{"id":113808,"date":"2016-08-31T02:48:28","date_gmt":"2016-08-31T05:48:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=113808"},"modified":"2016-08-31T11:19:48","modified_gmt":"2016-08-31T14:19:48","slug":"votacao-do-impeachment-as-11-horas-define-futuro-de-dilma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/votacao-do-impeachment-as-11-horas-define-futuro-de-dilma\/","title":{"rendered":"Vota\u00e7\u00e3o do impeachment \u00e0s 11 horas define o futuro de Dilma Rousseff e do PT"},"content":{"rendered":"<p><strong>Marta Nobre, Edi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Dos 63 senadores que discursaram na sess\u00e3o que come\u00e7ou ontem no in\u00edcio da tarde encerrou \u00e0s 2h36 da madrugada desta quarta (31), 43 se declararam favor\u00e1veis ao impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff. Embora n\u00e3o tenha havido nos pronunciamentos um m\u00ednimo 54 apoios para condenar Dilma por crime de responsabilidade, proporcionalmente houve manifesta\u00e7\u00f5es entre os senadores para consider\u00e1-la culpada.<\/p>\n<p>O quorum para retirar Dilma do cargo &#8211; o maior de vota\u00e7\u00f5es do Congresso &#8211; \u00e9 de dois ter\u00e7os, ou 66,66% dos votos. Nos discursos, houve um aval ao afastamento definitivo de Dilma de 68,25% dos senadores.<\/p>\n<p>A sess\u00e3o de pronunciamentos durou 12 horas e encerrou com 43 manifesta\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis de senadores ao impedimento, 18 contr\u00e1rias e dois n\u00e3o declararam explicitamente seus respectivos votos (veja quadro abaixo).<\/p>\n<p>Ao todo, 18 senadores n\u00e3o participaram dessa fase de pronunciamentos. Ao final da sess\u00e3o, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, que comanda o processo de impeachment, declarou suspensa a sess\u00e3o e afirmou que o julgamento ser\u00e1 retomado nesta quarta-feira \u00e0s 11 horas com a \u00faltima etapa.<\/p>\n<p><strong>Vota\u00e7\u00e3o<\/strong> &#8211;\u00a0Hoje no final da manh\u00e3, os 81 integrantes da Casa v\u00e3o votar de forma decisiva o impedimento da presidente e decidir se a petista merece ser condenada \u00e0 cassa\u00e7\u00e3o de seu mandato por crime de responsabilidade. Os 54 votos necess\u00e1rios para afastar Dilma j\u00e1 s\u00e3o dados como certos pelo governo do presidente interino, Michel Temer. O Placar do Impeachment, feito pelo Grupo Estado, mostra que 55 senadores j\u00e1 anunciaram que v\u00e3o votar pelo afastamento. Se ela for condenada, Temer assume efetivamente o Pa\u00eds at\u00e9 o final de 2018.<\/p>\n<p>Na sess\u00e3o que come\u00e7ou na ter\u00e7a-feira, os debates ficaram polarizados. Os parlamentares apoiadores de Dilma repetiram a tese de que h\u00e1 um golpe de Estado para destituir a petista. J\u00e1 os cr\u00edticos da presidente afastada disseram que ela n\u00e3o dialogou com o Parlamento, cometeu il\u00edcitos e que o processo \u00e9 legitimado pelo STF, j\u00e1 que o presidente da Corte \u00e9 tamb\u00e9m presidente do tr\u00e2mite no Senado.<\/p>\n<p>O presidente do PSDB, senador A\u00e9cio Neves (MG), disse em seu discurso que Dilma n\u00e3o assumiu em seu discurso ao Senado &#8220;seus erros&#8221; e culpou a oposi\u00e7\u00e3o pela desestabiliza\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds no per\u00edodo de seu governo. &#8220;Quis\u00e9ramos n\u00f3s poder ter essa for\u00e7a, n\u00e3o para desestabilizar, mas para ajudar o governo a corrigir rumos. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 a oposi\u00e7\u00e3o que \u00e9 respons\u00e1vel pelos delitos cometidos&#8221;, disse o tucano.<\/p>\n<p>O l\u00edder do PMDB, Eun\u00edcio Oliveira (CE), um dos senadores mais pr\u00f3ximos do governo Michel Temer a discursar, assumiu a mesma linha do tucano. &#8220;A presidente n\u00e3o veio ontem, aqui, diante desta Casa, fazer uma autocr\u00edtica. Apesar das mais de dez horas em que aqui esteve e permaneceu neste plen\u00e1rio, falou com o seu p\u00fablico apenas para completar e concluir a sua brilhante biografia. N\u00e3o inovou; ao contr\u00e1rio, repetiu os argumentos que j\u00e1 vinham sendo usados. Portanto, sem surpresa tanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 coragem da presidente, quanto em rela\u00e7\u00e3o ao seu distanciamento permanente deste Parlamento&#8221;, disse o peemedebista.<\/p>\n<p>Os aliados da petista sa\u00edram na defesa. O l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o, Lindbergh Farias (PT-RJ), afirmou que a hist\u00f3ria vai reservar a Dilma &#8220;um lugar de honra&#8221;. &#8220;A senhora nunca vai precisar esconder o seu rosto, como esses que votam pelo impeachment. Viva Dilma Rousseff, viva a democracia&#8221;, disse.<\/p>\n<p><strong>Golpe<\/strong> &#8211;\u00a0Primeiro a falar, o senador Gladson Cameli (PP-AC) anunciou o voto a fator da condena\u00e7\u00e3o da petista e reacendeu a discuss\u00e3o: &#8220;N\u00e3o vejo como golpe lutar pelo cumprimento das leis e da constitui\u00e7\u00e3o. (&#8230;) Golpe \u00e9 mentir para ganhar as elei\u00e7\u00f5es&#8221;. O \u00faltimo a se pronunciar, o senador Rom\u00e1rio (PSB-RJ), fez um curto discurso e tamb\u00e9m defendeu a sa\u00edda definitiva de Dilma.<\/p>\n<p>Aliados de Dilma reagiram e refor\u00e7aram o discurso da presidente afastada, de que ela est\u00e1 sendo julgada pelo &#8220;conjunto da obra&#8221;. &#8220;E n\u00e3o adianta ficarem irritados porque n\u00f3s usamos a express\u00e3o &#8220;golpe&#8221;. &#8220;N\u00e3o somos n\u00f3s apenas, \u00e9 o mundo inteiro, \u00e9 a opini\u00e3o p\u00fablica mundial, s\u00e3o os grandes \u00f3rg\u00e3os da imprensa do mundo&#8221;, disse o l\u00edder do PT, Humberto Costa (PE). O petista disse ainda que o Congresso &#8220;nunca engoliu Dilma&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Temos um golpe travestido de impedimento, cujo objetivo \u00e9 tirar uma presidente democraticamente eleita e substituir o projeto que ela defende por uma pol\u00edtica que j\u00e1 foi derrotada nas urnas quatro vezes seguidas. Quatro vezes seguidas&#8221;, disse Costa.<\/p>\n<p>Tucanos como os senadores C\u00e1ssio Cunha Lima (PB) e A\u00e9cio Neves defenderam que o processo de impeachment de Dilma tem respaldo popular, pois o &#8220;povo foi \u00e0s ruas&#8221; contra a gest\u00e3o petista. Cunha Lima argumentou que caso o impedimento n\u00e3o prosperasse no Congresso, Dilma seria cassada pela Justi\u00e7a Eleitoral. &#8220;E \u00e9 preciso dizer &#8211; e dizer desde logo &#8211; que, se n\u00e3o fosse o impeachment, a presidente Dilma cairia por decis\u00e3o do Tribunal Superior Eleitoral. Ela seria cassada pela Justi\u00e7a Eleitoral, dado o volume de provas que l\u00e1 j\u00e1 se encontram, provando que a elei\u00e7\u00e3o dela foi maculada&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Diferente de segunda-feira, quando Dilma respondia perguntas dos congressistas, o plen\u00e1rio do Senado se manteve esvaziado durante os discursos de senadores. Muitos parlamentares permanecem em seus gabinetes ou no chamado &#8216;caf\u00e9zinho&#8217; da Casa e s\u00f3 entram no plen\u00e1rio pr\u00f3ximo da hora de seu pr\u00f3prio pronunciamento. As galerias, que j\u00e1 foram ocupadas por uma claque de ex-ministros, pelo ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva e pelo compositor Chico Buarque tamb\u00e9m ficaram esvaziadas. (Ricardo Brito, Beatriz Bulla, Julia Lindner e Isabela Bonfim)<\/p>\n<p><strong>Favor\u00e1veis<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Gladson Cameli (PP-AC)<\/li>\n<li>Ant\u00f4nio Anastasia (PSDB-MG)<\/li>\n<li>Ata\u00eddes Oliveira (PSDB-MG)<\/li>\n<li>Lucia Vania (PSB-GO)<\/li>\n<li>Lasier Martins (PDT-RS)<\/li>\n<li>Ronaldo Caiado (DEM-GO)<\/li>\n<li>Alvaro Dias (PV-PR)<\/li>\n<li>Antonio Valadares (PSB-SE)<\/li>\n<li>Dario Berger (PMDB-SC)<\/li>\n<li>Jos\u00e9 Medeiros (PSD-MT)<\/li>\n<li>Cassio Cunha Lima (PSDB-PB)<\/li>\n<li>Eduardo Amorim (PSC-SE)<\/li>\n<li>Aecio Neves (PSDB-MG)<\/li>\n<li>Magno Malta (PR-ES)<\/li>\n<li>Valdir Raupp (PMDB-RO)<\/li>\n<li>Ivo Cassol (PP-RO)<\/li>\n<li>Jos\u00e9 An\u00edbal (PSDB-SP)<\/li>\n<li>Garibaldi Alves (PMDB-RN)<\/li>\n<li>Paulo Bauer (PSDB-SC)<\/li>\n<li>Eun\u00edcio Oliveira (PMDB-CE)<\/li>\n<li>Cidinho Santos (PR-MT)<\/li>\n<li>Flexa Ribeiro (PSDB-PA)<\/li>\n<li>Ricardo Ferra\u00e7o (PSDB-ES)<\/li>\n<li>Benedito de Lira (PP-AL)<\/li>\n<li>Zez\u00e9 Perrella (PTB-MG)<\/li>\n<li>Wilder Morais (PP-GO)<\/li>\n<li>S\u00e9rgio Petec\u00e3o (PSD-AC)<\/li>\n<li>H\u00e9lio Jos\u00e9 (PMDB-DF)<\/li>\n<li>Rose de Freitas (PMDB-ES)<\/li>\n<li>Ana Am\u00e9lia (PP-RS)<\/li>\n<li>Simone Tebet (PMDB-MS)<\/li>\n<li>Waldemir Moka (PMDB-MS)<\/li>\n<li>Pedro Chaves (PSC-MS)<\/li>\n<li>Reguffe (sem partido-DF)<\/li>\n<li>Fernando Bezerra (PSB-PE)<\/li>\n<li>Cristovam Buarque (PPS-DF)<\/li>\n<li>Jos\u00e9 Agripino (DEM-RN)<\/li>\n<li>Dal\u00edrio Beber (PSDB-SC)<\/li>\n<li>Tasso Jereissati (PSDB-CE)<\/li>\n<li>Eduardo Lopes (PRB-RJ)<\/li>\n<li>Davi Alcolumbre (DEM-AP)<\/li>\n<li>Jos\u00e9 Maranh\u00e3o (PMDB-PB)<\/li>\n<li>43 &#8211; Rom\u00e1rio (PSB-RJ)<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Contr\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Jorge Viana (PT-AC)<\/li>\n<li>Roberto Requi\u00e3o (PMDB-PR)<\/li>\n<li>Angela Portela (PT-RR)<\/li>\n<li>F\u00e1tima Bezerra (PT-RN)<\/li>\n<li>L\u00eddice da Mata (PSB-BA)<\/li>\n<li>Gleisi Hoffmann (PT-PR)<\/li>\n<li>Vanessa Graziottin (PCdoB-AM)<\/li>\n<li>Humberto Costa (PT-PE)<\/li>\n<li>Regina Souza (PT-PI)<\/li>\n<li>Jos\u00e9 Pimentel (PT-CE)<\/li>\n<li>Paulo Paim (PT-RJ)<\/li>\n<li>Armando Monteiro (PTB-PE)<\/li>\n<li>Randolfe Rodrigues (Rede-AP)<\/li>\n<li>Lindbergh Farias (PT-RJ)<\/li>\n<li>Otto Alencar (PSD-BA)<\/li>\n<li>Jo\u00e3o Capiberibe (PSB-AP)<\/li>\n<li>Roberto Muniz (PP-BA)<\/li>\n<li>18 &#8211; Elmano F\u00e9rrer (PTB-PI)<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>N\u00e3o declararam<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Fernando Collor (PTC-AL)<\/li>\n<li>2 &#8211; Acir Gurgacz (PDT-RO)<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marta Nobre, Edi\u00e7\u00e3o Dos 63 senadores que discursaram na sess\u00e3o que come\u00e7ou ontem no in\u00edcio da tarde encerrou \u00e0s 2h36 da madrugada desta quarta (31), 43 se declararam favor\u00e1veis ao impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff. 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