{"id":111932,"date":"2016-08-13T16:37:16","date_gmt":"2016-08-13T19:37:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=111932"},"modified":"2016-08-13T19:14:08","modified_gmt":"2016-08-13T22:14:08","slug":"bancos-se-engasgam-com-inadimplencia-e-reservam-29-bi-para-cobrir-calotes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/bancos-se-engasgam-com-inadimplencia-e-reservam-29-bi-para-cobrir-calotes\/","title":{"rendered":"Banco se engasga com inadimpl\u00eancia e reserva 29 bilh\u00f5es para cobrir calotes"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Aline Bronzati<\/strong><\/h6>\n<p>A continuidade da deteriora\u00e7\u00e3o da qualidade dos ativos dos grandes bancos fez com que o colch\u00e3o reservado para perdas fosse quase o dobro do lucro l\u00edquido dessas institui\u00e7\u00f5es no segundo trimestre. Caixa Econ\u00f4mica Federal, Banco do Brasil, Ita\u00fa Unibanco, Bradesco e Santander entregaram, juntos, ganhos de cerca de R$ 15 bilh\u00f5es entre abril e junho, ao mesmo tempo em que tiveram de gastar cerca de R$ 29 bilh\u00f5es com provis\u00f5es para devedores duvidosos, as chamadas PDDs. No per\u00edodo, as institui\u00e7\u00f5es foram impactadas pelo cen\u00e1rio macroecon\u00f4mico recessivo e ainda pela exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Sete Brasil e \u00e0 Oi, ambas em processo de recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n<p>No segundo trimestre, o lucro seguiu encolhendo. O resultado do per\u00edodo foi 13,5% inferior ao registrado de abril a junho de 2015, de R$ 17,3 bilh\u00f5es. Apesar do ganho menor, o ritmo de queda desacelerou e a sinaliza\u00e7\u00e3o dos grandes bancos \u00e9 de que o pior j\u00e1 passou. No primeiro trimestre, o lucro combinado de Caixa, BB, Ita\u00fa, Bradesco e Santander havia ca\u00eddo cerca de 20%, tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo intervalo do ano passado.<\/p>\n<p>Do lado das despesas com PDDs, embora ainda estejam em um patamar elevado, os gastos se mantiveram praticamente est\u00e1veis no segundo trimestre ante o primeiro. Em um ano, por\u00e9m, esses gastos cresceram 32,6% como consequ\u00eancia do refor\u00e7o que os bancos seguem fazendo em seu colch\u00e3o para perdas. De abril a junho, o saldo de provis\u00f5es foi a R$ 153,9 bilh\u00f5es, cifra 49,4% superior em um ano e 4,7% maior em rela\u00e7\u00e3o aos tr\u00eas meses anteriores.<\/p>\n<p>No comparativo trimestral, o aumento foi impulsionado, principalmente, por maiores provis\u00f5es feitas por BB e Caixa, ambos com exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Sete Brasil e tamb\u00e9m \u00e0 operadora de telefonia Oi. O refor\u00e7o \u00e9 necess\u00e1rio diante do cen\u00e1rio atual, de acordo com executivos dos grandes bancos, e reflete um primeiro semestre pior do que o esperado por essas institui\u00e7\u00f5es. Para o segundo semestre, por\u00e9m, a expectativa dos grandes bancos \u00e9 de um menor volume de gastos com PDDs na compara\u00e7\u00e3o com a primeira metade do ano.<\/p>\n<p>O presidente da Caixa, Gilberto Occhi, afirmou ontem, em sua primeira coletiva de imprensa de resultados desde que assumiu o cargo, que a institui\u00e7\u00e3o preferiu refor\u00e7ar suas provis\u00f5es, ainda que a inadimpl\u00eancia do per\u00edodo tenha se reduzido. O indicador considerando atrasos acima de 90 dias melhorou 0,31 ponto porcentual ao final de junho ante mar\u00e7o, para 3,2%. A queda dos calotes ocorreu mesmo sem que o banco p\u00fablico tenha feito vendas de carteiras no per\u00edodo, visto que est\u00e1 proibido pelo Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) de efetuar novas cess\u00f5es, diante da identifica\u00e7\u00e3o de irregularidades em algumas opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Sem precisar o que espera do comportamento dos calotes para os pr\u00f3ximos trimestres, o presidente da Caixa disse que o banco est\u00e1 empenhado em acelerar a redu\u00e7\u00e3o da sua inadimpl\u00eancia. Ampara-se, para isso, na composi\u00e7\u00e3o de sua carteira de cr\u00e9dito, preferencialmente composta por segmentos menos arriscados, como imobili\u00e1rio, do qual segue l\u00edder, e consignado (com desconto em folha).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, desde que chegou \u00e0 Caixa, Occhi criou uma diretoria espec\u00edfica para cuidar da redu\u00e7\u00e3o da inadimpl\u00eancia e das provis\u00f5es. &#8220;Nosso objetivo est\u00e1 muito mais voltado \u00e0 preven\u00e7\u00e3o do que recupera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito&#8221;, disse ele.<\/p>\n<p><b>Calotes e cr\u00e9dito \u00a0&#8211;\u00a0<\/b>Al\u00e9m da Caixa, o Santander tamb\u00e9m reduziu seus calotes, considerando atrasos acima de 90 dias, no segundo trimestre ante o primeiro. Os demais foram na contram\u00e3o. O BB justificou parte do aumento como o impacto j\u00e1 contabilizado de um grande caso espec\u00edfico do setor de \u00f3leo e g\u00e1s. Embora n\u00e3o tenha revelado o nome do cliente, seria a Sete Brasil. Enquanto isso, Ita\u00fa e Bradesco esperam que o \u00edndice de 90 dias do terceiro trimestre ainda apresente tal reflexo.<\/p>\n<p>Do lado do cr\u00e9dito, os grandes bancos tamb\u00e9m est\u00e3o mais cautelosos, inclusive os p\u00fablicos, que no passado foram usados pelo governo como indutores \u00e0 oferta de cr\u00e9dito. A Caixa revisou sua proje\u00e7\u00e3o para o desempenho da sua carteira. Espera que o saldo de seus empr\u00e9stimos cres\u00e7a de 5,5% a 7,5%, e n\u00e3o mais de 7,0% a 10%. \u00c9 o \u00fanico grande banco que espera expans\u00e3o da carteira neste ano. Assim como os privados, o BB passou a considerar a possibilidade de queda de at\u00e9 2% dos empr\u00e9stimos neste ano. O Ita\u00fa prev\u00ea redu\u00e7\u00e3o de at\u00e9 10,5% da sua carteira total de financiamentos, enquanto o Bradesco projeta baixa de at\u00e9 4%. O Santander n\u00e3o divulga guidances.<\/p>\n<p>Emprestando menos e com o peso dos calotes, o retorno dos grandes bancos encolheu no segundo trimestre. O Ita\u00fa foi o \u00fanico que conseguiu manter rentabilidade acima dos 20%. J\u00e1 o Banco do Brasil refor\u00e7ou seu comprometimento em encostar nos pares privados em termos de retorno. Ao final de junho, a rentabilidade do banco ficou em 7,7%, ante 14,2% um ano antes e 5,6% em mar\u00e7o. &#8220;A melhora do retorno do BB ser\u00e1 poss\u00edvel com a entrega de melhores margens, aumento de receitas de servi\u00e7os, corte forte de despesas, busca constante de efici\u00eancia e gest\u00e3o r\u00edgida e pr\u00f3-ativa de capital&#8221;, afirmou o presidente do banco, Paulo Caffarelli.<\/p>\n<p>A Caixa tamb\u00e9m tem o desafio de ser mais rent\u00e1vel. O banco entregou no segundo trimestre o pior retorno dos \u00faltimos trimestres. Foi a 9,76%, contra 10,27% em mar\u00e7o e 12,49% um ano antes. De acordo com Occhi, o resultado da Caixa vai melhorar nos pr\u00f3ximos trimestres e um dos pilares ser\u00e3o os ganhos com servi\u00e7os, seguros e cart\u00f5es. Apesar disso, o banco p\u00fablico cortou sua estimativa para as receitas de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. Espera alta de at\u00e9 11%, contra proje\u00e7\u00e3o anterior de expans\u00e3o de at\u00e9 13%.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aline Bronzati A continuidade da deteriora\u00e7\u00e3o da qualidade dos ativos dos grandes bancos fez com que o colch\u00e3o reservado para perdas fosse quase o dobro do lucro l\u00edquido dessas institui\u00e7\u00f5es no segundo trimestre. 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