{"id":113250,"date":"2016-08-25T08:34:07","date_gmt":"2016-08-25T11:34:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=113250"},"modified":"2016-08-25T08:34:07","modified_gmt":"2016-08-25T11:34:07","slug":"mapa-da-violencia-aponta-regiao-nordeste-com-maior-indice-de-criminalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mapa-da-violencia-aponta-regiao-nordeste-com-maior-indice-de-criminalidade\/","title":{"rendered":"Mapa da viol\u00eancia aponta Regi\u00e3o Nordeste com maior \u00edndice de criminalidade"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Felipe Resk<\/strong><\/h6>\n<p>O Nordeste concentra as cidades mais violentas do Pa\u00eds. Com o surgimento de novos polos econ\u00f4micos nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a regi\u00e3o precisou lidar com uma onda de criminalidade para qual n\u00e3o estava preparada. O resultado \u00e9 que, hoje, dos 150 munic\u00edpios com as maiores taxas de homic\u00eddio por arma de fogo no Brasil, 107 ficam no Nordeste &#8211; dois a cada tr\u00eas. No ranking de capitais, as seis primeiras colocadas tamb\u00e9m s\u00e3o da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os dados comp\u00f5em o Mapa da Viol\u00eancia 2016 &#8211; Homic\u00eddios por Armas de Fogo no Brasil, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ci\u00eancias Sociais (Flacso), sob coordena\u00e7\u00e3o do soci\u00f3logo Julio Jacobo Waiselfisz. Eles mostram que, apesar de o crescimento das mortes por arma de fogo ter desacelerado na \u00faltima d\u00e9cada no Pa\u00eds, as realidades locais e regionais n\u00e3o seguem um padr\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto Rio e S\u00e3o Paulo, por exemplo, conseguiram reduzir os \u00edndices de assassinatos ap\u00f3s investimentos em seguran\u00e7a, o Nordeste dobrou sua taxa de homic\u00eddio de 16,2 para 32,8 entre 2004 e 2014, puxando, ano a ano, os resultados do Brasil para cima. O \u00edndice \u00e9 bem superior ao da segunda colocada, a Regi\u00e3o Centro-Oeste, que tem taxa de 26 mortes por 100 mil e registrou aumento de 39,5% no per\u00edodo. J\u00e1 o Sudeste foi o \u00fanico a recuar nessa d\u00e9cada, 41,4%, e tem 14 homic\u00eddios por arma de fogo para cada 100 mil. No Pa\u00eds, a m\u00e9dia \u00e9 de 21,2 homic\u00eddios por 100 mil habitantes.<\/p>\n<p>Em 2014, o \u00edndice m\u00e9dio do Nordeste foi liderado por Alagoas (56,1), Cear\u00e1 (42,9), Sergipe (41,2) e Rio Grande do Norte (38,9). &#8220;Na virada do s\u00e9culo, todos eram Estados que apresentavam bons \u00edndices&#8221;, afirma Jacobo Waiselfisz. &#8220;Locais que antes tinham altos \u00edndices, como S\u00e3o Paulo, Rio e Pernambuco, passaram a receber recursos, e as taxas ca\u00edram.&#8221;<\/p>\n<p><b>Guerra<\/b>\u00a0&#8211;\u00a0No Brasil, dois munic\u00edpios t\u00eam taxa superior a 100 homic\u00eddios por arma de fogo para cada 100 mil &#8211; n\u00famero equivalente ao de zonas de guerra. S\u00e3o eles: Mata de S\u00e3o Jo\u00e3o (102,9), na Bahia, e Murici (100,7), em Alagoas, ambos em regi\u00f5es metropolitanas do Nordeste. Para o c\u00e1lculo, foram consideradas as cidades com mais de 10 mil habitantes, onde aconteceram 98% dos assassinatos por arma no Pa\u00eds, no per\u00edodo de 2012 a 2014.<\/p>\n<p>Das 150 cidades mais violentas, apenas 43 n\u00e3o ficam na regi\u00e3o. O Distrito Federal e outros oito Estados n\u00e3o t\u00eam nenhum munic\u00edpio na lista, incluindo S\u00e3o Paulo, Santa Catarina e Acre. Do Nordeste, apenas o Piau\u00ed n\u00e3o aparece. O estudo usa dados do Departamento de Inform\u00e1tica do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (Datasus)<\/p>\n<p>Segundo Jacobo Waiselfisz, houve uma interioriza\u00e7\u00e3o dos crimes no Brasil, antes concentrados em grandes capitais. &#8220;Surgiram polos industriais, que s\u00e3o atrativos de popula\u00e7\u00e3o e de viol\u00eancia&#8221;, diz o soci\u00f3logo. Para ele, a &#8220;pandemia de viol\u00eancia&#8221; n\u00e3o foi acompanhada por incremento no aparato de seguran\u00e7a desses locais.<\/p>\n<p>J\u00e1 o ranking das capitais, liderado por Fortaleza, no Cear\u00e1, tem como base as taxas de 2014. L\u00e1, foram 81,5 homic\u00eddios por arma de fogo por 100 mil habitantes. Na sequ\u00eancia, aparecem Macei\u00f3 (73,7), S\u00e3o Lu\u00eds (67,1), Jo\u00e3o Pessoa (60,2), Natal (53) e Aracaju (50,5). S\u00f3 ent\u00e3o, em s\u00e9timo lugar, vem Goi\u00e2nia (48,5), no Centro-Oeste.<\/p>\n<p><b>Carandiru &#8211;\u00a0<\/b>De acordo com o levantamento, as armas de fogo mataram 123 pessoas por dia em 2014. Mais do que no Massacre do Carandiru, quando 111 presos foram mortos em S\u00e3o Paulo, em 1992.<\/p>\n<p>Para o soci\u00f3logo, apesar de a taxa de homic\u00eddio estar praticamente est\u00e1vel desde 2003, ap\u00f3s uma pol\u00edtica de controle de armas, com avan\u00e7o de 0,3% ao ano, a quantidade de casos ainda preocupa. &#8220;A febre persiste. O \u2018indiv\u00edduo\u2019 (Brasil) n\u00e3o morreu, mas continua na UTI.&#8221;<\/p>\n<p>A cerca de 60 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia de Salvador, capital da Bahia, e dona de um dos litorais mais bonitos do Brasil, Mata de S\u00e3o Jo\u00e3o sobrevive da ind\u00fastria do turismo. Segundo moradores, de t\u00e3o pac\u00edfico o local chegou a ser conhecido como &#8220;a cidade dos aposentados&#8221;. Nos \u00faltimos anos, por\u00e9m, uma escalada de viol\u00eancia tem atingido o munic\u00edpio. &#8220;Aqui todo mundo conhece algu\u00e9m que foi assassinado&#8221;, diz o jardineiro Gilton Santos, de 58 anos.<\/p>\n<p>Em 1.\u00ba lugar no ranking das mais violentas do Pa\u00eds, a cidade tem 102,9 homic\u00eddios por arma de fogo para cada 100 mil, segundo o Mapa da Viol\u00eancia 2016. S\u00f3 em 2014, foram 45 casos. Isso para uma popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o passa de 45 mil pessoas.<\/p>\n<p>&#8220;Agora \u00e9 morte atr\u00e1s de morte. S\u00f3 neste ano Foi o &#8216;Pitbull&#8217;, o &#8216;Geo&#8217;, o &#8216;Guel&#8217;, o &#8216;F\u00e1bio&#8217;. Tudo assassinado&#8221;, conta o motorista Ant\u00f4nio Carlos Cardoso, de 48 anos, &#8220;nascido e criado&#8221; em Mata de S\u00e3o Jo\u00e3o. &#8220;Conhecido meu, s\u00e3o mais de dez.&#8221;<\/p>\n<p>Os moradores afirmam que a maioria das ocorr\u00eancias est\u00e1 relacionada ao tr\u00e1fico de drogas e as v\u00edtimas s\u00e3o, geralmente, jovens entre 15 e 25 anos. &#8220;Come\u00e7ou de uns cinco anos para c\u00e1. Antes a gente n\u00e3o via isso de jeito nenhum&#8221;, diz Cardoso.<\/p>\n<p>A Secretaria da Seguran\u00e7a P\u00fablica da Bahia questiona o ranking e diz que investe nas pol\u00edcias. Segundo a pasta, a cidade tem predom\u00ednio de vegeta\u00e7\u00e3o fechada e, por isso, serve &#8220;como ponto de &#8220;desova&#8221; de corpos, elevando os \u00edndices registrados&#8221;. Tamb\u00e9m diz que os dados da secretaria apontam redu\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Felipe Resk O Nordeste concentra as cidades mais violentas do Pa\u00eds. Com o surgimento de novos polos econ\u00f4micos nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a regi\u00e3o precisou lidar com uma onda de criminalidade para qual n\u00e3o estava preparada. 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