{"id":108809,"date":"2016-07-23T07:02:27","date_gmt":"2016-07-23T10:02:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=108809"},"modified":"2016-07-23T12:44:05","modified_gmt":"2016-07-23T15:44:05","slug":"defesa-se-perde-em-devaneios-e-aliados-temem-que-sergio-moro-decrete-a-prisao-de-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/defesa-se-perde-em-devaneios-e-aliados-temem-que-sergio-moro-decrete-a-prisao-de-lula\/","title":{"rendered":"Defesa se perde em devaneios e aliados temem que S\u00e9rgio Moro decrete a pris\u00e3o de Lula"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Fausto Macedo, Julia Affonso e Mateus Coutinho<\/strong><\/h6>\n<p>Em despacho de quinze p\u00e1ginas, o juiz federal S\u00e9rgio Moro rebateu, um a um, os argumentos da defesa do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva que pedia sua suspei\u00e7\u00e3o para continuar na condu\u00e7\u00e3o das investiga\u00e7\u00f5es sobre o petista. Moro decidiu, taxativamente, n\u00e3o abrir m\u00e3o do caso e disse que &#8220;falta seriedade&#8221; \u00e0 argumenta\u00e7\u00e3o da defesa.<\/p>\n<p>O magistrado afirmou ainda que os grampos que pegaram o ex-presidente em mar\u00e7o deste ano, na Opera\u00e7\u00e3o Aletheia, poderiam justificar a pris\u00e3o tempor\u00e1ria de Lula, mas que na ocasi\u00e3o, acabou-se optando por &#8220;medida menos gravosa&#8221;, no caso, a condu\u00e7\u00e3o coercitiva do petista.<\/p>\n<p>As intercepta\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas mostraram um Lula irado com a Lava Jato.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 nenhum fato objetivo que justifique a presente exce\u00e7\u00e3o, tratando-se apenas de ve\u00edculo impr\u00f3prio para a irresigna\u00e7\u00e3o da defesa do excipiente (Lula) contra as decis\u00f5es do presente julgador e, em alguns t\u00f3picos, \u00e9 at\u00e9 mesmo bem menos do que isso Rigorosamente, apesar do direito \u00e0 ampla defesa, n\u00e3o se justifica o emprego da exce\u00e7\u00e3o de suspei\u00e7\u00e3o sem que haja m\u00ednimos fatos objetivos que a justifiquem.&#8221;<\/p>\n<p>Lula \u00e9 alvo da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato. Os investigadores atribuem a ele a propriedade do s\u00edtio Santa B\u00e1rbara, em Atibaia, e do tr\u00edplex 164\/A do Condom\u00ednio Solaris, no Guaruj\u00e1 &#8211; o petista nega ser dono dos im\u00f3veis.<\/p>\n<p>Por decis\u00e3o do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, a investiga\u00e7\u00e3o sobre Lula voltou para as m\u00e3os de Moro, titular da 13.\u00aa Vara Criminal Federal de Curitiba, base da Lava Jato.<\/p>\n<p>Aliados de Lula temem que Moro poder\u00e1 decretar a pris\u00e3o do ex-presidente. Em mar\u00e7o, dia 4, Lula foi conduzido coercitivamente pela Pol\u00edcia Federal para prestar depoimento. Seus defensores querem tirar as investiga\u00e7\u00f5es das m\u00e3os do juiz s\u00edmbolo da Lava Jato.<\/p>\n<p>Por meio de exce\u00e7\u00e3o de suspei\u00e7\u00e3o criminal, os advogados de Lula alegaram que Moro seria &#8220;suspeito pois teria ordenado buscas e apreens\u00f5es, condu\u00e7\u00e3o coercitiva e intercepta\u00e7\u00e3o telef\u00f4nica ilegais, demonstrando parcialidade&#8221;. Ainda, que o juiz seria suspeito pois teria levantado ilegalmente o sigilo sobre di\u00e1logos interceptados telefonicamente &#8211; no caso, relativos \u00e0 conversa de Lula com a presidente afastada Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>Ainda segundo os advogados de Lula, o juiz &#8220;teria prejulgado a causa ao prestar informa\u00e7\u00f5es ao Supremo Tribunal Federal na Reclama\u00e7\u00e3o 23.457&#8221; e seria suspeito porque estaria se dedicando exclusivamente aos casos criminais da Lava Jato.<\/p>\n<p>Os advogados de Lula alegam, ainda, que Moro teria relacionamento com a imprensa, porque teriam sido publicado livros a seu respeito ou porque teria participado de eventos ou, tamb\u00e9m, porque teria figurado em pesquisa eleitoral, concorrendo com o pr\u00f3prio Lula.<\/p>\n<p>&#8220;V\u00e1rias medidas requeridas pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal foram indeferidas, como o indeferimento dos pedidos de pris\u00e3o tempor\u00e1ria de associados do ex-presidente e o indeferimento da condu\u00e7\u00e3o coercitiva da esposa do ex-presidente&#8221;, anotou Moro. &#8220;N\u00e3o vislumbro como se pode extrair dessas decis\u00f5es ou de qualquer outra decis\u00e3o interlocut\u00f3ria dos processos, motivada a aprecia\u00e7\u00e3o judicial pelo requerimento das partes, causa para suspei\u00e7\u00e3o. O fato da parte afetada, ainda que um ex-presidente, discordar dessas decis\u00f5es em nada altera o quadro. Confunde a defesa sua inconformidade com as decis\u00f5es judiciais com causas de suspei\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>S\u00e9rgio Moro prossegue. &#8220;N\u00e3o \u00e9 apropriado nesta exce\u00e7\u00e3o discutir a validade ou n\u00e3o das decis\u00f5es referidas, pois n\u00e3o \u00e9 a exce\u00e7\u00e3o de suspei\u00e7\u00e3o o local pr\u00f3prio para esse debate ou para impugn\u00e1-las. Portanto, de se concluir que a exce\u00e7\u00e3o de suspei\u00e7\u00e3o foi incorretamente utilizado para veicular a irresigna\u00e7\u00e3o da defesa do ex-presidente contra as referidas decis\u00f5es, n\u00e3o havendo, por\u00e9m, o apontamento de uma causa legal de suspei\u00e7\u00e3o. Invi\u00e1vel reconhecer suspei\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>O juiz da Lava Jato aponta &#8220;afirma\u00e7\u00f5es incorretas&#8221; dos defensores de Lula. &#8220;No que se refere \u00e0 condu\u00e7\u00e3o coercitiva, foi ela requerida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e a autoriza\u00e7\u00e3o foi concedida por decis\u00e3o em 29 de fevereiro de 2016, amplamente fundamentada. \u00c9 evidentemente inapropriado, como pretende o excipiente, equiparar a medida \u00e0 qualquer pris\u00e3o, ainda que provis\u00f3ria, uma vez que o investigado \u00e9 apenas levado para prestar depoimento, resguardado inclusive o direito ao sil\u00eancio, sendo liberado em seguida. Assim, o ex-presidente n\u00e3o se transformou em um preso pol\u00edtico por ter sido conduzido coercitivamente para prestar depoimento \u00e0 Pol\u00edcia Federal por pouca horas.&#8221;<\/p>\n<p>Moro citou os grampos que pegaram Lula. &#8220;Alguns di\u00e1logos sugeriam que o ex-presidente e associados tomariam provid\u00eancia para turbar a dilig\u00eancia, o que poderia colocar em risco os agentes policiais e mesmo terceiros.&#8221;<\/p>\n<p>O juiz citou como exemplo di\u00e1logo interceptado em 27 de fevereiro, entre Lula e o presidente do Partido dos Trabalhadores, Rui Falc\u00e3o, &#8220;no qual o primeiro afirma ter ci\u00eancia pr\u00e9via de que a busca e apreens\u00e3o seria realizada e revela cogitar &#8216;convocar alguns deputados para surpreend\u00ea-los&#8217;, medida que, ao final, n\u00e3o ultimou-se, mas que poderia colocar em risco a dilig\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Rigorosamente, a intercepta\u00e7\u00e3o revelou uma s\u00e9rie de di\u00e1logos do ex-presidente nos quais h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o de sua inten\u00e7\u00e3o de obstruir as investiga\u00e7\u00f5es, o que por si s\u00f3 poderia justificar, por ocasi\u00e3o da busca e apreens\u00e3o, a pris\u00e3o tempor\u00e1ria dele, tendo sido optado, por\u00e9m, pela medida menos gravosa da condu\u00e7\u00e3o coercitiva. A medida de condu\u00e7\u00e3o coercitiva, al\u00e9m de n\u00e3o ser equipar\u00e1vel a pris\u00e3o nem mesmo tempor\u00e1ria, era justificada, foi autorizada por decis\u00e3o fundamentada diante de requerimento do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e ainda haveria raz\u00f5es adicionais que n\u00e3o puderam ser ali consignadas pois atinentes a fatos sobre os quais havia sigilo decretado.&#8221;<\/p>\n<p>O juiz \u00e9 categ\u00f3rico. &#8220;Se houve explora\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do epis\u00f3dio, isso n\u00e3o ocorreu da parte deste julgador, que, ali\u00e1s, proibiu rigorosamente a utiliza\u00e7\u00e3o de algemas, a filmagem ou registro fotogr\u00e1fico do epis\u00f3dio. Nem aparenta ter havido explora\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do epis\u00f3dio pela Pol\u00edcia Federal ou pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal. Veja-se, ali\u00e1s, que as pr\u00f3prias fotos tiradas na data da condu\u00e7\u00e3o coercitiva e apresentadas pelo excipiente (Lula) como indicativos da explora\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do epis\u00f3dio ocorreram ap\u00f3s a dilig\u00eancia.&#8221; Moro cita foto de Lula deixando o diret\u00f3rio do PT em S\u00e3o Paulo na sexta-feira, 4 de mar\u00e7o, ap\u00f3s se pronunciar sobre a opera\u00e7\u00e3o de que foi alvo.<\/p>\n<p>O juiz aborda o grampo que pegou o telefone do escrit\u00f3rio do advogado Roberto Teixeira, defensor de Lula. &#8220;Foi autorizada, por decis\u00e3o de 26 de fevereiro de 2016, a intercepta\u00e7\u00e3o telef\u00f4nica somente do terminal de titularidade do advogado Roberto Teixeira, mas na condi\u00e7\u00e3o de investigado, ele mesmo, e n\u00e3o de advogado. Na ocasi\u00e3o da autoriza\u00e7\u00e3o de intercepta\u00e7\u00e3o, consignei, sucintamente, que, embora ele fosse advogado, teria representado Jonas Suassuna e Fernando Bittar na aquisi\u00e7\u00e3o do s\u00edtio de Atibaia, inclusive minutando as escrituras e recolhendo as assinaturas no escrit\u00f3rio de advocacia dele.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Considerando a suspeita do MPF de que o s\u00edtio em Atibaia represente vantagem indevida colocada em nome de pessoas interpostas, o envolvimento de Roberto Teixeira na transa\u00e7\u00e3o o coloca na posi\u00e7\u00e3o de poss\u00edvel part\u00edcipe do crime de lavagem.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Se o advogado, no caso Roberto Teixeira, se envolve em condutas criminais, no caso suposta lavagem de dinheiro por auxiliar o ex-presidente na aquisi\u00e7\u00e3o com pessoas interpostas do s\u00edtio em Atibaia, n\u00e3o h\u00e1 imunidade \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o a ser preservada, nem quanto \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o dele com seu cliente tamb\u00e9m investigado. Tamb\u00e9m constatado, pelo resultado da intercepta\u00e7\u00e3o, que o advogado cedia o seu telefone para utiliza\u00e7\u00e3o do ex-presidente, como se verifica no di\u00e1logo interceptado em 28 de fevereiro de 2016, \u00e0s 12:37, no referido terminal entre o ex-presidente e terceiro, mais ainda se justificando a medida de intercepta\u00e7\u00e3o &#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Rigorosamente, nos poucos di\u00e1logos interceptados no referido terminal e que foram selecionados como relevantes pela autoridade policial, n\u00e3o h\u00e1 nenhum que possa ser considerado como atinente \u00e0 discuss\u00e3o da defesa do ex-presidente.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Apenas da argumenta\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica da defesa do excipiente, no sentido de que teriam sido interceptados vinte e cinco advogados pela implanta\u00e7\u00e3o da medida no terminal (do escrit\u00f3rio de Teixeira) n\u00e3o h\u00e1 concretamente o apontamento de di\u00e1logos interceptados no referido terminal de outros advogados que n\u00e3o do pr\u00f3prio Roberto Teixeira e nem de di\u00e1logos cujo conte\u00fado dizem respeito ao direito de defesa. N\u00e3o corresponde \u00e0 realidade dos fatos a afirma\u00e7\u00e3o de que se buscou ou foram interceptados todos os advogados do escrit\u00f3rio de advocacia Teixeira Martins. Somente foi interceptado Roberto Teixeira, com resultados parcos, mas isso diante de ind\u00edcios de seu envolvimento em crimes de lavagem de dinheiro e n\u00e3o como advogado.&#8221;<\/p>\n<p>Moro fulmina a vers\u00e3o da defesa segundo a qual ele teria prejulgado a causa ao prestar informa\u00e7\u00f5es ao Supremo Tribunal Federal na Reclama\u00e7\u00e3o 23.457.<\/p>\n<p>&#8220;Aqui mais uma vez a Defesa confunde regular exerc\u00edcio da jurisdi\u00e7\u00e3o com causa de suspei\u00e7\u00e3o. A fiar-se na tese da defesa, bastaria ao investigado ou acusado, em qualquer processo, representar o juiz por imagin\u00e1rio abuso de poder, para lograr o seu afastamento do caso penal. N\u00e3o h\u00e1 como acolher tal tese por motivos \u00f3bvios. Em parte da exce\u00e7\u00e3o afirma o excipiente que o julgador seria suspeito por terem sido lan\u00e7ados livros por terceiros a seu respeito ou a respeito da assim denominada Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato. Faltou ao excipiente esclarecer como atos de terceiros podem justificar a suspei\u00e7\u00e3o do julgador. Falta seriedade \u00e0 argumenta\u00e7\u00e3o da defesa no t\u00f3pico, o que dispensa maiores coment\u00e1rios.&#8221;<\/p>\n<p>O juiz tamb\u00e9m rebateu a informa\u00e7\u00e3o dos advogados de Lula de que &#8220;j\u00e1 participou de diversos eventos pol\u00edticos&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Trata-se aqui de afirma\u00e7\u00e3o falsa. Este julgador jamais participou de evento pol\u00edtico. Nenhum dos eventos citados, organizados principalmente por \u00f3rg\u00e3os da imprensa, constitui evento pol\u00edtico.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Invi\u00e1vel acolher o pedido do Excipiente de suspens\u00e3o dos inqu\u00e9ritos e processos conexos, pois manifestamente contr\u00e1rio \u00e0 regra legal do artigo 111 do C\u00f3digo de Processo Penal e especialmente quando ausente fato objetivo que d\u00ea causa \u00e0 suspei\u00e7\u00e3o ou mesmo que justifique a interposi\u00e7\u00e3o da exce\u00e7\u00e3o&#8221;, concluiu S\u00e9rgio Moro.<\/p>\n<p><b>Defesa<\/b><\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao posicionamento de Moro, a defesa do ex-presidente divulgou a seguinte nota:<\/p>\n<p>&#8220;Na data de hoje (22\/07\/2016), o juiz Sergio Moro recusou-se a reconhecer que perdeu a imparcialidade para julgar o ex-Presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva e apresentou sua defesa para futuro julgamento pelo Tribunal Regional Federal da 4\u00aa. Regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A defesa apresentada por Moro, todavia, apenas deixou ainda mais evidente a sua parcialidade em rela\u00e7\u00e3o a Lula, pois a pe\u00e7a: (a) acusa; (b) nega, de forma inconsistente, as arbitrariedades praticadas; (c) faz indevidos ju\u00edzos de valor; e, ainda, (d) distorce e ignora fatos relevantes.<\/p>\n<p><strong>Juiz acusador<\/strong> &#8211;\u00a0Em documento remetido ao STF no dia 29\/03\/2016, o juiz Moro fez 12 acusa\u00e7\u00f5es contra Lula imputando-lhe pr\u00e1ticas criminosas e antecipou, indevidamente, ju\u00edzo de valor sobre a propriedade do s\u00edtio de Atibaia (SP), sobre o qual arvorou jurisdi\u00e7\u00e3o. A figura do juiz acusador \u00e9 incompat\u00edvel com a do juiz imparcial.<\/p>\n<p>Na manifesta\u00e7\u00e3o de hoje, Moro tenta amenizar sua indevida atua\u00e7\u00e3o acusat\u00f3ria contra o ex-Presidente sob o fundamento de que teria feito uso frequente das express\u00f5es \u2018cogni\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria\u2019, \u2019em princ\u00edpio\u2019 ou \u2018aparentemente\u2019. Essa situa\u00e7\u00e3o, todavia, n\u00e3o retrata a realidade, tanto \u00e9 que Moro transcreveu em sua defesa apenas 3 das 12 acusa\u00e7\u00f5es lan\u00e7adas no documento dirigido ao STF, escondendo a maioria de conte\u00fado flagrantemente acusat\u00f3rio. O escopo da manifesta\u00e7\u00e3o de Moro \u00e9 inequivocamente de um acusador, quaisquer que sejam as express\u00f5es que ele tenha utilizado para edulcorar aquele documento.<\/p>\n<p><strong>Arbitrariedades<\/strong> &#8211;\u00a0Ao contr\u00e1rio do que foi sustentado, o juiz Moro praticou diversas arbitrariedades contra o ex-Presidente Lula, principalmente ap\u00f3s ser deflagrada a 24\u00aa. Fase da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato. Lula foi indevidamente privado da sua liberdade em situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o prevista em lei, pois foi conduzido coercitivamente sem que tenha deixado de cumprir qualquer intima\u00e7\u00e3o previamente. J\u00e1 o levantamento do sigilo das conversas interceptadas nos ramais telef\u00f4nicos utilizados pelo ex-Presidente, seus familiares, colaboradores e advogados \u00e9 expressamente vedado em lei e pode configurar crime. Quanto a este ponto, as pr\u00f3prias decis\u00f5es proferidas pelo STF indicam que n\u00e3o houve um mero erro do julgador, at\u00e9 porque a lei n\u00e3o comporta qualquer interpreta\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja a preserva\u00e7\u00e3o do sigilo. Houve inequ\u00edvoca inten\u00e7\u00e3o do juiz de produzir efeitos estranhos ao processo, para criar empecilhos jur\u00eddicos e pol\u00edticos a Lula.<\/p>\n<p>Essas arbitrariedades foram encaminhadas ao Procurador Geral da Rep\u00fablica em 16\/06\/2016 para an\u00e1lise sobre o eventual cometimento de abuso de autoridade pelo Juiz Moro, estando pendentes de an\u00e1lise.<\/p>\n<p><strong>Ju\u00edzos indevidos de valor<\/strong> &#8211;\u00a0O excesso de medidas cautelares injustificadas j\u00e1 autorizadas pelo juiz Sergio Moro contra Lula \u00e9 outro fator que n\u00e3o deixa d\u00favida de que ele aderiu precocemente a uma tese acusat\u00f3ria e, com isso, tornou-se parcial no caso. No documento emitido hoje, Moro volta a fazer indevidos ju\u00edzos de valor na tentativa &#8211; inalcan\u00e7\u00e1vel &#8211; de justificar tais medidas.<\/p>\n<p><strong>Distor\u00e7\u00f5es<\/strong> &#8211;\u00a0Na defesa Moro ignora o fato de ter participado e prestigiado o lan\u00e7amento do livro do jornalista Vladimir Neto sobre a Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato &#8211; que coloca Lula, indevidamente, em papel central. Os direitos da obra j\u00e1 foram vendidos para a produ\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie pela empresa norte-americana Netflix.<\/p>\n<p>O juiz ainda tergiversa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua participa\u00e7\u00e3o em eventos envolvendo pol\u00edticos que fazem oposi\u00e7\u00e3o a Lula, chegando at\u00e9 mesmo a negar a liga\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o D\u00f3ria J\u00fanior, pr\u00e9-candidato \u00e0 prefeitura de S\u00e3o Paulo e autor de diversos atos difamat\u00f3rios contra Lula, nos eventos organizados pela empresa Lide da qual \u00e9 not\u00f3rio propriet\u00e1rio. Falta sinceridade na manifesta\u00e7\u00e3o de Sergio Moro quando alega que n\u00e3o pode influir na linha editorial contraria a Lula dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, como se desconhecesse esse fato ao aceitar convites para atos que envolvem atores pol\u00edticos e de propaganda opressiva.<\/p>\n<p>Ao deixar de reconhecer que perdeu a imparcialidade para julgar Lula, diante de t\u00e3o relevantes fatos, o juiz Moro comete inequ\u00edvoco atentado contra a Constitui\u00e7\u00e3o Federal e, ainda, contra os Tratados Internacionais que o Brasil se obrigou a cumprir, que asseguram a figura de um juiz imparcial e de um julgamento justo.<\/p>\n<p>Os advogados de Lula tomar\u00e3o todas as provid\u00eancias necess\u00e1rias para que seu cliente n\u00e3o seja submetido a novas arbitrariedades<\/p>\n<p>Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira&#8221;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fausto Macedo, Julia Affonso e Mateus Coutinho Em despacho de quinze p\u00e1ginas, o juiz federal S\u00e9rgio Moro rebateu, um a um, os argumentos da defesa do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva que pedia sua suspei\u00e7\u00e3o para continuar na condu\u00e7\u00e3o das investiga\u00e7\u00f5es sobre o petista. 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