{"id":107331,"date":"2016-07-10T08:14:18","date_gmt":"2016-07-10T11:14:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=107331"},"modified":"2016-07-10T08:14:18","modified_gmt":"2016-07-10T11:14:18","slug":"efeito-psicologico-da-alta-do-feijao-pode-pressionar-mais-a-inflacao-para-cima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/efeito-psicologico-da-alta-do-feijao-pode-pressionar-mais-a-inflacao-para-cima\/","title":{"rendered":"Efeito psicol\u00f3gico da alta do feij\u00e3o pode pressionar mais a infla\u00e7\u00e3o para cima"},"content":{"rendered":"<p><strong>Francisco Carlos de Assis<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 duas preocupa\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas por tr\u00e1s dos altos pre\u00e7os do feij\u00e3o nas prateleiras dos supermercados, afirma o coordenador do \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor da Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas (Fipe) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Andr\u00e9 Chagas. A alta conjuntural do pre\u00e7o do gr\u00e3o, eleito s\u00edmbolo da infla\u00e7\u00e3o atual, decorrente da quebra de safra por motivos clim\u00e1ticos, e a infla\u00e7\u00e3o estrutural que a escalada do pre\u00e7o do produto aciona na esteira da rea\u00e7\u00e3o defensiva dos consumidores ao seu poder de compra. Essa rea\u00e7\u00e3o indexa ainda mais a economia.<\/p>\n<p>\u00c9 para a infla\u00e7\u00e3o estrutural que as a\u00e7\u00f5es e comunica\u00e7\u00f5es do Banco Central (BC) est\u00e3o voltadas quando seus dirigentes mant\u00eam juros e v\u00eam a p\u00fablico refor\u00e7ar o discurso de que o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) tomar\u00e1 todas as medidas necess\u00e1rias para convergir a infla\u00e7\u00e3o ao centro da meta (4,5%) em 2017, afirma Chagas. &#8220;O impacto do aumento do pre\u00e7o do feij\u00e3o (ou qualquer outro produto da cesta di\u00e1ria do consumidor) \u00e9 mais psicol\u00f3gico do que qualquer outra coisa&#8221;, diz o coordenador do IPC-Fipe.<\/p>\n<p>O pedreiro que vai ao supermercado e constata aumento de 90% a 100% no pre\u00e7o do feij\u00e3o, segundo o coordenador do IPC-Fipe, n\u00e3o espera muito para reajustar o pre\u00e7o da sua m\u00e3o de obra pelo porcentual do aumento do feij\u00e3o, do arroz, da carne, etc. O mesmo faz a cabeleira, o eletricista, e tantos outros profissionais prestadores de servi\u00e7os. E as altas se difundem pela economia, estabelecendo o que os economistas chamam de efeito de segunda ordem, contra o que o BC procura lutar.<\/p>\n<p>&#8220;Nesse sentido, o que os dirigentes do BC querem em primeiro lugar n\u00e3o \u00e9 levar a infla\u00e7\u00e3o \u00e0 converg\u00eancia, mas levar a expectativas convergirem em dire\u00e7\u00e3o ao centro da meta&#8221;, explica Chagas.<\/p>\n<p>Para mostrar que h\u00e1 uma celeuma exagerada em torno do pre\u00e7o do feij\u00e3o e seu respectivo impacto sobre a infla\u00e7\u00e3o, a Fipe montou com a ajuda de uma nutricionista um prato para cada dia da semana com os pesos de cada ingrediente no custo prato. Na composi\u00e7\u00e3o do &#8220;Contrafil\u00e9 com fritas&#8221;, por exemplo, o feij\u00e3o exerce um peso de 7% na compara\u00e7\u00e3o com os demais insumos. &#8220;Se imaginarmos que um contrafil\u00e9 com fritas \u00e9 vendido a R$ 15, o peso do feij\u00e3o passa a ser de 3%&#8221;, calcula Chagas.<\/p>\n<p>Em valores, considerando a quantidade de produtos que comp\u00f5em o prato, o feij\u00e3o \u00e9 o terceiro item mais caro neste card\u00e1pio. O contrafil\u00e9, na propor\u00e7\u00e3o de 150 gramas, em junho, custava R$ 4,15, seguido pela batata, na quantia de 75 gramas a R$ 0,46. Ent\u00e3o vem o feij\u00e3o (45 gramas), a R$ 0,42.<\/p>\n<p>O coordenador ressalta que os pratos foram compostos dentro dos par\u00e2metros dom\u00e9sticos, excluindo custos com conta de luz, \u00e1gua, aluguel, despesas com funcion\u00e1rios e impostos, entre outros encargos. O custo total para se preparar um fil\u00e9 com fritas em casa no m\u00eas passado era de R$ 5,81.<\/p>\n<p>No caso fil\u00e9 de frango \u00e0 parmegiana, o feij\u00e3o nem aparece na lista de ingredientes. Neste prato, as 35 gramas de mussarela a R$ 1,21 pesam mais que o fil\u00e9 de frango de 150 gramas a um pre\u00e7o de R$ 0,84. O molho de tomate, na quantidade de 55 gramas, entra no card\u00e1pio por R$ 0,58. Em junho, o custo para a elabora\u00e7\u00e3o deste prato, de acordo com os c\u00e1lculos da Fipe, era de R$ 4,14.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo na feijoada &#8211; neste caso a base \u00e9 o feij\u00e3o preto, que custa um ter\u00e7o do carioquinha &#8211; o feij\u00e3o n\u00e3o exerce o maior peso A por\u00e7\u00e3o de 45 gramas custa R$ 0,42, o quinto na lista, atr\u00e1s da costelinha su\u00edna R$ 0,93 por 43 gramas, couve (80 gramas) a R$ 0,74, carne seca (23 gramas) a R$ 0,72 e paio (23 gramas) a R$ 0,53. O custo total para a composi\u00e7\u00e3o de um prato de feijoada em casa em junho ficou em R$ 5,65.<\/p>\n<p>Outro prato no card\u00e1pio da Fipe que n\u00e3o leva feij\u00e3o e mesmo assim seu custo de prepara\u00e7\u00e3o n\u00e3o se diferencia muito do arroz com feij\u00e3o, contrafil\u00e9 e fritas \u00e9 a macarronada. Essa aparece no card\u00e1pio das fam\u00edlias pelo menos duas vezes na semana: nas quintas-feiras e domingos. Os maiores custos na composi\u00e7\u00e3o do prato n\u00e3o s\u00e3o o macarr\u00e3o espaguete, cuja por\u00e7\u00e3o de 100 gramas custa R$ 0,60. \u00c9 o molho de tomate (170 gramas) a R$ 1,80. Em seguida vem o queijo ralado (15 gramas) a R$ 1,58, seguido pela carne mo\u00edda ac\u00e9m (50 gramas) a R$ 0,82.<\/p>\n<p>No fil\u00e9 de pescada branca com pur\u00ea e legumes, o maior peso fica para a pescada (135 gramas) a R$ 2,46 em valor de junho. O queijo ralado (6,6 gramas) custava R$ 0,70 e a batata (95 gramas) a R$ 0,58. \u00c9 outro prato que n\u00e3o leva feij\u00e3o e cujo custo de prepara\u00e7\u00e3o em casa fica em R$ 5,02.<\/p>\n<p>O feij\u00e3o aparece no topo da lista dos itens mais caros s\u00f3 na sopa de feij\u00e3o. Neste prato, s\u00e3o usadas 100 gramas do gr\u00e3o a um custo de R$ 0,94 por prato. O segundo maior peso vem do alho (10 gramas), a R$ 0,44, e o terceiro vem das 10 gramas de bacon que v\u00e3o na sopa, a R$ 0,24.<\/p>\n<p>&#8220;O risco da alta de pre\u00e7os n\u00e3o \u00e9 o conjuntural e sim o estrutural&#8221;, afirma Chagas. Ele acredita que pode se repetir agora o que ocorreu em 2008, quando o pre\u00e7o do feij\u00e3o saiu de R$ 2 o quilo para R$ 9 e quando caiu foi para R$ 6 o quilo. E agora, de acordo com o coordenador da Fipe, h\u00e1 ainda a press\u00e3o da perda de \u00e1rea de plantio do feij\u00e3o para a soja.<\/p>\n<p>Mas de modo geral, segundo Chagas, o susto com o pre\u00e7o de alguns produtos em determinados momentos tem mais a ver com a percep\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o pelo consumidor, por conta de uma varia\u00e7\u00e3o muito grande de um item com muito peso, mesmo que a infla\u00e7\u00e3o agregada n\u00e3o esteja t\u00e3o elevada.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Carlos de Assis H\u00e1 duas preocupa\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas por tr\u00e1s dos altos pre\u00e7os do feij\u00e3o nas prateleiras dos supermercados, afirma o coordenador do \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor da Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas (Fipe) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Andr\u00e9 Chagas. 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