{"id":111612,"date":"2016-08-11T08:48:58","date_gmt":"2016-08-11T11:48:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=111612"},"modified":"2016-08-11T08:50:40","modified_gmt":"2016-08-11T11:50:40","slug":"rolando-boldrin-80-anos-volta-aos-palcos-na-companhia-do-violao-e-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/rolando-boldrin-80-anos-volta-aos-palcos-na-companhia-do-violao-e-deus\/","title":{"rendered":"Rolando Boldrin, 80 anos, volta aos palcos na companhia do viol\u00e3o e de Deus"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Lauro Lisboa Garcia<\/strong><\/h6>\n<p>Fazia mais de 10 anos que Rolando Boldrin n\u00e3o lan\u00e7ava um disco e 20 que n\u00e3o se apresentava em lugares abertos ao p\u00fablico em S\u00e3o Paulo. Agora\u00a0o cantador, compositor, ator, apresentador de TV e contador de causos estar\u00e1 no Teatro J. Safra iniciando as comemora\u00e7\u00f5es de seus 80 anos (a se completar em 22\/10).<\/p>\n<p>&#8220;Serei eu, o viol\u00e3o e Deus&#8221;, brinca, fazendo trocadilho com uma de suas composi\u00e7\u00f5es mais conhecidas. O roteiro tem can\u00e7\u00f5es do novo CD, Lambendo a Colher (Selo Sesc), intercaladas com causos e cl\u00e1ssicos como as autorais Eu, a Viola e Deus e Vide, Vida Marvada, tema do programa Sr. Brasil, que comanda h\u00e1 11 anos na TV Cultura.<\/p>\n<p>Representante &#8220;t\u00e3o \u00edntimo da terra&#8221; (como proferiu o escritor ga\u00facho Erico Verissimo), o artista que come\u00e7ou a carreira ainda jovem em S\u00e3o Joaquim da Barra (interior de S\u00e3o Paulo, onde nasceu), mant\u00e9m-se atento \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de artistas novos e tamb\u00e9m aos veteranos que n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o na m\u00eddia convencional.<\/p>\n<p>Ator eventual, com passagens pelo teatro e por telenovelas, ele volta a atuar no cinema, no novo filme de Selton Mello, com lan\u00e7amento previsto para 2017. Nesta entrevista, Boldrin fala do novo disco, critica a m\u00fasica sertaneja de alto consumo e lembra momentos importantes da carreira.<\/p>\n<p><b>Nesse novo CD, voc\u00ea continua a &#8220;tirar o Brasil da gaveta&#8221;, como naquele seu projeto de 2006, buscando na mem\u00f3ria raridades de Tom Jobim, Ary Barroso, Noel Rosa, Geraldo Vandr\u00e9, al\u00e9m das suas. Interessante que O Tal da Barata n\u00e3o foi inclu\u00edda nem na caixa com a obra completa de Noel. Ningu\u00e9m gravou isso?<\/b><\/p>\n<p>\u00c9 in\u00e9dita. No come\u00e7o da carreira nos anos 1970, eu estava no restaurante Papai, na Avenida S\u00e3o Jo\u00e3o, onde tinha um teatro de revista. Batendo papo com uma turminha estava um ator chamado Geraldo Gamboa. Ele cantarolou para mim essa m\u00fasica (O Tal da Barata), dizendo que Noel tinha feito sob encomenda para um ator de teatro de revista que queria fazer um n\u00famero de travesti. Canto no show fazendo uns trejeitinhos de leve, porque Noel fez tudo com dupla inten\u00e7\u00e3o. A &#8220;baratinha&#8221; \u00e9 aquele carro antigo em que os playbozinhos andavam por Copacabana vendo as meninas. Ele fez a brincadeira em cima disso.<\/p>\n<p><b>Na can\u00e7\u00e3o Moda do Invejoso, voc\u00ea aborda o confronto entre a chamada &#8220;m\u00fasica de raiz&#8221; e o sertanejo urbanizado, hoje predominante, e que vem acontecendo h\u00e1 tempos. Voc\u00ea que come\u00e7ou como integrante de uma dupla caipira (Boy e Formiga) ainda adolescente como v\u00ea esse cen\u00e1rio atual?<\/b><\/p>\n<p>Escrevi a letra em tom de brincadeira, mas vejo essa situa\u00e7\u00e3o de maneira muito cr\u00edtica, porque sempre combati essa coisa da influ\u00eancia \u00e0s vezes perniciosa na m\u00fasica brasileira. Vem de muito longe isso e atingiu muito da d\u00e9cada de 1950 para c\u00e1 a m\u00fasica caipira tradicional, que era feita por Raul Torres, Alvarenga e Ranchinho, Tonico e Tinoco e tal. De repente, come\u00e7aram a surgir aquelas duplas vestidas de faroeste, fazendo brincadeiras, virou m\u00fasica sertaneja de alto consumo e d\u00e1 muito dinheiro. Esse lado foi muito negativo, no meu conceito. O tradicional seria Pena Branca &amp; Xavantinho, esse tipo de m\u00fasica, que foi morrendo com isso. Acabaram com a m\u00fasica caipira verdadeira, por causa dessa enxurrada de sertanejo.<\/p>\n<p><b>Agora, voc\u00ea continua firme com o Sr. Brasil, que preserva esse outro lado, e \u00e9 um s\u00edmbolo de resist\u00eancia nesse sentido, n\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p>Estou h\u00e1 11 anos com esse programa na Cultura, que come\u00e7ou na Globo, em 1981. Em 1980, fui convidado a fazer um programa de m\u00fasica sertaneja, mas indiquei a Inezita Barroso e o radialista Moraes Sarmento, porque o meu projeto era mostrar a m\u00fasica do Brasil inteiro. Agora, infelizmente, sou o \u00fanico fazendo isso na televis\u00e3o. Minha vontade era mostrar na televis\u00e3o que a m\u00fasica brasileira n\u00e3o era s\u00f3 samba. Achava esse enfoque injusto, porque, culturalmente, o Brasil \u00e9 muito rico, tem uma diversidade enorme de ritmos. Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro provaram isso trazendo a m\u00fasica nordestina para o Sul.<\/p>\n<p><b>\u00c9 o trabalho mais importante em sua carreira?<\/b><\/p>\n<p>Esse programa \u00e9 a &#8220;menina dos olhos&#8221;, porque sabia que ia dar certo e todo mundo recusava. Nenhuma esta\u00e7\u00e3o queria. Enganei a Globo. Eles compraram lebre por gato (inverto porque \u00e9 muito melhor), achando que eu ia fazer um programa sertanejo desses comuns e fiz o Som Brasil. H\u00e1 outros poucos programas musicais, mas com essa caracter\u00edstica de cantar o Brasil com paix\u00e3o, de mostrar artistas que n\u00e3o aparecem, muitos que cantam por a\u00ed afora, at\u00e9 em barzinho mesmo, n\u00e3o tem. \u00c9 muita emo\u00e7\u00e3o o tempo todo.<\/p>\n<p><b>Com a popularidade do programa e a escassez de espa\u00e7o para uma imensid\u00e3o de novos artistas que surgem o tempo todo, suponho que muita gente deva procur\u00e1-lo. Como \u00e9 esse trabalho de triagem?<\/b><\/p>\n<p>Os primeiros artistas que apareceram eu conhecia, porque curtia muito. Praticamente, lancei Almir Sater. Coloquei no meu primeiro programa. Tamb\u00e9m levei duplas que tinham se desmanchado, como Ven\u00e2ncio e Curumba, Ranchinho (que fazia dupla com Alvarenga, que tinha morrido). Fiz uma miscel\u00e2nea, juntando mineiros, ga\u00fachos, tudo. Com isso, o programa pegou e come\u00e7ou a chegar muito material. Ouvia cerca de 200 fitas por semana (naquele tempo era fita cassete), ia filtrando e escolhia por intui\u00e7\u00e3o, sem conhecer os artistas, s\u00f3 de gostar do jeito de o cara cantar, e n\u00e3o errava. Hoje, \u00e9 uma bola de neve, d\u00e1 para fazer quatro programas iguais.<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea j\u00e1 atuou no cinema. N\u00e3o tem vontade de voltar a trabalhar como ator?<\/b><\/p>\n<p>O programa me toma muito tempo. \u00c9 dif\u00edcil me dedicar a outra coisa. Agora, com exce\u00e7\u00e3o de novelas mexicanas de mau gosto, que fui obrigado a fazer porque era contratado da emissora, tudo o que fiz em 58 anos de carreira profissional foi com muito prazer Os filmes foram poucos, mas brilhantes. Nunca fui ator de cinema e, de repente, logo na primeira vez, ganhei um pr\u00eamio pelo papel. Agora, gravei uma participa\u00e7\u00e3o no novo de Selton Mello, O Filme da Minha Vida. Ele j\u00e1 tinha me convidado para participar de O Palha\u00e7o, mas n\u00e3o pude. Esse \u00e9 baseado num romance do escritor chileno Antonio Sk\u00e1rmeta (Um Pai de Cinema). Selton criou um personagem que n\u00e3o tinha no livro para eu interpretar. \u00c9 um tipo enigm\u00e1tico, que vai perpassando a hist\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lauro Lisboa Garcia Fazia mais de 10 anos que Rolando Boldrin n\u00e3o lan\u00e7ava um disco e 20 que n\u00e3o se apresentava em lugares abertos ao p\u00fablico em S\u00e3o Paulo. Agora\u00a0o cantador, compositor, ator, apresentador de TV e contador de causos estar\u00e1 no Teatro J. Safra iniciando as comemora\u00e7\u00f5es de seus 80 anos (a se completar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":111613,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-111612","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/111612","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=111612"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/111612\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":111615,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/111612\/revisions\/111615"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/111613"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=111612"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=111612"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=111612"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}