{"id":113465,"date":"2016-08-27T00:38:48","date_gmt":"2016-08-27T03:38:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=113465"},"modified":"2016-08-27T07:42:12","modified_gmt":"2016-08-27T10:42:12","slug":"tempo-nao-para-e-impeachment-vai-avancando-em-meio-a-troca-de-farpas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/tempo-nao-para-e-impeachment-vai-avancando-em-meio-a-troca-de-farpas\/","title":{"rendered":"Tempo n\u00e3o para, e impeachment vai avan\u00e7ando em meio a troca de farpas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Luciano Nascimento<\/strong><\/p>\n<p>O segundo dia do julgamento tamb\u00e9m foi marcado por bate-boca e acusa\u00e7\u00f5es entre senasdores favor\u00e1veis e contr\u00e1rios ao impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff, principalmente no per\u00edodo da manh\u00e3. \u00c0 tarde, os atritos foram mais raros e pontuais e a sess\u00e3o se concentrou nos depoimentos das testemunhas da defesa.<\/p>\n<p>O primeiro bate-boca come\u00e7ou quando o senador petista Lindbergh Farias (RJ) pediu a palavra e disparou contra o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) que lhe antecedeceu. &#8220;Esse senador que me antecedeu \u00e9 um desqualificado. O que fez com senadora Gleisi \u00e9 de covardia impressionante, dizer que tentou aliciar testemunha&#8221;, disse o petista.<\/p>\n<p>Em seguida foi a vez do presidente do senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O peemedebista come\u00e7ou pedindo para que os senadores reduzam as quest\u00f5es de ordem repetidas, mas esquentou o clima ao lembrar da declara\u00e7\u00e3o de ontem, feita pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) que provocou o primeiro grande tumulto do dia. \u201cEsta sess\u00e3o \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o de que a burrice \u00e9 infinita. A senadora Gleisi chegou ao c\u00famulo de dizer que o Senado n\u00e3o tem condi\u00e7\u00e3o moral de julgar a presidente\u201d, disse o presidente.<\/p>\n<p>Esquentando ainda mais o ambiente e provocando a rea\u00e7\u00e3o imediata de petistas, Renan lembrou que Gleisi e o marido, o ex-ministro das Comunica\u00e7\u00f5es do governo Dilma, Paulo Bernardo, foram indiciados por corrup\u00e7\u00e3o passiva na Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato e disse ter intercedido a favor deles. Os dois s\u00e3o acusados de receber propina de contratos oriundos da Petrobras.<\/p>\n<p>&#8220;Como uma senadora pode fazer uma declara\u00e7\u00e3o dessa? Exatamente, sr. Presidente, uma senadora que, h\u00e1 30 dias, o presidente do Senado Federal conseguiu, no Supremo Tribunal Federal, desfazer o seu indiciamento e do seu esposo&#8221;, disse Renan.<\/p>\n<p>Gleisi foi em dire\u00e7\u00e3o a Renan afirmando ser mentira, apoiada pelo senador Lindbergh que gritava &#8220;baixaria&#8221; e que acabou sendo empurrado por Renan.<\/p>\n<p>Dispensa &#8211; Uma das testemunhas de defesa, a ex-secret\u00e1ria de Or\u00e7amento Esther Dweck, foi dispensada pela defesa, ap\u00f3s pol\u00eamica em torno da suspei\u00e7\u00e3o do procurador J\u00falio Marcelo, que, logo no primeiro dia, de testemunha, dep\u00f4s como informante, depois que o advogado de defesa, Jos\u00e9 Eduardo Cardozo questionou a participa\u00e7\u00e3o de J\u00falio Marcelo em uma manifesta\u00e7\u00e3o pela rejei\u00e7\u00e3o das contas de Dilma.<\/p>\n<p>A advogada de acusa\u00e7\u00e3o, Jana\u00edna Paschoal, que tamb\u00e9m \u00e9 uma das autoras da den\u00fancia que motivou o processo contra Dilma Rousseff, colocou em suspei\u00e7\u00e3o a ex-secret\u00e1ria de Or\u00e7amento sob o argumento de que a mesma foi nomeada assessora \u201cpor uma parlamentar que \u00e9 uma das mais ferrenhas defensoras de Dilma\u201d, no caso, a senadora Gleisi Hoffmann.<\/p>\n<p><strong>Depoimentos<\/strong> &#8211; Primeira pessoa indicada pela defesa da presidenta afastada Dilma Rousseff a ser ouvida no julgamento do impeachment, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo falou como informante no in\u00edcio da tarde, ap\u00f3s a pausa do almo\u00e7o depois de uma manh\u00e3 tensa. Ele disse que ela foi excessivamente respons\u00e1vel com as medidas fiscais de 2015 e afirmou que \u201co afastamento da presidente pelos motivos alegados \u00e9 um atentado \u00e0 democracia\u201d. Segundo Belluzzo, o impacto provocado pela edi\u00e7\u00e3o dos decretos suplementares, mesmo sem autoriza\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional, foi \u201crid\u00edculo\u201d.<\/p>\n<p>Em seguida foi a vez do professor de direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Geraldo Prado, que falou como testemunha por cerca de cinco horas, nas quais defendeu veementemente que Dilma n\u00e3o cometeu crime ao assinar os decretos de suplementa\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria e que o atraso nos pagamentos do Tesouro ao Banco do Brasil, referentes \u00e0 equaliza\u00e7\u00e3o do Plano Safra, n\u00e3o configuram uma opera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Segundo Prado, ao assinar os decretos, a presidenta agiu em confian\u00e7a \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o de seus subordinados, que atestaram a legalidade dos atos. \u201cEm organiza\u00e7\u00f5es complexas \u2013 que podem ser empresas, empresas privadas, que pode ser o Supremo Tribunal Federal, o governo do Brasil \u2013 existe um princ\u00edpio chamado de princ\u00edpio da confian\u00e7a. H\u00e1 necessidade de se estabelecer responsabilidades para a an\u00e1lise das situa\u00e7\u00f5es e se confiar nisso\u201d, explicou.<\/p>\n<p>O \u00faltimo depoimento foi o do ex-secretario do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), Luiz Cl\u00e1udio Costa que defendeu que o decreto suplementar voltado para o MEC n\u00e3o causou impacto nas contas p\u00fablicas. O decreto \u00e9 mencionado na den\u00fancia contra a presidente afastada Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>O advogado de Dilma, Jos\u00e9 Eduardo Cardozo, disse que o conjunto de testemunhas conseguiu mostrar que Dilma manteve, em 2015, a \u201causteridade fiscal e que os pressuspostos jur\u00eddicos de responsabilidade n\u00e3o est\u00e3o presentes no processo.\u201d<\/p>\n<p><strong>Para s\u00e1bado<\/strong> &#8211; Os depoimentos das duas \u00faltimas testemunhas: o ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa e o professor direito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) Ricardo Lodi Ribeiro ter\u00e3o in\u00edcio \u00e0s 10h deste s\u00e1bado (27). O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que preside o processo, acatou pedido de senadores contr\u00e1rios ao impeachment e aceitou o hor\u00e1rio com a condi\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o haja pausa nos depoimentos para almo\u00e7o, como ocorreu nos dias anteriores.<\/p>\n<p>Carodozo disse ainda que espera que os senadores tratem a presidenta afastada com cortesia. O depoimento de Dilma est\u00e1 previsto para a pr\u00f3xima segunda-feira (29). \u201cMe parece correto que seja tratada como tal. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que senadores e senadoras n\u00e3o deem o tratamento que a chefe de Estado e governo merece no nosso pa\u00eds. Me parece correto que seja tratada como tal [como chefe de Estado e governo], seria muito desonroso para quem n\u00e3o o fizer\u201d, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luciano Nascimento O segundo dia do julgamento tamb\u00e9m foi marcado por bate-boca e acusa\u00e7\u00f5es entre senasdores favor\u00e1veis e contr\u00e1rios ao impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff, principalmente no per\u00edodo da manh\u00e3. \u00c0 tarde, os atritos foram mais raros e pontuais e a sess\u00e3o se concentrou nos depoimentos das testemunhas da defesa. 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