{"id":107334,"date":"2016-07-10T08:17:51","date_gmt":"2016-07-10T11:17:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=107334"},"modified":"2016-07-10T08:17:51","modified_gmt":"2016-07-10T11:17:51","slug":"surge-mais-um-fornecedor-suspeito-de-abastecer-caixa-2-da-campanha-de-dilma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/surge-mais-um-fornecedor-suspeito-de-abastecer-caixa-2-da-campanha-de-dilma\/","title":{"rendered":"Surge mais um fornecedor suspeito de abastecer caixa 2 da campanha de Dilma"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ricardo Brandt, Fausto Macedo, Mateus Coutinho e F\u00e1bio Serapi\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A Opera\u00e7\u00e3o Custo Brasil, desdobramento da Lava Jato, investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e sonega\u00e7\u00e3o fiscal em neg\u00f3cios do segundo maior fornecedor da campanha da presidente afastada Dilma Rousseff. Relat\u00f3rio da Receita Federal repassado \u00e0 Pol\u00edcia Federal e ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal mostra que, entre 2010 e 2014, uma das empresas de Carlos Roberto Cortegoso, a CRLS Consultoria e Eventos, movimentou quase R$ 50 milh\u00f5es, cinco vezes o valor declarado no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Os investigadores apontam contabilidade &#8220;at\u00edpica&#8221; e ind\u00edcios de caixa 2 com recursos provenientes do PT e de esquemas de desvios na Petrobr\u00e1s e no Minist\u00e9rio do Planejamento. &#8220;A CRLS, segundo a Receita Federal, movimentou em suas contas cerca de R$ 25 milh\u00f5es de entrada (cr\u00e9dito) e R$ 24 milh\u00f5es de sa\u00edda, mas declarou receita bruta de menos de R$ 10 milh\u00f5es&#8221;, afirmam procuradores da Rep\u00fablica da Custo Brasil.<\/p>\n<p>Cortegoso \u00e9 propriet\u00e1rio da CRLS e da Focal Confec\u00e7\u00f5es e Comunica\u00e7\u00e3o Visual, que recebeu R$ 25 milh\u00f5es na \u00faltima campanha de Dilma e ficou atr\u00e1s apenas do publicit\u00e1rio Jo\u00e3o Santana (R$ 70 milh\u00f5es), preso preventivamente em Curitiba na Lava Jato. As empresas t\u00eam sede em S\u00e3o Bernardo do Campo, no ABC paulista. O empres\u00e1rio fornece ao PT estruturas de palanques e materiais desde a campanha \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o de Lula, em 2006. Ele ficou conhecido como &#8220;gar\u00e7om&#8221; do ex-presidente por ter trabalhado em restaurante frequentado por sindicalistas petistas.<\/p>\n<p>Na Custo Brasil, que apura desvio de at\u00e9 R$ 100 milh\u00f5es de recursos de empr\u00e9stimos consignados de servidores federais entre 2010 e 2015, a CRLS \u00e9 citada por ter recebido, a pedido do ex-tesoureiro do partido Jo\u00e3o Vaccari Neto, R$ 309 mil da Consist Software, respons\u00e1vel por gerenciar os contratos do Minist\u00e9rio do Planejamento. A CRLS foi alvo de buscas ordenada pela 6.\u00aa Vara Federal Criminal de S\u00e3o Paulo no dia 23 de junho.<\/p>\n<p>Embora a empresa n\u00e3o conste na presta\u00e7\u00e3o de contas da campanha de Dilma, ela atuou por interm\u00e9dio da Focal. Investigadores da Custo Brasil e da Lava Jato verificaram que as duas empresas integram um mesmo neg\u00f3cio. Compartilham equipamentos e movimentam recursos entre si, conforme relat\u00f3rios da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).<\/p>\n<p>Documento da Custo Brasil com dados das contas de Cortegoso e das empresas v\u00ea ocorr\u00eancias suspeitas como dep\u00f3sitos e saques em esp\u00e9cie &#8220;que apresentam atipicidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 atividade econ\u00f4mica&#8221;, &#8220;movimenta\u00e7\u00e3o de recursos incompat\u00edvel com o patrim\u00f4nio&#8221; e &#8220;movimenta\u00e7\u00e3o de recursos de alto valor, de forma contumaz, em benef\u00edcio de terceiros&#8221;.<\/p>\n<p>Com as transa\u00e7\u00f5es financeiras entre as duas empresas, a for\u00e7a-tarefa suspeita que propina tenha transitado por suas contas. Parte dos valores movimentos na CRLS, que apontam ind\u00edcios de oculta\u00e7\u00e3o de origem, \u00e9 de 2014. Naquele ano, a empresa registrou R$ 9,3 milh\u00f5es de entrada e R$ 8,5 milh\u00f5es de sa\u00edda, mas declarou receita bruta de R$ 2,5 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;A referida empresa \u00e9 uma produtora, que fazia eventos para o PT, e que tinha cr\u00e9ditos com o PT. Cortegoso teve evolu\u00e7\u00e3o patrimonial bastante r\u00e1pida, tendo sido gar\u00e7om e atualmente teria at\u00e9 mesmo avi\u00e3o em seu nome&#8221;, afirmou a Procuradoria da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p><b>Parceria &#8211;\u00a0<\/b>Os pagamentos da campanha de Dilma s\u00e3o investigados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A a\u00e7\u00e3o implica a chapa reeleita em 2014, o que inclui o presidente em exerc\u00edcio, Michel Temer (PMDB). Para o ministro Gilmar Mendes, h\u00e1 &#8220;indicativos&#8221; de que o PT e a candidatura presidencial foram financiados por propina desviada da Petrobr\u00e1s. A Focal \u00e9 uma das empresas que passam por per\u00edcia t\u00e9cnica por suspeita de incompatibilidade entre servi\u00e7os ofertados e a estrutura existente.<\/p>\n<p>Fundada em 2005, a Focal tem sede em um galp\u00e3o. A CRLS foi aberta em 2009, um ano antes de Cortegoso comprar sete im\u00f3veis do pecuarista Jos\u00e9 Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, r\u00e9u na Lava Jato, acusado de tomar empr\u00e9stimo de R$ 12 milh\u00f5es para o PT, em 2004. A transa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 sob investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Focal est\u00e1 registrada em nome da filha e de um funcion\u00e1rio de Cortegoso, e a CRLS, atualmente em nome do empres\u00e1rio e de sua mulher. A rela\u00e7\u00e3o de Cortegoso com o PT tem mais de 20 anos e deslanchou ap\u00f3s Lula assumir a Presid\u00eancia em 2003. Os neg\u00f3cios suspeitos com o partido surgiram em 2005, quando Cortegoso e a Focal foram citados por Marcos Val\u00e9rio na CPI dos Correios como destinat\u00e1rios de dinheiro de caixa 2 do mensal\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2006, a Focal recebeu R$ 3,9 milh\u00f5es da campanha \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o de Lula. Quatro anos depois, j\u00e1 com Dilma, os gastos do partido com a empresa chegaram a R$ 14,5 milh\u00f5es.<\/p>\n<p><b>Defesas &#8211;\u00a0<\/b>Procurado por meio de seu advogado, M\u00e1rcio Decreci, Cortegoso n\u00e3o quis se pronunciar. Segundo o defensor, o caso est\u00e1 sob sigilo. Sobre os im\u00f3veis, a defesa de Bumlai afirma que a venda foi feita dentro da &#8220;mais estrita observ\u00e2ncia da legisla\u00e7\u00e3o&#8221; e n\u00e3o h\u00e1 irregularidade no neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>O advogado Fl\u00e1vio Caetano, da campanha de Dilma, informou que a Focal presta servi\u00e7os de montagens de palanques em todo o Pa\u00eds. &#8220;O papel da campanha \u00e9 saber se a empresa existe, se tem capacidade para prestar os servi\u00e7os no prazo, com a qualidade acertada e pre\u00e7o de mercado&#8221;, disse Caetano. &#8220;N\u00e3o cabe \u00e0 campanha saber da vida privada da empresa. O PT e o Instituto Lula n\u00e3o responderam \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ricardo Brandt, Fausto Macedo, Mateus Coutinho e F\u00e1bio Serapi\u00e3o A Opera\u00e7\u00e3o Custo Brasil, desdobramento da Lava Jato, investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e sonega\u00e7\u00e3o fiscal em neg\u00f3cios do segundo maior fornecedor da campanha da presidente afastada Dilma Rousseff. 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