhos, homens e mulheres, desempregados, sem-teto, imigrantes que mal falam ingl\u00eas&#8230; Todos t\u00eam o mesmo objetivo: ganhar algum trocado reciclando o que conseguiram.<\/p>\n<p>Na Grande Ma\u00e7\u00e3, um ex\u00e9rcito invis\u00edvel de esquecidos perambula na cidade dos ricos e milion\u00e1rios, e contaria com cerca de 7.000 pessoas, segundo Ana Mart\u00ednez de Luco, co-fundadora do &#8220;Sure we Can&#8221; (\u00c9 claro que podemos, em tradu\u00e7\u00e3o literal), um centro do Brooklyn para onde estes catadores lixo recicl\u00e1vel v\u00e3o para separar e vender o fruto de seu trabalho.<\/p>\n<p>Por cada lata, cada garrafa individual, de pl\u00e1stico ou vidro, eles ganham 5 centavos de d\u00f3lar. Se juntarem embalagens por marca, conseguem chegar a 6 ou at\u00e9 6,5 centavos, em virtude de uma lei estadual de Nova York, a &#8220;Bottle Bill&#8221;, aprovada em 1982 e emendada em 2009.<\/p>\n<p>Da Times Square \u00e0 Wall Street, do Central Park \u00e0s moradias sociais do Queens, eles s\u00e3o cada vez mais numerosos.<\/p>\n<p>Acordam antes do amanhecer para passar antes dos caminh\u00f5es de lixo e v\u00e3o dormir tarde. Idosas chinesas carregam enormes sacos.<\/p>\n<p>Sylvernus, um sem-teto de 45 anos origin\u00e1rio da Nig\u00e9ria, empilha o que consegue em um carrinho de supermercado onde leva toda a sua vida. Uma jovem latina acumula latinhas em um carrinho de beb\u00ea.<\/p>\n<p>Eles trocam o material por dinheiro em m\u00e1quinas na entrada dos supermercados &#8211; que limitam a devolu\u00e7\u00e3o a 250 unidades (12 d\u00f3lares) por dia &#8211; ou nos cerca de 20 centros de reciclagem.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos, eram principalmente sem-teto. Mas, nos \u00faltimos anos, a popula\u00e7\u00e3o mudou. Ainda se sente o impacto da crise de 2008.<\/p>\n<p>No &#8220;Sure We Can&#8221;, cerca de 60% s\u00e3o idosos, a maioria imigrantes. Alguns &#8220;foram professores, militares, empres\u00e1rios, alguns t\u00eam diploma universit\u00e1rio&#8221;, explica Ana Martinez de Luco.<\/p>\n<p>Mas, um dia, vida dessas pessoas saiu dos trilhos.<\/p>\n<p>Carlos, de 27 anos, era chef em um restaurante jamaicano e conta, um pouco incomodado, que n\u00e3o teve outra op\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser come\u00e7ar a catar latas ap\u00f3s o fechamento do restaurante. No entanto, n\u00e3o aceita ser chamado de sem-teto.<\/p>\n<p>Alguns tamb\u00e9m mandam dinheiro para a fam\u00edlia fora dos Estados Unidos. Outros complementam a magra aposentadoria.<\/p>\n<p>Anita Tirado, uma mulher mi\u00fada de 74 anos, origin\u00e1ria de Porto Rico, conta que n\u00e3o tem Medicaid, a cobertura de sa\u00fade dos mais pobres. Todas as manh\u00e3s, \u00e0s vezes \u00e0s 04h00 da madrugada, revira os sacos de lixo colocados na cal\u00e7ada de sua rua antes de ir cuidar da neta de 3 anos.<\/p>\n<p>Com seus passos fr\u00e1geis, ela diz ganhar entre &#8220;20 e 30 d\u00f3lares por semana, at\u00e9 40&#8221;, como pagamento por esse trabalho que pode ser perigoso. H\u00e1 alguns anos, ela apanhou em uma de suas sa\u00eddas.<\/p>\n<p>Muitos n\u00e3o t\u00eam escolha. Para Sylvernus, agente de seguran\u00e7a aposentado desde 11 de setembro de 2001, \u00e9 uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia. Ele diz que sonha com um &#8220;trabalho de verdade&#8221;. &#8220;Este \u00e9 infernal&#8221;, desabafa.<\/p>\n<p>&#8220;Mas tenho que continuar empurrando este carrinho pesado para sobreviver&#8221;, conta, embora sinta-se orgulhoso de reciclar.<\/p>\n<p>Os catadores de lata reciclam, segundo um estudo recente, 70% das garrafas individuais e latas de Nova York.<\/p>\n<p>No entanto, mesmo trabalhando &#8220;full time&#8221;, parece dif\u00edcil conseguir viver disso. Um casal com cerca de 40 anos que trabalha sem descanso nesta fun\u00e7\u00e3o diz ganhar entre 300 e 350 d\u00f3lares por semana.<\/p>\n<p>E quando se come\u00e7a a fazer a convers\u00e3o dos pre\u00e7os para unidades de garrafas recicladas, os valores s\u00e3o astron\u00f4micos: um cappuccino custa 70 latas; um sandu\u00edche, 100; um par de sapatos simples, 800; e um apartamento de dois quartos em Manhattan, 120.000 latas por m\u00eas.<\/p>\n<p>&#8220;Isto poderia ser um trabalho de verdade, se os alugu\u00e9is e a comida n\u00e3o fossem t\u00e3o caros em Nova York&#8221;, acrescentou Mart\u00ednez de Luco.<\/p>\n<p>Carlos, Jos\u00e9, Paula, Anita, Victoria, Maria, e uma idosa chinesa que n\u00e3o fala uma palavra em ingl\u00eas se re\u00fanem com frequ\u00eancia no &#8220;Sure We Can&#8221;. Alguns fazem como terapia que os ajuda a n\u00e3o ficar isolados, explica Mart\u00ednez de Luco, ao enumerar as virtudes da atividade.<\/p>\n<p>Mas o n\u00famero crescente de catadores tamb\u00e9m representa um problema.<\/p>\n<p>Alguns brigam por territ\u00f3rio. Outros se queixam por n\u00e3o encontrarem quase latas ou garrafas.<\/p>\n<p>Ana Mart\u00ednez de Luco gostaria de poder trein\u00e1-los para reciclar o lixo dos restaurantes, para torn\u00e1-lo em composto para usar como adubo em jardins.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma cena comum nas grandes cidade brasileiras tamb\u00e9m \u00e9 vista com frequ\u00eancia na maior metr\u00f3pole dos Estados Unidos. Encurvadas sobre sacolas de pl\u00e1stico, empurrando velhos carrinhos de supermercado, milhares de pessoas circulam, dia e noite, em Nova York, procurando no lixo latas e garrafas de pl\u00e1stico que vendem para sobreviver. 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