{"id":112118,"date":"2016-08-15T06:00:09","date_gmt":"2016-08-15T09:00:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=112118"},"modified":"2016-08-15T07:06:49","modified_gmt":"2016-08-15T10:06:49","slug":"ficou-todo-mundo-de-olho-no-que-se-mostrou-no-design-weekend-de-sampa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ficou-todo-mundo-de-olho-no-que-se-mostrou-no-design-weekend-de-sampa\/","title":{"rendered":"Ficou todo mundo de olho no que se mostrou no Design Weekend de Sampa"},"content":{"rendered":"<p><b>Beka Andrade, Edi\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Depois de viagens pelo mundo para visitar e organizar eventos do setor de arquitetura e constru\u00e7\u00e3o, Lauro Andrade Filho come\u00e7ou a perguntar: &#8220;Por que o Brasil n\u00e3o tem um festival de design?&#8221;. O ano era 2008 e, sem respostas, come\u00e7ou ele mesmo a planejar um evento sobre o tema. Nascia assim o Design Weekend, que, desde 2012, tem ajudado a palavra &#8220;design&#8221; a circular com mais naturalidade por S\u00e3o Paulo durante o m\u00eas de agosto.<\/p>\n<p>O DW, como \u00e9 chamado, cresceu e, em quatro anos, ganhou a companhia dos protagonistas desse mercado: lojas, centros universit\u00e1rios, fabricantes de m\u00f3veis, galerias, est\u00fadios independentes, curadores. Entre os dias 8 e 14, aconteceram 260 a\u00e7\u00f5es simultaneamente em dez endere\u00e7os, como feiras de neg\u00f3cios, palestras, exposi\u00e7\u00f5es, workshops e lan\u00e7amentos de m\u00f3veis.<\/p>\n<p>O formato \u00e9 inspirado em grandes semanas de design internacionais. A mais tradicional delas acontece h\u00e1 55 anos em Mil\u00e3o e atraiu em abril 372 mil pessoas apenas para o evento \u00e2ncora, o Sal\u00e3o Internacional do M\u00f3vel \u2014outras milhares circularam pela programa\u00e7\u00e3o paralela que toma conta da cidade, o Fuori Saloni. Mais jovem, o Festival de Design de Londres, criado em 2003, teve 375 mil visitantes diretos em setembro do ano passado. Segundo a World Design Week, s\u00e3o 39 semanas de design anualmente pelo mundo.<\/p>\n<p>&#8220;Quando vi esse movimento em Mil\u00e3o, fiquei apaixonado pelo formato e imediatamente percebi uma correla\u00e7\u00e3o com o que acontecia no Brasil, que era uma necessidade muito grande do cidad\u00e3o de reocupar o espa\u00e7o p\u00fablico, como vinha ocorrendo na Virada Cultural&#8221;, diz Lauro, 45, catarinense com forma\u00e7\u00e3o e mestrado nas \u00e1reas de gest\u00e3o e neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Em 2003, fundou a Summit Promo e ganhou experi\u00eancia em eventos como a Expo Revestir, feira de revestimentos da qual \u00e9 diretor desde 2005. No passado, os paulistanos j\u00e1 haviam experimentado tentativas semelhantes, como a Primavera do Design, no come\u00e7o dos 2000. Mas, concentradas na alta decora\u00e7\u00e3o e em poucos bairros, n\u00e3o tiveram for\u00e7a para virar festival.<\/p>\n<p>Para n\u00e3o morrer na praia tamb\u00e9m, o DW tem se dedicado a manter unidas as figuras que ditam as regras nesse segmento no Brasil e a ampliar o seu raio de alcance. Para isso, faz parcerias estrat\u00e9gicas com profissionais especializados, que ajudam a abrir portas e estreitar relacionamentos. A partir deste ano, o DW divide sua curadoria com a equipe da revista &#8220;Bamboo&#8221;, liderada por Clarissa Schneider, que h\u00e1 duas d\u00e9cadas acompanha o setor.<\/p>\n<p>&#8220;A primeira dificuldade que tivemos foi mostrar para os protagonistas que juntos somos mais fortes do que isoladamente. Eram tribos muito fechadas&#8221;, lembra Lauro.<\/p>\n<p>Em 2014, grandes agitadores da \u00e1rea j\u00e1 haviam aderido, caso de Waldick Jatob\u00e1, da Made, Joyce Joppert, da Associa\u00e7\u00e3o Objeto Brasil, e Beto Cocenza, do BoomSPDesign. O DW, hoje, tem a chancela dos representantes de empresas de design (Abedesign), designers de interiores (ABD), estilistas (Abest) e designers gr\u00e1ficos (ADG Brasil).<\/p>\n<p>A Made (abrevia\u00e7\u00e3o das palavras mercado, arte e design), que estreou um ano depois do primeiro DW, \u00e9 uma feira de pe\u00e7as colecion\u00e1veis, que dialogam com o universo da arte -isso significa que nem sempre uma cadeira \u00e9 feita para se sentar. Instalada no Jockey Clube, teve 12 mil visitantes no ano passado, quando j\u00e1 era parte do DW, ante 5 mil, em 2013. &#8220;Recebemos muita gente de fora de S\u00e3o Paulo, compradores de outras cidades e Estados&#8221;, conta Jatob\u00e1.<\/p>\n<p>A segunda dificuldade para os organizadores do DW foi dirigir o envolvimento dos participantes menores, como as lojas. Acostumadas a viajar para as semanas internacionais de design, essas pessoas ficaram um tanto perdidas quando se viram do outro lado, na condi\u00e7\u00e3o de anfitri\u00f5es. &#8220;Tivemos que explicar que eles precisavam receber, criar conte\u00fado, contar uma hist\u00f3ria&#8221;, diz Lauro.<\/p>\n<p>O caminho escolhido por muitos estabelecimentos foi dirigir os holofotes para os designers. A estimativa feita pelos organizadores \u00e9 que menos de dez profissionais tenham tido destaque no primeiro ano. Na pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o, cerca de 90 criativos estar\u00e3o na linha de frente da programa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Guilherme Wentz, 29, \u00e9 um deles. O ga\u00facho radicado em S\u00e3o Paulo foi\u00a0a atra\u00e7\u00e3o da loja Decameron, uma das 41 da alameda Gabriel Monteiro da Silva, famosa rua da decora\u00e7\u00e3o, que participar\u00e3o do DW. Depois de desenhar m\u00f3veis e objetos para grandes marcas, ele se dedicou no \u00faltimo ano a criar sua primeira cole\u00e7\u00e3o, composta por dez pe\u00e7as, entre mesas, cadeiras e lumin\u00e1rias de tra\u00e7os simples e contempor\u00e2neos.<\/p>\n<p>Ele mesmo cuidou de tudo, incluindo o contato com os fornecedores, quatro parceiros diretos e nove indiretos. A quantidade se explica pela diversidade de materiais: madeira, a\u00e7o, lat\u00e3o, m\u00e1rmore, vidro soprado, alum\u00ednio, palha natural e tecido ecol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Participando pela terceira vez do festival, Wentz avalia que o evento est\u00e1 ajudando a reunir os players do mercado ao mesmo tempo em que come\u00e7a a atrair os n\u00e3o iniciados. &#8220;O DW j\u00e1 consegue movimentar pessoas de fora desse nicho. \u00c9 um momento em que a gente consegue falar com o consumidor final e tamb\u00e9m encontrar fabricantes.&#8221;<\/p>\n<p>Curadora e cr\u00edtica especializada em design, Ad\u00e9lia Borges v\u00ea a difus\u00e3o da cultura do design como o maior e mais duradouro benef\u00edcio de um festival desse porte. &#8220;Gosto de fazer um paralelo com o que aconteceu com a Restaurant Week. O evento era uma oportunidade para conhecer restaurantes e ampliar o horizonte do paladar. Com o design, acontece o mesmo: as pessoas come\u00e7am a degustar, olhar, ver, comparar, gostar de uma coisa, n\u00e3o gostar de outra&#8221;, afirma ela, que se prepara para dar o curso &#8220;Design e Brasilidade&#8221;, a partir do dia 10, no Sesc-SP.<\/p>\n<p>Depois de convencer grandes figuras e ensinar pequenos participantes, envolver o p\u00fablico n\u00e3o especializado se imp\u00f5e como a miss\u00e3o deste e dos pr\u00f3ximos anos. Estimular a exist\u00eancia de eventos gratuitos e palestras para leigos (sobre combina\u00e7\u00e3o de cores, por exemplo) e intensificar a comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o as formas que o DW encontrou de atingir quem ainda n\u00e3o respira design todo dia. A estimativa dos organizadores \u00e9 que por volta de 1 milh\u00e3o de pessoas tenham sido impactadas pelo festival de 2015.<\/p>\n<p>Para a professora Sueli Garcia, parte da coordena\u00e7\u00e3o do n\u00facleo de design do Centro Universit\u00e1rio Belas Artes, a palavra m\u00e1gica para atrair quem \u00e9 de fora \u00e9 conte\u00fado. &#8220;O evento n\u00e3o pode apenas mostrar o design como algo poss\u00edvel de ser degustado s\u00f3 visualmente&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O italiano Carlo Acierno, propriet\u00e1rio do espa\u00e7o que leva seu sobrenome no bairro de Pinheiros, pensa igual. &#8220;Em Mil\u00e3o, tem uma vasta quantidade de pessoas que nem visitam o Sal\u00e3o do M\u00f3vel, mas se dedicam a descobrir coisas pela cidade sem interesse em comprar&#8221;, afirma. Sua loja ter\u00e1 eventos simult\u00e2neos, entre exposi\u00e7\u00e3o de jovens arquitetos e palestras.<\/p>\n<p>Outro caminho para envolver os paulistanos \u00e9 estimular a\u00e7\u00f5es que resultem em algo palp\u00e1vel para a cidade. O modelo de parklets, aquelas minipra\u00e7as que ocupam vagas de carro na rua, nasceu dentro do DW de 2013. Neste ano, o espa\u00e7o do jornalista Gilberto Dimenstein, na Vila Madalena, vai inaugurar<br \/>\num banco de 50 metros ao ar livre.<\/p>\n<p>&#8220;Esses legados atingem mais pessoas fora desse mercado e mostram que o design est\u00e1 em todo lugar e \u00e9 uma ferramenta para melhorar a casa, a cidade e a maneira de nos relacionarmos&#8221;, define Clarissa.<\/p>\n<p>Os ganhos, dizem os entendidos, s\u00e3o divididos entre todos. &#8220;Vendo as semanas de design internacionais, percebemos que elas ampliam a discuss\u00e3o dos benef\u00edcios do design. Muitos n\u00e3o se d\u00e3o conta de como um produto bem feito e bem pensando pode melhorar a vida deles&#8221;, afirma Baba Vacaro, designer e diretora de cria\u00e7\u00e3o da loja Dpot.<\/p>\n<p>J\u00e1 Maur\u00edcio Tortosa, diretor-presidente da Escola Brit\u00e2nica de Artes Criativas (Ebac), acredita que, estimulando esse mercado, o retorno tamb\u00e9m pode ser financeiro. &#8220;Cerca de 2,8% do PIB depende da economia criativa, e em S\u00e3o Paulo, isso significa quase 11% da receita da cidade.&#8221;<\/p>\n<p>Para Lauro Andrade, atrair mais e mais p\u00fablico \u00e9 uma quest\u00e3o de tempo. &#8220;N\u00e3o podemos imaginar que a Semana de Design de Mil\u00e3o j\u00e1 nasceu grande. A vantagem \u00e9 que come\u00e7amos num mundo conectado, horizontal, em rede. Nossa curva de aprendizado e desenvolvimento vai ser mais r\u00e1pida.&#8221;<\/p>\n<p>O alcance geogr\u00e1fico do DW, no entanto, ainda est\u00e1 restrito aos bairros mais nobres. O pr\u00f3prio centro s\u00f3 entra na programa\u00e7\u00e3o por meio do Istituto Europeo di Design (IED), em Higien\u00f3polis.<\/p>\n<p>&#8220;Foi um ano at\u00edpico de maneira geral para a economia e tivemos que concentrar as atividades em alguns pontos da cidade. Mas o caminho natural \u00e9 deslocar para outros bairros e o centro&#8221;, explica Lauro. &#8220;Mas n\u00e3o ser\u00e1 algo implantado ou imposto pelo DW, tem que haver um movimento natural das empresas e dos criativos de uma determinada regi\u00e3o para isso que aconte\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>Ele cita o exemplo de Pinheiros. At\u00e9 no ano passado, os estabelecimentos do quadril\u00e1tero formado pelas ruas Mateus Grou e Cristiano Viana apareciam na programa\u00e7\u00e3o da Vila Madalena. Os lojistas se incomodaram, procuraram o DW e foram incentivados a reunir qu\u00f3rum para justificar uma emancipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A independ\u00eancia veio, e Pinheiros ter\u00e1 neste ano 15 pontos com atividades. &#8220;Puxei essa conversa porque Pinheiros tem identidade pr\u00f3pria, \u00e9 um bairro de makers, de gente que faz um design muito urbano e sabe aliar tecnologia com um fazer mais tradicional&#8221;, diz Acierno, que h\u00e1 um ano abriu um espa\u00e7o na rua Francisco Leit\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Beka Andrade, Edi\u00e7\u00e3o Depois de viagens pelo mundo para visitar e organizar eventos do setor de arquitetura e constru\u00e7\u00e3o, Lauro Andrade Filho come\u00e7ou a perguntar: &#8220;Por que o Brasil n\u00e3o tem um festival de design?&#8221;. O ano era 2008 e, sem respostas, come\u00e7ou ele mesmo a planejar um evento sobre o tema. 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