{"id":115018,"date":"2016-09-10T08:43:39","date_gmt":"2016-09-10T11:43:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=115018"},"modified":"2016-09-10T08:44:17","modified_gmt":"2016-09-10T11:44:17","slug":"mafia-das-proteses-tem-carimbo-de-gente-americana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mafia-das-proteses-tem-carimbo-de-gente-americana\/","title":{"rendered":"M\u00e1fia das pr\u00f3teses tem digitais de americanos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fabiana Cambricoli<\/strong><\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Planos de Sa\u00fade (Abramge) entrou com a\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a dos Estados Unidos contra oito empresas americanas que t\u00eam filiais no Brasil envolvidas na chamada m\u00e1fia das \u00f3rteses e pr\u00f3teses. Pelo esquema, m\u00e9dicos e hospitais recebiam comiss\u00f5es dos fabricantes de dispositivos m\u00e9dicos para usar produtos de determinada marca nas cirurgias feitas em seus pacientes. Em alguns casos, doentes foram operados sem necessidade.<\/p>\n<p>Na a\u00e7\u00e3o, as operadoras pedem indeniza\u00e7\u00e3o pelos custos indevidos provocados pela m\u00e1fia e prop\u00f5em um acordo para que a matriz adote regras mais r\u00edgidas para coibir tais pr\u00e1ticas entre suas subsidi\u00e1rias. Nesta semana, a diretoria da Abramge viajou para os Estados Unidos para iniciar a abertura dos processos. Como cada empresa tem sede em um Estado americano diferente, ser\u00e3o oito a\u00e7\u00f5es. Em cada uma delas, a Abramge pedir\u00e1 uma indeniza\u00e7\u00e3o de US$ 5 milh\u00f5es a US$ 10 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Por ter regras mais r\u00edgidas de compliance, a legisla\u00e7\u00e3o americana n\u00e3o perdoa que as empresas subsidi\u00e1rias americanas em outros pa\u00edses pratiquem essas a\u00e7\u00f5es criminosas. A grande dificuldade que n\u00f3s t\u00ednhamos era mostrar que a matriz nos Estados Unidos sabia que a filial no Brasil estava pagando propina para m\u00e9dico e para hospital. Buscamos as provas e vimos que todas sabiam que suas subsidi\u00e1rias estavam tendo um aumento de receita porque faziam essas pr\u00e1ticas&#8221;, diz Pedro Ramos, diretor da Abramge, que n\u00e3o quis revelar o nome das empresas processadas.<\/p>\n<p>Ele afirma que o maior objetivo da a\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o ressarcimento econ\u00f4mico, uma vez que o valor somado das indeniza\u00e7\u00f5es n\u00e3o cobre o preju\u00edzo de R$ 3 bilh\u00f5es causado pela m\u00e1fia. &#8220;O escopo dessa a\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 financeiro, \u00e9 provocar uma mudan\u00e7a de postura&#8221;, afirma Ramos.<\/p>\n<p>Superintendente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Artigos e Equipamentos M\u00e9dicos e Odontol\u00f3gicos (Abimo), Paulo Henrique Fraccaro afirma que a a\u00e7\u00e3o movida pela Abramge \u00e9 positiva para o setor. &#8220;As empresas que agiram de forma errada ter\u00e3o de arcar com as consequ\u00eancias, mas a mudan\u00e7a de postura precisa acontecer em todas as esferas. As regras de compliance ser\u00e3o uma ferramenta importante para que as concorr\u00eancias sejam mais iguais. As empresas que n\u00e3o se adequarem a isso est\u00e3o fadadas ao fracasso&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p><strong>Sequelas<\/strong> &#8211;\u00a0Enquanto as operadoras buscam acabar com o esquema fraudulento, pacientes prejudicados pela m\u00e1fia ainda esperam a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos, a secret\u00e1ria executiva Daniela de Castro Nichele, de 42 anos, perdeu os movimentos dos p\u00e9s e passou a andar com dificuldades, por causa da demora na realiza\u00e7\u00e3o de uma cirurgia por um ortopedista de Porto Alegre investigado por suposta participa\u00e7\u00e3o no esquema. Em 2014, ela teve uma crise de h\u00e9rnia de disco e foi internada, mas o m\u00e9dico s\u00f3 aceitou oper\u00e1-la se fossem utilizados parafusos importados.<\/p>\n<p>&#8220;Ele disse que os parafusos nacionais n\u00e3o prestavam e me indicou uma advogada para entrar na Justi\u00e7a e obrigar meu plano de sa\u00fade a pagar os importados. Com isso, minha opera\u00e7\u00e3o demorou cinco meses para acontecer&#8221;, conta ela.<\/p>\n<p>&#8220;Nesse meio tempo, o plano de sa\u00fade entrou em contato comigo e disse que aquele m\u00e9dico estava sendo investigado. Me passaram para outro cirurgi\u00e3o e ele me operou com material nacional e deu tudo certo. O problema \u00e9 que, como demorou demais, minha h\u00e9rnia come\u00e7ou a comprimir minha medula e meu nervo ci\u00e1tico e eu fiquei com essas sequelas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Ela entrou com a\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a contra o m\u00e9dico, mas, enquanto a investiga\u00e7\u00e3o est\u00e1 em andamento, o profissional continua atuando. &#8220;Ele j\u00e1 devia estar preso porque prejudicou muita gente&#8221;, afirma Daniela.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fabiana Cambricoli A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Planos de Sa\u00fade (Abramge) entrou com a\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a dos Estados Unidos contra oito empresas americanas que t\u00eam filiais no Brasil envolvidas na chamada m\u00e1fia das \u00f3rteses e pr\u00f3teses. 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