{"id":115441,"date":"2016-09-14T09:07:37","date_gmt":"2016-09-14T12:07:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=115441"},"modified":"2016-09-14T09:08:39","modified_gmt":"2016-09-14T12:08:39","slug":"tom-ze-lanca-albom-com-cancoes-eroticas-de-ninar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/tom-ze-lanca-albom-com-cancoes-eroticas-de-ninar\/","title":{"rendered":"Tom Z\u00e9 lan\u00e7a \u00e1lbum com can\u00e7\u00f5es er\u00f3ticas de ninar"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Julio Maria<\/strong><\/h6>\n<p>Antes de tudo, \u00e9 bom lembrar que Tom Z\u00e9 nasceu nos rec\u00f4ncavos e convexos baianos de uma terra que um dia transbordaria seu prazer nos ax\u00e9s descarnados e nas lambadas maliciosas. Nos tempos de Tom, o sexo ainda era um diabo aprisionado. Vinha em forma de mulher vestida at\u00e9 embaixo, professora de piano, entregue apenas na imagina\u00e7\u00e3o de um menino t\u00edmido que descobria o mundo a cada tremor de uma ere\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim se fez Tom Z\u00e9, querendo ou n\u00e3o, da mesma costela de Dorival Caymmi, do mesmo barro de Carla Perez. A for\u00e7a que o move sempre foi sexual. Sua m\u00fasica inquieta \u00e9 feita de arranjos impulsionados por arroubos org\u00e1smicos e sua criatividade tem recortes masturbativos. Em palavras mais public\u00e1veis, sua obra est\u00e1 sempre tensa.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de Tom Z\u00e9 \u00e9 filha do ato sexual. A ele n\u00e3o interessa nem o romance do pr\u00e9 nem a flutua\u00e7\u00e3o do p\u00f3s. Com as ancas sob o longo vestido da professora de piano na imagina\u00e7\u00e3o, trata-se de um homem em constante erup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim se fez Can\u00e7\u00f5es Er\u00f3ticas de Ninar, \u00e1lbum que sai perto de seus 80 anos, a serem completados em 11 de outubro, e que ser\u00e1 lan\u00e7ado dias 8 e 9 do mesmo m\u00eas no Sesc Pompeia. Produzido por Paulinho Lepetit, ele vem inspirado no erotismo, escancarando o que se escondia nas camadas subcut\u00e2neas. Can\u00e7\u00f5es Er\u00f3ticas \u00e9 um \u00e1lbum de sexo expl\u00edcito nos versos e no conceito, mas protegido das baixezas mundanas pela camisinha intelectual de um artista que foge do \u00f3bvio como o padre da prostituta. Aos 80 anos, Tom Z\u00e9 n\u00e3o parece precisar do Viagra de um disco de regrava\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Sexo, a primeira faixa, \u00e9 o abre-alas da festa profana concebida com f\u00e9 e provoca\u00e7\u00e3o. O primitivismo de sua m\u00fasica &#8211; Tom Z\u00e9 \u00e9 a vingan\u00e7a do quase cantor fazendo a quase can\u00e7\u00e3o &#8211; cresce nos detalhes. O que seria de Sobe ni Mim se fossem apenas ele e o viol\u00e3o? Mas o arranjo de for\u00e7a rock and roll, com a explos\u00e3o do baixo de Lepetit rompendo panelas, sanfonas e berimbaus, d\u00e1 impacto e sentido a uma letra t\u00e3o profunda quanto o pensamento de quem est\u00e1 l\u00e1 na hora h, anunciando a chegada do prazer. &#8220;A\u00ed qu\u00ed, ca\u00eda aqui, a\u00ed c\u00e1, ca\u00eda c\u00e1&#8230; c\u00e1&#8221;. Tom se baseia em uma mat\u00e9ria publicada na Revista JP, da colunista social Joyce Pascowitch, para compor Orgasmo Terceirizado e cria uma entusiasmada rusga entre as meninas da Universidade de S\u00e3o Paulo versus as estudantes da Faculdade Get\u00falio Vargas em USP X GV.<\/p>\n<p>Dedo sugere \u00e0s mo\u00e7as algo que, quando vem assim, sem a m\u00fasica, pode parecer um tanto gratuito. Na can\u00e7\u00e3o, ganha mais sentido. &#8220;\u00d4, \u00f4, \u00f4, mo\u00e7a assustadinha \/ \u00f4, \u00f4, \u00f4, dedo com camisinha \/ \u00f4, \u00f4, \u00f4, mo\u00e7a de pai zangado \/ um dedo engravatado \/ mo\u00e7a que tem receio \/ dedo at\u00e9 o meio \/ Pra mo\u00e7a que ainda tem medo \/ Um dedo que guarde segredo&#8221;.<\/p>\n<p>Uma inspiradora disseca\u00e7\u00e3o do corpo feminino \u00e9 feita em Por Baixo. &#8220;Por baixo do vestido \/ a timidez \/ Baixo da timidez, a seda fina \/ Baixo dela, uma nuvem de calor \/ Baixo desse calor, um perfume da China&#8221;. E, abaixo do perfume, mais descoberta: &#8220;Por baixo do perfume, a rede el\u00e9trica \/ Baixo da rede el\u00e9trica, os pelos \/ E por baixo dos pelos, as estradas \/ Que conduzem nos fios \/ Os teus arrepios \/ Manifestos em ois! e uis! e ais! \/ L\u00e1 onde a raz\u00e3o n\u00e3o chega mais&#8221;.<\/p>\n<p>Tom Z\u00e9 estava com a tem\u00e1tica desse disco em mente h\u00e1 um tempo. Em 2014, chegou a apresentar um show no Bourbon Street com algumas m\u00fasicas do repert\u00f3rio. Chegou a anunciar ao Estado que incluiria a can\u00e7\u00e3o Maria Bago Mole no disco, mas ela acabou n\u00e3o entrando. O show no Bourbon foi arrebatador em seu formato. Tom agia como se liderasse um talk-show, explicando a origem das letras \u00e0 plateia com seu jeito professoral endiabrado. Se quisesse, poderia sair pelo Pa\u00eds vendendo essa apresenta\u00e7\u00e3o em paralelo aos shows convencionais.<\/p>\n<p>Interessante sentir durante alguns momentos da audi\u00e7\u00e3o do disco que o jeito Tom Z\u00e9 de pensar m\u00fasica tamb\u00e9m pode cansar, desgastar, tornar a repeti\u00e7\u00e3o da aventura ao desconhecido um terreno familiar, tirar o prazer do susto diante de um prato sofisticado por oferec\u00ea-lo muitas vezes. O imprevis\u00edvel, quando repetido \u00e0 exaust\u00e3o, ser\u00e1 um dia previs\u00edvel e a surpresa, se tirada da cartola a cada compasso, n\u00e3o surpreender\u00e1 mais. O ch\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 preciso, a calmaria refor\u00e7a a tempestade. Mas pergunte a Tom Z\u00e9 se ele, aos 80 anos de idade, sobrevivente das ancas da professora de piano e salvo um dia da invisibilidade eterna pelo m\u00fasico David Byrne, est\u00e1 preocupado com isso. Sua m\u00fasica n\u00e3o nega fogo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Julio Maria Antes de tudo, \u00e9 bom lembrar que Tom Z\u00e9 nasceu nos rec\u00f4ncavos e convexos baianos de uma terra que um dia transbordaria seu prazer nos ax\u00e9s descarnados e nas lambadas maliciosas. 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