{"id":107436,"date":"2016-07-11T09:29:42","date_gmt":"2016-07-11T12:29:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=107436"},"modified":"2016-07-11T14:46:55","modified_gmt":"2016-07-11T17:46:55","slug":"promessa-de-paraiso-agricola-matopiba-da-prejuizo-de-4-bi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/promessa-de-paraiso-agricola-matopiba-da-prejuizo-de-4-bi\/","title":{"rendered":"Promessa de para\u00edso agr\u00edcola, Matopiba d\u00e1 preju\u00edzo de R$ 4 bi com quebra de safra"},"content":{"rendered":"<p><strong>Anna Carolina Papp<\/strong><\/p>\n<p>A seca severa que abateu a regi\u00e3o do Matopiba nesta safra derrubou a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os e descapitalizou o produtor, comprometendo o financiamento da pr\u00f3xima temporada. A expressiva queda de produtividade na fronteira agr\u00edcola formada por parte do Maranh\u00e3o, Tocantins, Piau\u00ed e Bahia deve causar aos produtores da regi\u00e3o perdas de R$ 3,9 bilh\u00f5es, segundo c\u00e1lculos da Agroconsult, o que pode levar a uma redu\u00e7\u00e3o de \u00e1rea plantada de 560 mil hectares.<\/p>\n<p>Para manter os 5,2 milh\u00f5es de hectares de soja, milho e algod\u00e3o plantados nos quatro Estados nesta safra, seriam necess\u00e1rios R$ 11,6 bilh\u00f5es em financiamentos, um incremento de 10,5% em rela\u00e7\u00e3o aos recursos da safra anterior. Os produtores, no entanto, s\u00f3 poder\u00e3o contar com cerca de R$ 6,6 bilh\u00f5es, tanto de capital pr\u00f3prio como de cr\u00e9dito rural, financiadoras e tradings, levando a um rombo da ordem de R$ 5 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Esse dinheiro todo n\u00e3o vai aparecer&#8221;, afirma Marcos Rubin, s\u00f3cio e analista da Agroconsult. Com as negocia\u00e7\u00f5es, os produtores devem conseguir cerca de R$ 3,5 bilh\u00f5es dessa conta, o que vai levar a uma queda de \u00e1rea geral na regi\u00e3o de 10% a 15%&#8221;, explica.<\/p>\n<p>O Matopiba j\u00e1 vem amargando alguns anos de estiagens, com safras de margens estreitas que v\u00eam descapitalizando o produtor. Neste ano, no entanto, o preju\u00edzo superou at\u00e9 as previs\u00f5es mais pessimistas. Desde novembro, as proje\u00e7\u00f5es de produtividade de soja ca\u00edram 54% no Piau\u00ed, 43% no Maranh\u00e3o, 36% no Tocantins e 35% na Bahia. Na safra 2015\/16, o produtor colocou na terra R$ 4 bilh\u00f5es do bolso para plantar &#8211; o que representou 38% do financiamento da safra -, e viu R$ 3,9 bilh\u00f5es &#8220;irem embora&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Na pr\u00e1tica, o produtor empurra essa conta para frente: tenta renegociar com os fornecedores de insumos, bancos e tradings&#8221;, diz Rubin. &#8220;A quest\u00e3o \u00e9 que os problemas clim\u00e1ticos v\u00eam sendo recorrentes nos \u00faltimos anos, o que dificulta trazer dinheiro novo para a regi\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia, os produtores ter\u00e3o dificuldades para comprar insumos e financiar a pr\u00f3xima safra, uma vez que a inadimpl\u00eancia dever\u00e1 levar as financeiras e os fornecedores a aumentar o rigor na concess\u00e3o de cr\u00e9dito e os custos dos empr\u00e9stimos.<\/p>\n<p>No Piau\u00ed, por exemplo, os produtores est\u00e3o preocupados e, como nos outros Estados, pleiteiam no Minist\u00e9rio da Fazenda a prorroga\u00e7\u00e3o do vencimento das parcelas dos financiamentos de custeio e investimento. &#8220;Se n\u00e3o houver medidas de al\u00edvio, vai ser uma quebradeira&#8221;, diz Moyses Barjud, presidente da Aprosoja Piau\u00ed e produtor no munic\u00edpio de Bom Jesus. &#8220;Na safra 15\/16, n\u00f3s retornamos ao patamar de produ\u00e7\u00e3o de 2005 &#8211; voltamos 11 anos no tempo.&#8221;<\/p>\n<p>Em seus 728 hectares de soja, Barjud, que esperava colher cerca de 55 sacas por hectare, tirou apenas 20, o que n\u00e3o cobre nem metade dos custos do plantio, de 43 sacas por hectare. Ele financiou 80% da safra com cr\u00e9dito rural e 20% em vendas antecipadas com as tradings &#8211; acordo esse que n\u00e3o vai conseguir cumprir. &#8220;Estou tentando renegociar, pedir mais prazo, pois ainda tem a multa. Com o que conseguimos colher, s\u00f3 d\u00e1 para pagar impostos e funcion\u00e1rios, n\u00e3o sobra nada&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Na Bahia, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais cr\u00edtica. Segundo a Agroconsult, o Estado, que responde por cerca de dois quintos da \u00e1rea de soja do Matopiba, amarga 44% das perdas da regi\u00e3o. &#8220;Estou no oeste da Bahia h\u00e1 29 anos e foi o pior ano agr\u00edcola que eu j\u00e1 vi&#8221;, afirma J\u00falio C\u00e9zar Busato, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba). &#8220;Teremos uma quebra de mais de 30% na safra de soja.&#8221;<\/p>\n<p>Ele explica que a restri\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito no ano passado, quando nem sequer houve pr\u00e9-custeio, levou a um \u00edndice maior de vendas antecipadas. Agora, n\u00e3o s\u00f3 o produtor n\u00e3o consegue cumprir os contratos por conta da quebra, mas ter\u00e1 de pagar mais, uma vez que houve valoriza\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os no mercado internacional. &#8220;Se n\u00e3o for resolvida a quest\u00e3o do cr\u00e9dito, vai haver tamb\u00e9m uma diminui\u00e7\u00e3o no n\u00edvel de tecnologia das lavouras, principalmente nos fertilizantes, e isso \u00e9 muito negativo para a pr\u00f3xima safra&#8221;, observa.<\/p>\n<p><strong>Nacional<\/strong> &#8211; Se no recorte local da regi\u00e3o a oferta de cr\u00e9dito \u00e9 preocupante, no nacional, haver\u00e1 recursos suficientes para cobrir a necessidade de financiamento da safra, de R$ 110,7 bilh\u00f5es, segundo a Agroconsult. O montante representa um aumento de 8,2% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 safra passada, o que vai exigir dos produtores R$ 42,1 bilh\u00f5es de capital pr\u00f3prio &#8211; mantendo praticamente est\u00e1vel a participa\u00e7\u00e3o de 38% no financiamento. O cr\u00e9dito rural deve responder por 35%.<\/p>\n<p>&#8220;Da safra 2014\/15 para a 2015\/16, o capital pr\u00f3prio do produtor cresceu R$ 8,5 bilh\u00f5es, que representaram 80% do lucro da safra &#8211; ou seja, do que ele colheu teve de colocar de volta 80% na lavoura para plantar, em vez de investir&#8221;, diz Rubin. &#8220;Neste ano, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito diferente: o produtor ter\u00e1 de colocar R$ 3,4 bilh\u00f5es a mais, mas que representam apenas 16% do lucro. Isso indica uma retomada de investimentos, seja em tecnologia, m\u00e1quinas ou expans\u00e3o de \u00e1rea.&#8221;<\/p>\n<p>Ele pondera, por\u00e9m, que apesar do bom patamar dos pre\u00e7os, a expans\u00e3o da \u00e1rea de gr\u00e3os ser\u00e1 t\u00edmida, pela esperada redu\u00e7\u00e3o no Matopiba, freada na expans\u00e3o do milho e pelo endividamento de grandes produtores.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anna Carolina Papp A seca severa que abateu a regi\u00e3o do Matopiba nesta safra derrubou a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os e descapitalizou o produtor, comprometendo o financiamento da pr\u00f3xima temporada. 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