{"id":110152,"date":"2016-07-31T08:08:16","date_gmt":"2016-07-31T11:08:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=110152"},"modified":"2016-07-31T22:09:50","modified_gmt":"2016-08-01T01:09:50","slug":"crocodilo-que-se-preza-mantem-a-postura-e-engole-os-pioneiros-de-araque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/crocodilo-que-se-preza-mantem-a-postura-e-engole-os-pioneiros-de-araque\/","title":{"rendered":"Crocodilo que se preza mant\u00e9m a postura e engole os pioneiros de araque, diria Jorge Martins"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jos\u00e9 Escarlate<\/strong><\/p>\n<p>Muitos dos que se dizem pioneiros de primeira hora, s\u00f3 chegaram por aqui a partir dos anos 70. N\u00e3o comeram a poeira dos primeiros dias, n\u00e3o precisaram brigar por casas ou apartamentos, n\u00e3o lutaram por um emprego.<\/p>\n<p>Vinham com tudo arranjado, apartamentos j\u00e1 decorados, alfombras \u2013 como dizem os argentinos ao se referirem aos tapetes &#8211; e com cortinas, al\u00e9m de m\u00f3veis da Mainline. Empregos garantidos em gabinete com ar refrigerado e outras bossas, al\u00e9m de muita mordomia.<\/p>\n<p>Um velho amigo, companheiro da jornada her\u00f3ica de Bras\u00edlia foi o Jorge Martins, que sempre se revoltou com o pioneirismo dos aproveitadores. Jorge Martins viveu muitos anos entre n\u00f3s como o Crocodilo, famoso da capital.<\/p>\n<p>Crocodilo lembrava o que surgia de gente \u201cfantasiada de pioneiro\u201d nas proximidades de 21 de abril, anivers\u00e1rio de Bras\u00edlia E criticava afirmando ser \u201cuma atitude at\u00e9 injuriosa aos homens e mulheres que realmente ajudaram a erguer a cidade\u201d. Muitos baixaram por aqui em 1956, quando caminh\u00f5es e tratores faziam o maior movimento de terra de que se tem not\u00edcia, numa cidade com avenidas ainda n\u00e3o definidas.<\/p>\n<p>\u201cA seleta primeira rela\u00e7\u00e3o \u2013 assinala ele \u2013 era realmente constitu\u00edda por pessoas que chegaram a Bras\u00edlia em 1957 e 1960. E at\u00e9 um pouco antes. Depois vieram outros tantos, que pertenciam ao chamado grupo secund\u00e1rio da mudan\u00e7a da capital para Bras\u00edlia. Da\u00ed para a frente, aconteceu um verdadeiro estupro dessa condi\u00e7\u00e3o. Mesmo no Clube dos Pioneiros, existem \u201cpioneiros\u201d at\u00e9 das d\u00e9cadas de 70 e 80\u201d. Sou do grupo de 58\/60, que \u00e0 \u00e9poca eles chamavam de \u201cpiot\u00e1rios\u201d, aqueles que comeram muita poeira vermelha, barro, lama.<\/p>\n<p>Era a \u00e9poca her\u00f3ica da cervejinha e da soda limonada no Mocambo. A caminhada seguinte era uma esticada na Cidade Livre e bater papo com as \u201cprimas\u201d, que a todos encantavam, nos cabar\u00e9s Night and Day e Tiroleza\u201d. Naqueles tempos, segundo o Jorge Martins, a m\u00e9dia constatada de mulheres em Bras\u00edlia era de uma para cada grupo de 70 homens, o que n\u00e3o \u00e9 mole.<\/p>\n<p>\u201cPrograma social, de fato \u2013 dizia &#8211; s\u00f3 havia dois. O da boate do Bras\u00edlia Palace, sextas e s\u00e1bados, que era mais sofisticado, ou ao dancing da Caixa Econ\u00f4mica Federal, num barrac\u00e3o improvisado nas imedia\u00e7\u00f5es da W-4 Sul\u201d.<\/p>\n<p>Era a chamada Casa Preta, muitas vezes frequentada pelo arquiteto Oscar Niemeyer e os engenheiro que ajudaram a construir esta cidade. \u201cNo mais, tome Night and Day e tome Tiroleza!\u201d E por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>Revoltado, Crocodilo n\u00e3o aceitava que pegassem carona na nossa hist\u00f3ria, se dizendo pioneiros. \u201cS\u00e3o pioneiros de araque. S\u00e3o, sim, oportunistas, e olhe l\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>De uma feita, o Jorge Martins, nos tempos do Correio Braziliense, me fez locutor oficial do est\u00e1dio Man\u00e9 Garrincha, nos tempos do ent\u00e3o diretor Takeshi Koressawa.<\/p>\n<p>Vida que segue, muitas vezes ia com a turma da Ag\u00eancia almo\u00e7ar, aos domingos, no restaurante do Hotel Santos Dumont, na Cidade Livre. A casa era de madeira, mas servia uma comida italiana da melhor qualidade. Coisa caprichada, principalmente para quem \u00e9 neto de italianos e estava comendo a poeira do cerrado, como eu. Comando do Mario Canevari, um milan\u00eas de boa cepa, com a inestim\u00e1vel ajuda da Dona Teresa, tamb\u00e9m italiana, e que pilotava o fog\u00e3o. Ambos, a bem da verdade, adoravam um papo, uma boa prosa. E jornalista tamb\u00e9m gosta muito de jogar conversa fora. Assim, o almo\u00e7o se estendia at\u00e9 o escurecer.<\/p>\n<p>Pouco depois da inaugura\u00e7\u00e3o da capital, eles resolveram mudar o ramo de neg\u00f3cio. Passaram o restaurante adiante e decidiram trabalhar t\u00e3o somente com material de constru\u00e7\u00e3o. Bras\u00edlia chamava para isso. Era um imenso canteiro de obras e a venda de material de constru\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de mais rent\u00e1vel, n\u00e3o gerava preju\u00edzo causado por falta de freguesia ou por produtos estragados, no caso da comida. Dava menos trabalho e mais lucro ao casal. Como costuma dizer o nordestino, no seu linguajar diferente e simples, \u201cseu Mario e Dona Teresa enricaram r\u00e1pido\u201d.<\/p>\n<p>Quanto mais tempo circul\u00e1vamos pelos canteiros de obras, novos conhecimentos eram feito. E isso me valeu bastante.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-83053\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/PV.png\" alt=\"PV\" width=\"122\" height=\"26\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Escarlate Muitos dos que se dizem pioneiros de primeira hora, s\u00f3 chegaram por aqui a partir dos anos 70. N\u00e3o comeram a poeira dos primeiros dias, n\u00e3o precisaram brigar por casas ou apartamentos, n\u00e3o lutaram por um emprego. 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