{"id":107061,"date":"2016-07-07T08:33:23","date_gmt":"2016-07-07T11:33:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=107061"},"modified":"2016-07-10T10:46:04","modified_gmt":"2016-07-10T13:46:04","slug":"historias-de-surras-e-o-tersol-no-olho-de-vicente-matheus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/historias-de-surras-e-o-tersol-no-olho-de-vicente-matheus\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias de surras de um rep\u00f3rter e o &#8216;tersol no olho&#8217; de Vicente Matheus"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jos\u00e9 Escarlate<\/strong><\/p>\n<p>No meu tempo de rep\u00f3rter da Revista do Esporte \u2013 do grupo da Revista do R\u00e1dio -, conheci uma figura de quem me tornei amigo. Vicente Matheus, empres\u00e1rio da constru\u00e7\u00e3o pesada, apaixonado pelo Corinthians e seu presidente. Por dever de of\u00edcio, v\u00e1rias vezes o entrevistei. Afinal, Vicente Matheus sempre era not\u00edcia. Agendava o encontro, geralmente pela manh\u00e3 em sua casa, em frente ao clube. Al\u00e9m do papo, ainda almo\u00e7ava.<\/p>\n<p>\u201cSeu Vicente\u201d, como o chamavam, era pessoa carism\u00e1tica, brincalh\u00e3o e pol\u00eamico. Muito divertido. Todo o papo era entrecortado por um enxame de erros gramaticais e frases inusitadas. Falava abertamente do que n\u00e3o gostava, mas procurava dar a m\u00e3o a todos. Seu vice era o advogado Wadih Helu, que depois tornou-se inimigo.<\/p>\n<p>Uma dessas entrevistas me causou s\u00e9rio problema. Seu Vicente estava louco de raiva com o ex-vice, Wadih Helu, dizendo que fora traido por ele. Wadih passou a perna em Matheus e o derrotou nas elei\u00e7\u00f5es do clube. Assumindo o comando, Wadih Helu, a olhos vistos, usava o clube para beneficiar-se politicamente. A partir do final dos anos 50, Wadih Helu foi advers\u00e1rio de Vicente Matheus.<\/p>\n<p><strong>\u201cLadr\u00e3o e mentiroso\u201d<\/strong> &#8211;\u00a0Seu Vicente, na derradeira entrevista, ia al\u00e9m e acrescentava que \u201ctamb\u00e9m financeiramente\u201d. Culminava com a frase: \u201cO presidente do Corinthians \u00e9 ladr\u00e3o e mentiroso\u201d. Fiz a mat\u00e9ria e no meio do texto coloquei esse desabafo. Dois dias depois, sem ter visto a revista, fui ao clube saber as novidades. Logo \u00e0 entrada do Parque S\u00e3o Jorge, encontrei Wadih Helu, nervoso, vermelho e gritando para os seguran\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cBaixa o pau nele. Eu garanto\u201d. E tr\u00eas arm\u00e1rios daqueles de oito portas come\u00e7aram a me dar porradas, que s\u00f3 n\u00e3o foi al\u00e9m por interfer\u00eancia de outros s\u00f3cios. A revista chegara a S\u00e3o Paulo e na p\u00e1gina tr\u00eas, em negrito, tinha a manchete, feita pelo Borelli Filho: \u201cPresidente do Corinthians \u00e9 ladr\u00e3o e mentiroso\u201d assim, aspeada, com foto de Wadih. Eu n\u00e3o sabia de nada. Fui levado \u00e0 casa de Matheus pelo jornalista Paulo Planet Buarque e, de l\u00e1, ao IML para o exame de corpo delito. A Revista do Esporte mandou um advogado me acompanhar, registrou a ocorr\u00eancia e determinou que eu retornasse ao Rio. Foi a segunda surra da minha carreira.<\/p>\n<p><strong>Excesso de zelo<\/strong> &#8211;\u00a0Dois anos antes eu havia sido agredido, num domingo, em pleno campo do Madureira, no Rio, pela Guarda Municipal, por conta de uma reportagem, com texto e fotos, mostrando guardas municipais levando \u201cbola\u201d dos comerciantes de uma feira livre de Madureira. O editor, um gaiato, feliz da vida, colocou minha foto como autor do texto.<\/p>\n<p>A terceira surra \u2013 esta oficial &#8211; aconteceu em Bras\u00edlia, por ocasi\u00e3o da inaugura\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o novo aeroporto, em 1970. Os seguran\u00e7as do major Luiz Carlos de Avellar Coutinho acharam que eu estava muito perto do M\u00e9dici, me deram uma cutelada no rim e eu cai. Dali me arrastaram para um outro local, arrancaram a minha credencial e, depois de alguns chutes, sumiram.<\/p>\n<p>Testemunhou a meu favor, entre outras autoridades presentes, o ministro do Trabalho, J\u00falio Barata, que passou uma descompostura nos agressores. Dias depois, o major Coutinho veio me pedir desculpas pelo excesso do seu pessoal.<\/p>\n<p><strong>Valendo um livro<\/strong> &#8211;\u00a0Voltando ao Vicente Matheus, ele deixou hist\u00f3rias inesquec\u00edveis, com tiradas magistrais como aquela declara\u00e7\u00e3o, em pleno Pacaembu, ap\u00f3s o Corinthians ter conquistado um torneio internacional de futebol.<\/p>\n<p>Depois de convocar a torcida para festejar o feito no Parque S\u00e3o Jorge, Matheus, bem \u00e0 sua moda, n\u00e3o se conteve: \u201cAqui, de p\u00fablico, quero agradecer \u00e0 Ant\u00e1rctica as Brahmas que ela mandou para essa festa\u201d. Seu vocabul\u00e1rio e suas tiradas eram in\u00e9ditas, como o desabafo de que &#8220;o dif\u00edcil n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil\u201d, e outras.<\/p>\n<p>O hist\u00f3rico era imenso. Seu Vicente, em uma viagem do clube, ao ser indagado pela atendente de um hotel onde o Corinthians se hospedaria se havia reserva, foi curto e grosso: Claro que tenho reserva, ou a senhora acha que eu viajaria s\u00f3 com os titulares ?&#8221;<\/p>\n<p>Figura folcl\u00f3rica com suas m\u00e1ximas que divertiam amigos e desafetos, Vicente Matheus n\u00e3o agradava jornalistas. Recebia-os de peito aberto e dizia que alguns deles chegavam a lhe pedir dinheiro para escrever coisas positivas sobre o Corinthians e sua administra\u00e7\u00e3o. O espanhol Vicente Matheus, naturalizado brasileiro, certa vez chegou ao clube com tersol.<\/p>\n<p>Um conselheiro, tentando ser agrad\u00e1vel indagou: \u201cO que \u00e9 isso, Matheus?\u201d.<\/p>\n<p>Com sua simplicidade, respondeu:\u201c\u00c9 tersol no olho !\u201d O diretor, mais que depressa reagiu: \u201cTersol no olho \u00e9 pleonasmo, Matheus\u201d. \u00c0 tarde, encontrou um rep\u00f3rter que perguntou: \u201cO que \u00e9 isso no seu olho?\u201d \u201cEu j\u00e1 n\u00e3o sei mais\u201d, respondeu Matheus. \u201cUns dizem que \u00e9 tersol, outros dizem que \u00e9 pleonasmo\u201d.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que, atrav\u00e9s da m\u00eddia, Vicente Matheus alcan\u00e7ou a fama. Faleceu em 1997, de c\u00e2ncer, ap\u00f3s ficar 14 dias internado no Instituto do Cora\u00e7\u00e3o. Foi sepultado no cemit\u00e9rio da Quarta Parada em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-83053\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/PV.png\" alt=\"PV\" width=\"122\" height=\"26\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Escarlate No meu tempo de rep\u00f3rter da Revista do Esporte \u2013 do grupo da Revista do R\u00e1dio -, conheci uma figura de quem me tornei amigo. Vicente Matheus, empres\u00e1rio da constru\u00e7\u00e3o pesada, apaixonado pelo Corinthians e seu presidente. Por dever de of\u00edcio, v\u00e1rias vezes o entrevistei. Afinal, Vicente Matheus sempre era not\u00edcia. 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