{"id":113497,"date":"2016-08-27T16:47:03","date_gmt":"2016-08-27T19:47:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=113497"},"modified":"2016-08-28T01:37:37","modified_gmt":"2016-08-28T04:37:37","slug":"neurocientistas-criam-tecnica-que-permite-ver-rato-por-dentro-logo-sera-o-cerebro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/neurocientistas-criam-tecnica-que-permite-ver-rato-por-dentro-logo-sera-o-cerebro\/","title":{"rendered":"Neurocientistas criam t\u00e9cnica que permite ver rato por dentro. Logo ser\u00e1 o c\u00e9rebro&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Neurocientistas desenvolveram uma maneira de tornar transparente um rato inteiro, incluindo m\u00fasculos e \u00f3rg\u00e3os internos, enquanto iluminam as vias nervosas que correm por seu corpo. A t\u00e9cnica foi publicada no peri\u00f3dico cient\u00edfico &#8220;Nature Methods&#8221;.<\/p>\n<p>Chamado uDisco, o processo oferece uma forma alternativa para os pesquisadores estudarem o sistema nervoso de um organismo sem ter de fatiar seus \u00f3rg\u00e3os ou tecidos.<\/p>\n<p>Isso permite que usem um microsc\u00f3pio para acompanhar neur\u00f4nios do c\u00e9rebro e da coluna vertebral do roedor at\u00e9 os dedos das patas dianteiras e traseiras.<\/p>\n<p>&#8220;Quando vi as imagens no microsc\u00f3pio que meus estudantes estavam obtendo, fiquei impressionado. Podemos mapear toda a conectividade neural do rato em tr\u00eas dimens\u00f5es&#8221;, diz Ali Erturk, neurocientista da Universidade Ludwig Maximilians, em Munique, e um dos autores do estudo.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica s\u00f3 foi aplicada em ratos e camundongos, mas os cientistas acham que um dia poderia ser utilizada para mapear o c\u00e9rebro humano.<\/p>\n<p>Para eles, o m\u00e9todo seria particularmente \u00fatil para estudar os efeitos de dist\u00farbios mentais como o mal de Alzheimer e a esquizofrenia.<\/p>\n<p>Erturk e colegas estudam dist\u00farbios neurodegenerativos, e est\u00e3o principalmente interessados em doen\u00e7as causadas por les\u00f5es cerebrais traum\u00e1ticas. Geralmente, os pesquisadores estudam essas enfermidades examinado finas fatias de tecido cerebral ao microsc\u00f3pio.<\/p>\n<p>&#8220;Essa n\u00e3o \u00e9 uma boa maneira de estudar os neur\u00f4nios porque se voc\u00ea fatiar o c\u00e9rebro, tamb\u00e9m corta a rede. A melhor maneira de visualizar \u00e9 olhando o organismo inteiro, n\u00e3o somente a les\u00e3o cerebral, mas indo al\u00e9m dela. Precisamos ver o quadro geral&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Para fazer isso, Erturk e equipe desenvolveram um processo em duas etapas que produz um roedor transparente e mant\u00e9m os \u00f3rg\u00e3os internos estruturados.<\/p>\n<p>Os camundongos empregados estavam mortos e foram marcados com uma prote\u00edna especial fluorescente para fazer brilhar determinadas partes de sua anatomia.<\/p>\n<p>Primeiro, mergulharam o animal em um recipiente de \u00e1lcool para desidrat\u00e1-lo. A \u00e1gua atua como um espelho e reflete a luz, ent\u00e3o era precisar tirar esse l\u00edquido de seus m\u00fasculos e tecidos. A seguir, os pesquisadores encharcaram o roedor com um solvente org\u00e2nico que dissolve suas gorduras como um detergente.<\/p>\n<p>Enquanto os pesquisadores encharcavam a parte externa do animal com \u00e1lcool e o solvente org\u00e2nico, simultaneamente bombearam os l\u00edquidos por seus vasos sangu\u00edneos para tamb\u00e9m empapar a \u00e1rea interna. Demora cerca de quatro dias para o rato se tornar transparente.<\/p>\n<p>Outro efeito da f\u00f3rmula uDisco \u00e9 ela encolher o c\u00e9rebro do rato \u00e0 metade ou um ter\u00e7o do tamanho original. Isso o torna pequeno e flex\u00edvel o suficiente para caber debaixo do microsc\u00f3pio.<\/p>\n<p>Erturk reconhece que o processo \u00e9 simples o bastante para ser executado por qualquer cientista. J\u00e1 o desafio era encontrar a combina\u00e7\u00e3o correta de compostos qu\u00edmicos \u2013 entre centenas de milhares de possibilidades \u2013 que tornasse o roedor transparente, ao mesmo tempo retendo a prote\u00edna fluorescente e mantendo a estrutura interna normal.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a primeira t\u00e9cnica do g\u00eanero a atender a todos esses requisitos; outros m\u00e9todos tornam o organismo maior ou n\u00e3o ret\u00e9m a fluoresc\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;As aplica\u00e7\u00f5es desse m\u00e9todo s\u00e3o incont\u00e1veis. Enquanto agora temos de preparar \u00f3rg\u00e3os individuais para avalia\u00e7\u00e3o histopatol\u00f3gica, o futuro em muitos casos ser\u00e1 usar a uDisco&#8221;, afirma o Dr. Ingo Bechmann, professor de Anatomia da Universidade de Leipzig, na Alemanha, que n\u00e3o participou do estudo.<\/p>\n<p>Matthias H. Tschop, diretor de pesquisa do Centro de Diabetes do Helmholtz Zentrum M\u00fcnchen que investiga como o sistema nervoso interage com os \u00f3rg\u00e3os para controlar o metabolismo, elogiou a t\u00e9cnica, mas ressaltou que ela n\u00e3o seria utilizada em seres humanos vivos no futuro, embora talvez possa ser aplicada a cad\u00e1veres. Ele n\u00e3o se envolveu com o estudo.<\/p>\n<p>&#8220;O fato de que a maioria dos cientistas biom\u00e9dicos teria associado essa tecnologia a um filme de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e n\u00e3o com o trabalho di\u00e1rio na bancada reflete a qualidade transformadora desse avan\u00e7o t\u00e9cnico&#8221;, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neurocientistas desenvolveram uma maneira de tornar transparente um rato inteiro, incluindo m\u00fasculos e \u00f3rg\u00e3os internos, enquanto iluminam as vias nervosas que correm por seu corpo. 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