{"id":110417,"date":"2016-08-02T07:20:54","date_gmt":"2016-08-02T10:20:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=110417"},"modified":"2016-08-02T13:53:50","modified_gmt":"2016-08-02T16:53:50","slug":"restava-um-lobo-em-pele-de-cordeiro-e-a-lava-jato-pega-a-queiroz-galvao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/restava-um-lobo-em-pele-de-cordeiro-e-a-lava-jato-pega-a-queiroz-galvao\/","title":{"rendered":"Restava um lobo em pele de cordeiro. E a Lava Jato pega a Queiroz Galv\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"Corpo\">\n<p><strong>Ricardo Brandt, F\u00e1bio Serapi\u00e3o, Fausto Macedo, Julia Affonso e Mateus Coutinho<\/strong><\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Federal (PF) deflagrou na manh\u00e3 desta ter\u00e7a-feira, 2, a Opera\u00e7\u00e3o Resta Um, etapa de n\u00famero 33 da Lava Jato. Cerca de 150 policiais cumprem mandados em diversos munic\u00edpios brasileiros. O alvo \u00e9 a construtora Queiroz Galv\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e3o 23 mandados de busca e apreens\u00e3o, dois de pris\u00e3o preventiva, um de pris\u00e3o tempor\u00e1ria e cinco de condu\u00e7\u00e3o coercitiva em cidades dos Estados de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Goi\u00e1s, Pernambuco e Minas Gerais.\u00a0Os executivos da Queiroz Galv\u00e3o s\u00e3o investigados, de acordo com a PF, &#8220;pela pr\u00e1tica sistem\u00e1tica de pagamentos indevidos a diretores e funcion\u00e1rios da Petrobras&#8221;.<\/p>\n<p>A PF informou que os executivos da empresa s\u00e3o investigados, &#8220;pela pr\u00e1tica sistem\u00e1tica de pagamentos indevidos a diretores e funcion\u00e1rios da Petrobras&#8221;.<\/p>\n<p>Na 33.\u00aa fase da Opera\u00e7\u00e3o da Lava Jato, s\u00e3o cumpridos pela Pol\u00edcia Federal mandados com a finalidade de obter provas adicionais de crimes de organiza\u00e7\u00e3o criminosa, cartel, fraudes licitat\u00f3rias, corrup\u00e7\u00e3o e lavagem de dinheiro, relacionados a contratos firmados pela empreiteira Queiroz Galv\u00e3o com a estatal petrol\u00edfera.<\/p>\n<p>Os alvos s\u00e3o dirigentes e funcion\u00e1rios da Queiroz Galv\u00e3o e do cons\u00f3rcio Quip S\/A, do qual a empreiteira mencionada era acionista l\u00edder.<\/p>\n<p>As investiga\u00e7\u00f5es indicam que a Queiroz Galv\u00e3o formou, com outras empresas, um cartel de empreiteiras que participou ativamente de ajustes para fraudar licita\u00e7\u00f5es da Petrobras. Esse cartel maximizou os lucros das empresas privadas e gerou preju\u00edzos bilion\u00e1rios para a estatal.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos ajustes e fraude a licita\u00e7\u00f5es, as evid\u00eancias colhidas nas investiga\u00e7\u00f5es revelam que houve corrup\u00e7\u00e3o, com o pagamento de propina a funcion\u00e1rios da Petrobras.<\/p>\n<p>Segundo a Lava Jato, executivos da Queiroz Galv\u00e3o pagaram valores indevidos em favor de altos funcion\u00e1rios das diretorias de Servi\u00e7os e de Abastecimento. Em sua parte j\u00e1 rastreada e comprovada, as propinas se aproximam da cifra de R$ 10 milh\u00f5es. Esses crimes est\u00e3o comprovados, segundo a PF, por farta prova documental que corroborou o depoimento de, pelo menos, cinco colaboradores, sendo tr\u00eas deles dirigentes de empreiteiras.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m disso, a investiga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m objetiva se aprofundar sobre os fortes ind\u00edcios existentes de que milh\u00f5es de d\u00f3lares em propinas foram transferidos em opera\u00e7\u00f5es feitas por meio de contas secretas no exterior.<\/p>\n<p>As evid\u00eancias apontam que os pagamentos foram feitos tanto pela Queiroz Galv\u00e3o quanto pelo cons\u00f3rcio Quip. A hip\u00f3tese tem por base depoimentos de colaboradores e comprovantes de repasses milion\u00e1rios feitos pelo trust Quadris, vinculado ao Quip, para diversas contas, favorecendo funcion\u00e1rios da Petrobras.<\/p>\n<p>Por fim, as medidas deflagradas buscam colher provas adicionais do delito de obstru\u00e7\u00e3o \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o criminosa pela ent\u00e3o realizada Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) da Petrobras, em 2009.<\/p>\n<p>H\u00e1 ind\u00edcios, que incluem a palavra de colaboradores e um v\u00eddeo, de que 10 milh\u00f5es de reais em propina foram pagos pela Queiroz Galv\u00e3o com o objetivo de evitar que as apura\u00e7\u00f5es da CPI tivessem sucesso em descobrir os crimes que j\u00e1 haviam sido praticados at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>A procuradora da Rep\u00fablica Jerusa Viecili destacou a import\u00e2ncia para a investiga\u00e7\u00e3o dos acordos de colabora\u00e7\u00e3o e de leni\u00eancia firmados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, &#8220;pois iluminam o caminho a percorrer para a obten\u00e7\u00e3o de provas, quando n\u00e3o s\u00e3o acompanhados j\u00e1 pela apresenta\u00e7\u00e3o de evid\u00eancias consistentes dos crimes praticados&#8221;.<\/p>\n<p>Afirmou ainda que chama a aten\u00e7\u00e3o &#8220;a ousadia da empresa investigada, traduzida pela atua\u00e7\u00e3o profissional e sofisticada no pagamento de propinas em contratos p\u00fablicos durante longo per\u00edodo de tempo, mediante a utiliza\u00e7\u00e3o de expedientes complexos de lavagem de dinheiro, inclusive no exterior&#8221;.<\/p>\n<p>O Grupo Queiroz Galv\u00e3o foi identificado, durante a Lava Jato, como o terceiro com maior volume de contratos celebrados com a Petrobras, alcan\u00e7ando um total superior a R$ 20 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>O hist\u00f3rico de envolvimento do grupo com grandes esquemas de corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 in\u00e9dito, j\u00e1 figurado nas opera\u00e7\u00f5es Monte Carlo, Castelo de Areia e Navalha &#8211; tendo sido as duas \u00faltimas anuladas nos tribunais superiores.<\/p>\n<p>Segundo o procurador Diogo Castor, a banaliza\u00e7\u00e3o das anula\u00e7\u00f5es de provas representa um alento para os criminosos que j\u00e1 tiveram participa\u00e7\u00e3o em esquemas criminosos provados. &#8220;Infelizmente se essas opera\u00e7\u00f5es tivessem um m\u00ednimo de efetividade, talvez a Lava Jato nem precisasse existir&#8221; assinalou.<\/p>\n<p>J\u00e1 o coordenador da for\u00e7a-tarefa Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, ressaltou a gravidade da obstru\u00e7\u00e3o dos trabalhos de apura\u00e7\u00e3o de 2009, porque &#8220;a investiga\u00e7\u00e3o da CPI era como um guardi\u00e3o da Petrobras. As evid\u00eancias indicam que o ladr\u00e3o roubou a casa e, em seguida, matou o vigia&#8221;.<\/p>\n<p>Dallagnol sublinhou, ainda, na mesma linha de Castor que &#8220;a corrup\u00e7\u00e3o que colhemos \u00e9 fruto da impunidade dos crimes passados. Esses crimes investigados hoje s\u00e3o filhos de um sistema de justi\u00e7a criminal disfuncional, o qual falhou em punir casos pret\u00e9ritos em que as mesmas empresas da Lava Jato eram investigadas&#8221;.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ricardo Brandt, F\u00e1bio Serapi\u00e3o, Fausto Macedo, Julia Affonso e Mateus Coutinho A Pol\u00edcia Federal (PF) deflagrou na manh\u00e3 desta ter\u00e7a-feira, 2, a Opera\u00e7\u00e3o Resta Um, etapa de n\u00famero 33 da Lava Jato. 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