{"id":114983,"date":"2016-09-10T07:30:20","date_gmt":"2016-09-10T10:30:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=114983"},"modified":"2016-09-10T09:46:44","modified_gmt":"2016-09-10T12:46:44","slug":"prepare-o-passaporte-para-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/prepare-o-passaporte-para-marte\/","title":{"rendered":"Prepare o visto para Marte que a hora est\u00e1 chegando"},"content":{"rendered":"<p>Em 24 de novembro de 2015, tr\u00eas astronautas chegaram numa nave Soyuz \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional (ISS). Entre eles, estava uma mulher, a italiana Samantha Cristoforetti. Al\u00e9m de ser a primeira europeia a bordo da ISS em 13 anos, ela tamb\u00e9m era a primeira mulher de seu pa\u00eds a ir para o espa\u00e7o sideral.<\/p>\n<p>Os recordes n\u00e3o pararam por a\u00ed: devido \u00e0 falha de dois foguetes russos, sua estada na ISS teve que ser estendida por mais um m\u00eas al\u00e9m do previsto. Assim, ao retornar \u00e0 Terra ap\u00f3s 199 dias e 16 horas, a milanesa nascida em 1977 havia quebrado os recordes de perman\u00eancia europeia e feminina. Al\u00e9m disso, foi a primeira pessoa a fazer um caf\u00e9 expresso no espa\u00e7o.<\/p>\n<p>A DW conversou com Cristoforetti sobre suas experi\u00eancias espaciais e suas ideias a respeito de viagens extraterrestres, cuja eventual comercializa\u00e7\u00e3o ela considera positiva.<\/p>\n<p>Ela admite que adoraria ir \u00e0 Lua, por\u00e9m um voo at\u00e9 um planeta vizinho a fascina ainda mais. &#8220;\u00c9 o destino natural, certo? No nosso Sistema Solar, o pr\u00f3ximo lugar \u00e9 Marte.&#8221;<\/p>\n<p><strong>DW: Como s\u00e3o as suas sensa\u00e7\u00f5es ap\u00f3s passar sete meses na (ISS)?<\/strong><\/p>\n<p>Samantha Cristoforetti: H\u00e1 a experi\u00eancia de ser parte de uma tripula\u00e7\u00e3o formada pelos \u00fanicos seres humanos que n\u00e3o est\u00e3o no planeta naquele momento, todo o resto est\u00e1 l\u00e1 embaixo. A\u00ed, naquele momento, \u00e9 como se voc\u00ea os abra\u00e7asse em \u00f3rbita, voando em volta. Ent\u00e3o h\u00e1 muitos aspectos, alguns s\u00e3o sensa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, outros s\u00e3o pensamentos e reflex\u00f5es que surgem.<\/p>\n<p><strong>Em sua opini\u00e3o, h\u00e1 suficiente retorno cient\u00edfico da estada no espa\u00e7o e sua explora\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Penso que sim. Definitivamente acho que o retorno est\u00e1 crescendo, pois vamos ficando cada vez melhores em explorar a esta\u00e7\u00e3o. Agora faz seis anos que ela foi totalmente constru\u00edda, portanto, s\u00f3 vem servindo como base para toda a comunidade espacial desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>E \u00e9 bem interessante observar o que ocorre agora, que \u00e9 a comercializa\u00e7\u00e3o das possibilidades de pesquisa e o abarcamento de um c\u00edrculo mais amplo, acad\u00eamico, mas tamb\u00e9m industrial. Parece haver muito interesse na pesquisa da microgravidade. Acho que demonstramos que a coisa funciona e tem grande potencial.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, n\u00e3o me surpreenderia se, quando a esta\u00e7\u00e3o n\u00e3o existir mais, dentro de talvez dez, 12 anos, aparecerem plataformas comerciais oferecendo a oportunidade real de pesquisas sobre microgravidade ou a \u00f3rbita terrestre baixa. Se isso acontecer, a\u00ed vai ser a reveladora hist\u00f3ria de que tudo isso fez realmente sentido.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o tem nada contra a comercializa\u00e7\u00e3o das viagens espaciais?<\/strong><\/p>\n<p>Muito pelo contr\u00e1rio, acho que \u00e9 fant\u00e1stico. Esse \u00e9 o sentido da coisa: n\u00f3s n\u00e3o vamos ao espa\u00e7o a fim de mant\u00ea-lo para uma comunidade fechada, mas sim para abrir uma fronteira. Quanto mais, melhor, e \u00e9 assim que se define sucesso. A ideia de cada vez mais gente querendo, tendo a chance de ir para o espa\u00e7o, possivelmente at\u00e9 fazendo dinheiro e promovendo o avan\u00e7o da tecnologia: isso \u00e9 o que eu chamo de sucesso.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea conta que sempre quis ser astronauta. Que tipo de treinamento teve, antes de se tornar uma?<\/strong><\/p>\n<p>De todo tipo. O treinamento para a esta\u00e7\u00e3o espacial \u00e9 bastante longo, leva uns dois anos e meio. Ent\u00e3o voc\u00ea treina na c\u00e1psula da Soyuz, treina no sistema, treina os procedimentos normais e um monte de procedimentos de emerg\u00eancia, caso algo d\u00ea errado. Voc\u00ea treina para caminhar no espa\u00e7o, para manejar o bra\u00e7o rob\u00f3tico e para os experimentos.<\/p>\n<p><strong>Antes, voc\u00ea era piloto. Isso ajudou?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que sim. Tudo o que se fez na vida ajuda. S\u00e3o tantas habilidades diferentes a se adquirir, que tudo o que se aprendeu na vida vai ajudar, de algum modo. Ent\u00e3o, claro, minha base t\u00e9cnica como engenheira me ajudou, mas ter sido treinada como piloto definitivamente tamb\u00e9m me ajudou a lidar com o contexto ocupacional. O espa\u00e7o \u00e9 um meio ambiente ocupacional.<\/p>\n<p><strong>Acha que os astronautas deveriam servir como modelos de vida para os jovens?<\/strong><\/p>\n<p>Parece que s\u00e3o. A rea\u00e7\u00e3o que recebo dos jovens, n\u00e3o s\u00f3 em idade escolar, mas tamb\u00e9m universit\u00e1rios e at\u00e9 mais velhos, parece mostrar que eles nos admiram, encontram inspira\u00e7\u00e3o no que fazemos. Ent\u00e3o \u00e9 emocionante. Mas ao mesmo tempo tamb\u00e9m \u00e9 meio assustador. Sem d\u00favida, \u00e9 uma grande responsabilidade.<\/p>\n<p><strong>Por que o lado sul da Lua \u00e9 t\u00e3o interessante?<\/strong><\/p>\n<p>Toda vez que a Lua completa um ciclo, basicamente a cada 14 dias, a gente entra na escurid\u00e3o. E a\u00ed demora mais 14 dias at\u00e9 ter novamente algum sol, as oscila\u00e7\u00f5es t\u00e9rmicas s\u00e3o enormes. Em termos de gera\u00e7\u00e3o de eletricidade, usando pain\u00e9is solares voc\u00ea tem ciclos de 14 dias, o que torna o muito complicado o armazenamento de energia.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o o que acontece no polo sul, onde o eixo lunar \u00e9 um pouco inclinado, \u00e9 que h\u00e1 \u00e1reas de luz solar permanente. Ao mesmo tempo, descendo a uma cratera, h\u00e1 \u00e1reas de escurid\u00e3o permanente. L\u00e1, n\u00f3s deduzimos, pode ser que haja grande quantidade de \u00e1gua congelada. Portanto esses dois aspectos s\u00e3o extremamente importantes para quem pensa em um dia formar uma col\u00f4nia na Lua. E as varia\u00e7\u00f5es de temperatura s\u00e3o muito mais suaves.<\/p>\n<p><strong>Acha que no momento \u00e9 poss\u00edvel haver uma col\u00f4nia lunar, que isso n\u00e3o \u00e9 apenas uma fantasia?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma perspectiva realista. \u00c9 preciso tecnologia de que n\u00e3o dispomos ainda, necessariamente, mas o desenvolvimento dela \u00e9 basicamente exequ\u00edvel, n\u00f3s sabemos como chegar l\u00e1. No fim das contas, \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de vontade pol\u00edtica e de quanta verba se disp\u00f5e para executar o projeto. E, no nosso caso [da Ag\u00eancia Espacial Europeia, ESA], depende de quanto dinheiro recebemos de nossos Estados-membros, isso determina se podemos faz\u00ea-lo num prazo mais breve ou mais longo.<\/p>\n<p>Acho que vai acontecer em breve, mas n\u00e3o sou eu quem decide. N\u00e3o h\u00e1 atualmente um programa que diga &#8220;estamos indo para a Lua&#8221;, estamos s\u00f3 explorando possibilidades e, claro, s\u00e3o outros a decidir se \u00e9 poss\u00edvel. N\u00e3o com a tecnologia de que dispomos agora, mas com uma tecnologia que sabemos como desenvolver, num prazo razo\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Em outubro ocorrer\u00e1 um passo importante em rela\u00e7\u00e3o a Marte. O que \u00e9 essa miss\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a ExoMars, uma miss\u00e3o rob\u00f3tica bem entusiasmante, que est\u00e1 a caminho de Marte desde mar\u00e7o. \u00c9 uma esp\u00e9cie de miss\u00e3o dupla, com um m\u00f3dulo que vai ficar em \u00f3rbita em torno de Marte, como esta\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria de comunica\u00e7\u00e3o, e uma unidade de aterrissagem experimental, o m\u00f3dulo Schiaparelli, que vai aterrissar no planeta para demonstrar a tecnologia de aterrissagem.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a primeira parte. A segunda est\u00e1 planejada para 2020, quando vamos lan\u00e7ar outra miss\u00e3o com um ve\u00edculo rover, para aterrissar em Marte e pesquisar a superf\u00edcie do planeta por um per\u00edodo longo. Ele incluir\u00e1 uma broca, para, pela primeira vez, penetrar bem fundo no solo marciano.<\/p>\n<p>Tivemos e temos v\u00e1rios rovers e rob\u00f4s em busca de sinais de vida em Marte, mas a exposi\u00e7\u00e3o ao sol na superf\u00edcie pode ter matado esses sinais. Agora, indo mais fundo, pode ser que os encontremos. Ent\u00e3o \u00e9 uma coisa nova e bem entusiasmante que vamos ter em Marte.<\/p>\n<p><strong>Se tivesse oportunidade, gostaria de ir a Marte?<\/strong><\/p>\n<p>Teoricamente, se tiv\u00e9ssemos a tecnologia agora mesmo, uma miss\u00e3o configurada e se me pedissem para integrar a tripula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que seria uma honra para mim.<\/p>\n<p><strong>Por que a ideia \u00e9 t\u00e3o fascinante?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a fronteira, \u00e9 o pr\u00f3ximo destino para os humanos. \u00c9 o destino natural, certo? Claro, h\u00e1 a Lua, e eu tamb\u00e9m adoraria ir para l\u00e1. Mas, no nosso Sistema Solar, o pr\u00f3ximo lugar \u00e9 Marte.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-114984\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/dw-v2.gif\" alt=\"dw-v2\" width=\"38\" height=\"22\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 24 de novembro de 2015, tr\u00eas astronautas chegaram numa nave Soyuz \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional (ISS). Entre eles, estava uma mulher, a italiana Samantha Cristoforetti. Al\u00e9m de ser a primeira europeia a bordo da ISS em 13 anos, ela tamb\u00e9m era a primeira mulher de seu pa\u00eds a ir para o espa\u00e7o sideral. 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