{"id":109211,"date":"2016-07-27T09:21:48","date_gmt":"2016-07-27T12:21:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=109211"},"modified":"2016-07-27T09:21:48","modified_gmt":"2016-07-27T12:21:48","slug":"dinheiro-para-pagar-contas-de-delcidio-chegava-aos-milhares-em-caixa-diz-delator","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/dinheiro-para-pagar-contas-de-delcidio-chegava-aos-milhares-em-caixa-diz-delator\/","title":{"rendered":"Dinheiro para pagar contas de Delc\u00eddio chegava aos milhares, em caixa, diz delator"},"content":{"rendered":"<div id=\"Corpo\">\n<h6 class=\"Assina\"><strong>Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo<\/strong><\/h6>\n<p>O economista Ant\u00f4nio Alberto Leite Godinho afirmou \u00e0 Pol\u00edcia Federal que, entre 2006 e 2007, em nome do ent\u00e3o senador Delc\u00eddio Amaral (sem partido, ex-PT-MS), recebeu R$ 1,5 milh\u00e3o do operador de propinas e delator da Lava Jato Fernando Falc\u00e3o Soares, o Fernando Baiano. Godinho afirmou que foram enviados a ele &#8220;em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, pacotes de dinheiro deixados na portaria do pr\u00e9dio&#8221;. Os valores pagaram, segundo o economista, credores da campanha de Delc\u00eddio ao governo do Mato Grosso do Sul, em 2006.<\/p>\n<p>Um interlocutor identificado como &#8220;Godinho&#8221; havia sido citado pelo ex-diretor da \u00e1rea Internacional da Petrobras Nestor Cerver\u00f3 em mar\u00e7o deste ano. Cerver\u00f3 afirmou, em dela\u00e7\u00e3o premiada, que em 2006 Delc\u00eddio pediu contribui\u00e7\u00e3o financeira para &#8220;auxili\u00e1-lo na campanha eleitoral&#8221;. Ele declarou que Baiano repassou US$ 1,5 milh\u00e3o &#8220;a uma pessoa ligada a Delc\u00eddio do Amaral de nome Godinho, indicada pelo senador&#8221;.<\/p>\n<p>Em sua dela\u00e7\u00e3o, Delc\u00eddio relatou que disse a Cerver\u00f3 que Godinho, &#8220;amigo de longa data&#8221; iria procur\u00e1-lo para receber US$ 1 milh\u00e3o, a ser entregue por Fernando Baiano. O ex-senador afirmou que o valor recebido n\u00e3o foi contabilizado oficialmente por ele e as d\u00edvidas de campanha foram pagas. Delc\u00eddio declarou ainda se arrepender &#8220;da campanha eleitoral que disputou em 2006 e que soube, posteriormente, que a origem desses recursos teria advindo de propinas pagas a partir da compra da Refinaria de Pasadena, no valor global de US$ 15 milh\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>O depoimento de Godinho foi prestado em 25 de maio de 2016. \u00c0 PF, ele contou que estudou com Delc\u00eddio no Col\u00e9gio S\u00e3o Luiz, em S\u00e3o Paulo. Em 2002, segundo Godinho, ele organizou um encontro da turma de escola para comemorar trinta anos de formatura e se reaproximou de Delc\u00eddio, rec\u00e9m-eleito senador.<\/p>\n<p>&#8220;Ap\u00f3s essa reaproxima\u00e7\u00e3o, o declarante teve a oportunidade de acompanhar Delc\u00eddio do Amaral, em entrevistas e eventos, quando realizados em S\u00e3o Paulo, al\u00e9m de t\u00ea-lo encontrado em diversas ocasi\u00f5es, sobretudo de cunho social, envolvendo as fam\u00edlias de ambos&#8221;, relatou Godinho, que disse ter ocupado cargos na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, &#8220;tais como na Casa Civil do Estado de S\u00e3o Paulo, no Minist\u00e9rio da Agricultura e na Companhia de Saneamento B\u00e1sico do Estado de S\u00e3o Paulo (Sabesp)&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Em algum dos encontros que travou com Delc\u00eddio Amaral, este lhe mostrou uma lista com diversas pessoas e empresas, as quais seriam credores da campanha eleitoral ao Governo do Estado do Mato Grosso do Sul, realizada naquele ano de 2006; que o ent\u00e3o senador queixou-se de que estava enfrentando muitas dificuldades para saldar tais d\u00edvidas, alegando que rec\u00e9m havia obtido a possibilidade de um apoio financeiro no Rio de Janeiro; perguntando ao declarante (Ant\u00f4nio Godinho) se este poderia prestar-lhe ajuda para a operacionaliza\u00e7\u00e3o desses pagamentos; que a tarefa do declarante seria apanhar os valores e realizar o pagamento dos credores das d\u00edvidas de campanha&#8221;, disse Godinho em depoimento.<\/p>\n<p>De acordo com o economista, Delc\u00eddio ent\u00e3o lhe passou um n\u00famero de telefone para que fosse feito um primeiro contato com Fernando Baiano, &#8220;que seria o respons\u00e1vel por disponibilizar os valores no Rio&#8221;. Ant\u00f4nio Godinho declarou que ligou para Baiano e foi orientando a comparecer no Rio de Janeiro, &#8220;em endere\u00e7o do qual n\u00e3o recorda&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Ao chegar no endere\u00e7o, o declarante conversou pessoalmente com Fernando Soares, mas n\u00e3o obteve nenhum valor, tendo apenas tratado a respeito&#8221;, disse. &#8220;Fernando Soares confirmou que disponibilizaria os valores, cerca de R$ 1,5 milh\u00e3o, mas n\u00e3o dispunha, naquela oportunidade, de nenhuma parcela dessa monta &#8221;<\/p>\n<p>No depoimento, Ant\u00f4nio Godinho contou que duas outras idas seguintes ao Rio, tamb\u00e9m para cobrar valores de Fernando Baiano, foram &#8220;sem sucesso&#8221;. &#8220;Em algum momento das tratativas com Fernando Soares ficou acertado que o dinheiro seria levado at\u00e9 a resid\u00eancia do declarante (Ant\u00f4nio Godinho), em S\u00e3o Paulo, o que de fato ocorreu; que esclarece que foram enviados ao declarante, em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, pacotes de dinheiro deixados na portaria do pr\u00e9dio; que tais valores estavam acondicionados em caixas cobertas por papel pardo, contendo o nome do declarante; que foram entre cinco e sete entregas de dinheiro realizadas&#8221;, aponta o depoimento.<\/p>\n<p>&#8220;O ex-senador Delc\u00eddio apenas perguntava ao declarante se estava correndo tudo bem, referindo-se \u00e0 chegada do dinheiro e aos pagamentos; que o intervalo de tempo entre cada remessa de dinheiro ficava entre quinze e vinte dias, salvo engano; que, no total, o declarante acredita que tenha recebido em torno de R$ 1,5 milh\u00e3o&#8221;, relatou.<\/p>\n<p>Godinho declarou que &#8220;por desempenhar essas tarefas&#8221;, recebeu do ex-senador ressarcimento dos gastos que teve com passagens a\u00e9reas e demais despesas relacionadas \u00e0s viagens, e uma pequena compensa\u00e7\u00e3o financeira de cerca de R$ 6 mil a R$ 8 mil.<\/p>\n<p>Os valores foram solicitados, disse Godinho, &#8220;em face do grande transtorno que teve ao realizar os pagamentos no interesse do ex-senador&#8221;. Segundo o economista, ao receber os valores de Fernando Baiano, ele passava a pagar os credores de Delc\u00eddio, &#8220;seguindo as prioridades que o ex-senador tinha indicado&#8221;.<\/p>\n<p>O economista afirmou que &#8220;nunca teve conhecimento quanto \u00e0 origem dos valores que Fernando Soares enviou \u00e0 sua resid\u00eancia&#8221;. A PF questionou Godinho se &#8220;pelas circunst\u00e2ncias como foram enviados os valores (de forma arriscada e sem o uso do sistema financeiro)&#8221;, ele nunca teria se questionado sobre a licitude do dinheiro.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo O economista Ant\u00f4nio Alberto Leite Godinho afirmou \u00e0 Pol\u00edcia Federal que, entre 2006 e 2007, em nome do ent\u00e3o senador Delc\u00eddio Amaral (sem partido, ex-PT-MS), recebeu R$ 1,5 milh\u00e3o do operador de propinas e delator da Lava Jato Fernando Falc\u00e3o Soares, o Fernando Baiano. 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