{"id":108837,"date":"2016-07-23T09:22:18","date_gmt":"2016-07-23T12:22:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=108837"},"modified":"2016-07-30T16:28:39","modified_gmt":"2016-07-30T19:28:39","slug":"guerra-civil-espanhola-chega-a-sao-paulo-com-mostra-de-fotos-que-correram-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/guerra-civil-espanhola-chega-a-sao-paulo-com-mostra-de-fotos-que-correram-o-mundo\/","title":{"rendered":"Guerra Civil Espanhola chega a S\u00e3o Paulo com fotos que correram o mundo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Marli Moreira<\/strong><\/p>\n<p>Depois passar por cidades dos Estados Unidos, da Fran\u00e7a, do M\u00e9xico, da Espanha e da Hungria, chega ao Brasil a exposi\u00e7\u00e3o A Valise Mexicana: A Redescoberta dos Negativos da Guerra Civil Espanhola. Com entrada gratuita, a mostra teve in\u00edcio neste s\u00e1bado, 23, no pr\u00e9dio da Caixa, na Pra\u00e7a da S\u00e9, onde fica at\u00e9 o dia 2 de outubro.<\/p>\n<p>A mostra, em parceria com o International Center of Photography (ICP), marca os 80 anos da Guerra Civil Espanhola, reunindo, em dois andares da Caixa, documentos que estavam perdidos h\u00e1 quase 70 anos. Entre os itens expostos est\u00e3o 176 imagens, aproximadamente 70 reprodu\u00e7\u00f5es de revistas da \u00e9poca e dois v\u00eddeos, em uma montagem conjunta da Caixa Cultural S\u00e3o Paulo e do International Center of Photography (ICP), com curadoria de Cynthia Young, do ICP.<\/p>\n<p>Os negativos recuperados registram cenas de confronto durante a Guerra Civil Espanhola, que se prolongou de julho de 1936 a abril de 1939, ap\u00f3s uma fracassada tentativa de golpe de estado. Todo esse material estava em uma valise que continha 4,5 mil negativos referentes \u00e0s cenas capturadas pelas lentes dos fotojornalistas Robert Capa, Gerda Taro e David Seymour (Chim), conhecidos internacionalmente, pela difus\u00e3o das atrocidades que presenciaram durante o conflito.<\/p>\n<p>\u201c[Esse trabalho] trouxe \u00e0 tona uma est\u00e9tica fotogr\u00e1fica de guerra jamais vista at\u00e9 ent\u00e3o. Esses negativos ficaram perdidos por quase 70 anos, muita coisa mudou no mundo desde ent\u00e3o. Outro fator importante \u00e9 termos a oportunidade de ver os contatos dos filmes, a sequ\u00eancia cronol\u00f3gica do olhar de cada um desses fot\u00f3grafos\u201d, explicou Camila Garcia, uma das coordenadoras da exposi\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 pesquisadora do Centro Interdisciplinar de Semi\u00f3tica da Cultura e da M\u00eddia (CISC \u2013 PUC\/SP).<\/p>\n<p><strong>Mem\u00f3ria<\/strong> &#8211; A pesquisadora contou que, em outubro de 1939, quando as for\u00e7as alem\u00e3s se aproximavam de Paris, Robert Capa deixou a Valise, \u00e0s pressas, rumo a Nova York, a fim de evitar sua pris\u00e3o como inimigo estrangeiro ou simpatizante comunista.<\/p>\n<p>O que se sabe \u00e9 que o fotojornalista deixou todos seus negativos em seu est\u00fadio da Rua Froidevaux 37, sob os cuidados de seu revelador e amigo fot\u00f3grafo h\u00fangaro Imre &#8220;Csiki&#8221; Weiss ( 1911-2006). Ela teria sido entregue, em 1941 ou 1942 ao general Francisco Aguilar Gonz\u00e1lez, at\u00e9 ent\u00e3o o embaixador mexicano em Vichy.<\/p>\n<p>Apenas em 2007 \u00e9 que a mala foi encontrada na Cidade do M\u00e9xico e entregue ao irm\u00e3o do rep\u00f3rter fotogr\u00e1fico, Cornell Capa.<\/p>\n<p>O nome verdadeiro de Robert Capa \u00e9 Endre Ern\u00f6 Friedmann. Nascido na Hungria, em 1913, ele deixou o pa\u00eds aos 17 anos para estudar jornalismo em Berlim, na Alemanha, onde iniciou a carreira como fot\u00f3grafo. Em 1933, mudou-se para Paris, onde conheceu Chim e Taro e nessa mesma d\u00e9cada acabou tendo o talento profissional reconhecido ap\u00f3s a primeira grande cobertura de guerra, indo para a Espanha. Gra\u00e7as \u00e0 coragem dele, \u00e9 poss\u00edvel ver imagens de edif\u00edcios destru\u00eddos, de batalhas, ou da mobiliza\u00e7\u00e3o para a defesa de Barcelona, ou o \u00eaxodo de espanh\u00f3is em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 fronteira francesa.<\/p>\n<p>Chim, cujo nome de batismo era Dawid Szymin, chegou a Paris como imigrante da Pol\u00f4nia com o objetivo de trabalhar para ajudar a fam\u00edlia e logo conseguiu emprego de fot\u00f3grafo. Mas al\u00e9m do sustento, ganhou fama ao retratar cenas sobre ocorr\u00eancias policiais.<\/p>\n<p>Na mesma \u00e9poca, a alem\u00e3 Gerta Pohorylle foi para Paris com o nome de Gerda Taro, tornando-se a primeira mulher a ser reconhecida pelo trabalho em fotojornalismo. Ela retratou cenas dram\u00e1ticas nas linhas de frente da guerra na Espanha, em companhia de Robert Capa. Ambos chegaram \u00e0 Espanha, em agosto de 1936 para trabalhar como freelancers e tinham o objetivo de documentar a causa republicana para a imprensa francesa.<\/p>\n<p>Para isso, se posicionaram nas linhas de frente da batalha, onde poderiam captar as melhores imagens. Mas Gerda morreu em meio aos combates, atingida por um tanque de guerra, enquanto cobria a Batalha de Brunete, um momento importante da guerra em 1937, nas proximidades de Madrid. Ela deixou imagens captadas em um treinamento do ex\u00e9rcito popular em Val\u00eancia, o front de Segovia, e tamb\u00e9m fotografias, tiradas enquanto ela cobria a batalha de Brunete.<\/p>\n<p>J\u00e1 Chim registrou o que acontecia em consequ\u00eancia do conflito, mas fora dos locais de combate, fotografando personalidades importantes e o dia a dia de soldados e camponeses nas cidades afetadas pela guerra.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marli Moreira Depois passar por cidades dos Estados Unidos, da Fran\u00e7a, do M\u00e9xico, da Espanha e da Hungria, chega ao Brasil a exposi\u00e7\u00e3o A Valise Mexicana: A Redescoberta dos Negativos da Guerra Civil Espanhola. 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