{"id":106734,"date":"2016-07-04T12:26:21","date_gmt":"2016-07-04T15:26:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=106734"},"modified":"2016-07-04T12:26:21","modified_gmt":"2016-07-04T15:26:21","slug":"grandes-bancos-sentem-a-crise-e-separam-140-bilhoes-para-cobrir-calote-de-empresas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/grandes-bancos-sentem-a-crise-e-separam-140-bilhoes-para-cobrir-calote-de-empresas\/","title":{"rendered":"Grandes bancos sentem a crise e separam 140 bilh\u00f5es para cobrir calote de empresas"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Alexa Salom\u00e3o e Josette Goulart<\/strong><\/h6>\n<p>A dificuldade das empresas tem efeito colateral forte sobre outro segmento, o sistema financeiro e se reflete nos balan\u00e7os dos grandes bancos brasileiros. A provis\u00e3o para perda com calotes tem crescido. No primeiro trimestre deste ano, ultrapassou R$ 150 bilh\u00f5es nos grandes bancos. Em dois anos, em rela\u00e7\u00e3o a esse per\u00edodo, cresceu 44%. Na avalia\u00e7\u00e3o da economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, &#8220;o quadro \u00e9 grave&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;As empresas est\u00e3o muito alavancadas e com d\u00edvidas em atraso, enquanto o cr\u00e9dito banc\u00e1rio contraiu muito&#8221;, diz ela. &#8220;A pr\u00e9-inadimpl\u00eancia e a inadimpl\u00eancia banc\u00e1ria est\u00e3o somadas em patamares elevados e recordes. Isso em quadro de queda de faturamento real. O cr\u00e9dito para pessoa jur\u00eddica sumiu, o cr\u00e9dito livre em termos reais est\u00e1 em patamares recordes de baixa na s\u00e9rie que come\u00e7a em 2001.&#8221;<\/p>\n<p>Zeina frisa que qualquer empresa com dificuldade financeira e sem cr\u00e9dito vai levar mais tempo para se recuperar, ent\u00e3o, \u00e9 natural que comecem o trabalho pela reestrutura\u00e7\u00e3o financeira. &#8220;Primeiro, precisam equilibrar as finan\u00e7as e recuperar o caixa, para ent\u00e3o reavaliar decis\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e de investimento.&#8221;<\/p>\n<p>Todo esse trabalho j\u00e1 \u00e9 complicado para as grandes empresas, mas Zeina lembra que \u00e9 ainda mais complicado para os pequenos neg\u00f3cios. &#8220;O quadro \u00e9 particularmente severo para m\u00e9dias e pequenas empresas onde a inadimpl\u00eancia \u00e9 mais elevada e a oferta de cr\u00e9dito ainda mais restrita. Os bancos est\u00e3o mantendo a rolagem de d\u00edvida para grandes empresas. N\u00e3o \u00e9 o caso das m\u00e9dias e pequenas.&#8221;<\/p>\n<p>Todos os segmentos, enfim, diz Zeina, precisam ser mais conservadores na hora de reorganizar as finan\u00e7as e a estrutura operacional. &#8220;A recupera\u00e7\u00e3o da economia ser\u00e1 mais lenta que o usual&#8221;, diz Zeina.<\/p>\n<p><b>Novo patamar &#8211;\u00a0<\/b>Na avalia\u00e7\u00e3o de Armando Castelar, coordenador de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (IBRE\/FGV), tamb\u00e9m \u00e9 preciso ter em mente que a recupera\u00e7\u00e3o, quando vier, n\u00e3o vai devolver todos os setores ao mesmo patamar que ocupavam antes.<\/p>\n<p>&#8220;Setores ligados ao agroneg\u00f3cio e \u00e0 minera\u00e7\u00e3o at\u00e9 podem retomar uma condi\u00e7\u00e3o semelhante, mas vamos lembrar que o que fez o Brasil crescer mais r\u00e1pido de 2004 a 2012 foram setores alavancados pelo cr\u00e9dito: com\u00e9rcio, servi\u00e7os, constru\u00e7\u00e3o, intermedia\u00e7\u00e3o financeira e, olhando para frente, a volta n\u00e3o vai ser igual para eles. Ter\u00e3o de se reestruturar operacionalmente&#8221;, diz Castelar.<\/p>\n<p>Olhando o Pa\u00eds em retrospectiva, percebe-se que o alto endividamento de hoje foi fruto de uma perspectiva de expans\u00e3o dos neg\u00f3cios que se frustrou. Castelar lembra que as empresas se endividaram para crescer, mas veio a crise e as receitas despencaram. &#8220;Houve surpresa com a magnitude e a rapidez da desacelera\u00e7\u00e3o. Na virada de 2014 para 2015, os analistas de mercado, por exemplo, ainda projetavam crescimento&#8221;, diz Castelar. &#8220;Agora estamos vivendo a maior crise da nossa hist\u00f3ria estatisticamente documentada em termos de contra\u00e7\u00e3o de crescimento e isso surpreendeu as empresas&#8221;, afirma Castelar.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio foi agravado pela soma de dissabores: ao mesmo tempo vieram deteriora\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas, retra\u00e7\u00e3o dos investimentos, crise na Petrobras e a queda no pre\u00e7o internacional das mat\u00e9rias &#8211; sem falar no ambiente pol\u00edtico, que minou a confian\u00e7a.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alexa Salom\u00e3o e Josette Goulart A dificuldade das empresas tem efeito colateral forte sobre outro segmento, o sistema financeiro e se reflete nos balan\u00e7os dos grandes bancos brasileiros. 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