{"id":114773,"date":"2016-09-08T06:12:15","date_gmt":"2016-09-08T09:12:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=114773"},"modified":"2016-09-08T09:15:41","modified_gmt":"2016-09-08T12:15:41","slug":"bancos-seguram-dinheiro-e-financiamento-para-capital-de-giro-cai-10-em-um-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/bancos-seguram-dinheiro-e-financiamento-para-capital-de-giro-cai-10-em-um-ano\/","title":{"rendered":"Bancos seguram dinheiro e financiamento para capital de giro cai 10% em um ano"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Fabr\u00edcio de Castro<\/strong><\/h6>\n<p>A forte recess\u00e3o que atinge o Pa\u00eds tornou escasso um tipo de cr\u00e9dito fundamental para o funcionamento das empresas: o de capital de giro, que financia a opera\u00e7\u00e3o di\u00e1ria das companhias. De julho de 2015 at\u00e9 julho deste ano, dado mais recente dispon\u00edvel no Banco Central, o volume de cr\u00e9dito para este segmento encolheu em R$ 39 bilh\u00f5es, passando de um total de R$ 384 bilh\u00f5es para R$ 345 bilh\u00f5es, numa sangria ainda sem sinais de estancar.<\/p>\n<p>A queda de 10% no saldo das linhas de giro que utilizam recursos captados pelos pr\u00f3prios bancos \u00e9 um claro sinal de que os empres\u00e1rios enfrentam dificuldades quando batem \u00e0 porta das institui\u00e7\u00f5es financeiras. Sem dinheiro para tocar as opera\u00e7\u00f5es, resta demitir e fechar as portas.<\/p>\n<p>O problema se intensificou desde o in\u00edcio da segunda gest\u00e3o Dilma Rousseff, em janeiro de 2015. Com a economia em retra\u00e7\u00e3o, os bancos tamb\u00e9m fecharam as torneiras do cr\u00e9dito. Eles passaram a ser mais seletivos na concess\u00e3o de capital de giro, a exigir garantias reais e a cobrar taxas de juros mais elevadas. No in\u00edcio do ano passado, conforme o Banco Central, a taxa m\u00e9dia de juros para capital de giro estava em 22,5% ao ano. Agora, atinge 26% ao ano.<\/p>\n<p>&#8220;E quem mais sofre s\u00e3o as empresas de porte menor&#8221;, afirma Ricardo Rocha, professor do Advance Program in Finance do Insper &#8220;Porque as grandes sempre t\u00eam outras alternativas. Elas podem emitir deb\u00eantures (t\u00edtulos de d\u00edvidas) ou outros pap\u00e9is. J\u00e1 as m\u00e9dias empresas precisam de capital de giro.&#8221;<\/p>\n<p>Com o capital de giro, as empresas podem tocar as opera\u00e7\u00f5es no curto prazo, pagando fornecedores, despesas do dia a dia (luz, \u00e1gua, telefone) e sal\u00e1rios. A import\u00e2ncia dessas linhas pode ser expressa em um n\u00famero: de todo o cr\u00e9dito que os bancos oferecem \u00e0s empresas brasileiras, considerando os recursos pr\u00f3prios, 45% s\u00e3o para capital de giro. Em segundo lugar, com apenas 9% da fatia, aparece o cr\u00e9dito para empresas via ACC (Adiantamento de Contrato de C\u00e2mbio), uma modalidade voltada a exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O acesso \u00e0s linhas de capital de giro, no entanto, est\u00e1 mais dif\u00edcil. Rocha lembra que, nos balan\u00e7os mais recentes divulgados pelos bancos, &#8220;h\u00e1 muita provis\u00e3o para perdas e isso n\u00e3o \u00e9 sem motivo&#8221;. Com a economia em retra\u00e7\u00e3o e a onda de fal\u00eancias em v\u00e1rios setores, as institui\u00e7\u00f5es querem mais garantias para liberar o dinheiro. &#8220;Cinco bancos concentram 80% do mercado. Quando um banco grande se retrai, n\u00e3o tem jeito&#8221;, diz o professor do Insper.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 dif\u00edcil medir o que \u00e9 falta de demanda por cr\u00e9dito em meio \u00e0 crise e o que \u00e9 escassez de oferta. Mas \u00e9 prov\u00e1vel que seja mais falta de oferta, porque os bancos est\u00e3o restritivos&#8221;, confirma Bruno Lavieri, economista da 4E Consultoria. Segundo ele, bancos p\u00fablicos como o BNDES v\u00eam reduzindo o cr\u00e9dito dispon\u00edvel e muitos clientes buscaram recursos no setor privado, a um custo mais alto.<\/p>\n<p><b>Entraves &#8211;\u00a0<\/b>O empres\u00e1rio Ney Pasqualini, da metal\u00fargica Winnstal, de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP), conhece de perto essa realidade. Como vice-diretor do Centro das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Ciesp), ele afirma que muitos pequenos e m\u00e9dios empres\u00e1rios da regi\u00e3o est\u00e3o com a corda no pesco\u00e7o. &#8220;Os bancos est\u00e3o dificultando a concess\u00e3o de cr\u00e9dito. Os juros est\u00e3o elevados e eles exigem garantias reais, como uma propriedade.&#8221;<\/p>\n<p>Outro entrave, diz Pasqualini, \u00e9 que muitas empresas est\u00e3o com impostos atrasados e n\u00e3o conseguem uma Certid\u00e3o Negativa de D\u00e9bitos de Tributos e Contribui\u00e7\u00f5es Federais (CND) &#8211; um documento da Receita Federal que atesta que os impostos est\u00e3o em dia. &#8220;Sem a CND, os bancos n\u00e3o liberam cr\u00e9dito.&#8221;<\/p>\n<p>O resultado, afirma Pasqualini, \u00e9 que &#8220;as demiss\u00f5es continuam&#8221;. &#8220;Estou com 78 funcion\u00e1rios, mas j\u00e1 tive 90. E n\u00e3o tenho acesso hoje ao capital de giro. Meu giro atualmente \u00e9 feito por meio do fluxo de pagamento dos clientes&#8221;, lamenta.<\/p>\n<p><b>Retra\u00e7\u00e3o e\u00a0crise global &#8211;\u00a0<\/b>A retra\u00e7\u00e3o das linhas de capital de giro desde o in\u00edcio de 2015 chega a ser pior que a situa\u00e7\u00e3o vista ap\u00f3s o estouro da crise econ\u00f4mica global, em setembro de 2008. Isso porque, naquela \u00e9poca, este tipo de cr\u00e9dito com recursos captados pelos bancos (sem o BNDES) vinha crescendo no Brasil a taxas mensais que chegavam a 7%.<\/p>\n<p>Quando o p\u00e2nico se instalou nos mercados globais, no fim de 2008 e in\u00edcio de 2009, o saldo de opera\u00e7\u00f5es de capital de giro chegou a congelar em alguns meses, mas n\u00e3o houve um movimento intenso de retra\u00e7\u00e3o, como \u00e9 percebido agora. No segundo semestre de 2009, o saldo das opera\u00e7\u00f5es de capital de giro j\u00e1 crescia a taxas entre 2% e 4%. &#8220;Na metade de 2009, come\u00e7ou a haver melhora no cr\u00e9dito. Isso porque o mercado percebeu que haveria forte crescimento do PIB em 2010, o que de fato ocorreu, e a libera\u00e7\u00e3o de recursos melhorou&#8221;, diz Ricardo Rocha, professor do Insper.<\/p>\n<p>A recess\u00e3o econ\u00f4mica que atinge o Pa\u00eds desde o in\u00edcio de 2015, aliada \u00e0 crise de confian\u00e7a que se instalou em fun\u00e7\u00e3o do processo de impeachment de Dilma Rousseff, tornou os bancos mais seletivos. Em julho deste ano, o saldo das linhas de capital de giro caiu 1,6% ante junho. Desde dezembro de 2014, a derrocada chega a 12,1%. Na pr\u00e1tica, o saldo atual de cr\u00e9dito para capital de giro, de R$ 345 bilh\u00f5es, recuou quatro anos, para n\u00edveis de setembro de 2012.<\/p>\n<p>Para tentar desafogar as empresas, o BNDES anunciou em 25 de agosto refor\u00e7o de R$ 4 bilh\u00f5es para a linha de capital de giro, com taxas de juros menores para pequenos neg\u00f3cios. Os recursos podem ser acessados pelas empresas tanto via BNDES quanto em outros bancos.<\/p>\n<p>A medida tamb\u00e9m busca estancar a queda no cr\u00e9dito para capital de giro com recursos do BNDES registrada desde o in\u00edcio de 2015, de 24,2%. S\u00f3 que o refor\u00e7o est\u00e1 longe de resolver o problema, j\u00e1 que o cr\u00e9dito para capital de giro com recursos do BNDES est\u00e1 hoje na casa dos R$ 15,7 bilh\u00f5es &#8211; ou seja, muito abaixo dos R$ 345 bilh\u00f5es do saldo com recursos captados pelos bancos de outras fontes.<\/p>\n<p>Enquanto os bancos n\u00e3o afrouxarem as exig\u00eancias, o cen\u00e1rio n\u00e3o vai melhorar. Para Bruno Lavieri, da 4E Consultoria, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para uma melhora no segundo semestre de 2016, mas para uma &#8220;acomoda\u00e7\u00e3o&#8221;. &#8220;Esse processo de queda do cr\u00e9dito tem de parar em algum momento.&#8221;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fabr\u00edcio de Castro A forte recess\u00e3o que atinge o Pa\u00eds tornou escasso um tipo de cr\u00e9dito fundamental para o funcionamento das empresas: o de capital de giro, que financia a opera\u00e7\u00e3o di\u00e1ria das companhias. 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