{"id":115977,"date":"2016-09-19T14:13:56","date_gmt":"2016-09-19T17:13:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=115977"},"modified":"2016-09-19T15:16:31","modified_gmt":"2016-09-19T18:16:31","slug":"bancos-suicos-vao-usar-lupa-em-dinheiro-de-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/bancos-suicos-vao-usar-lupa-em-dinheiro-de-brasileiros\/","title":{"rendered":"Bancos su\u00ed\u00e7os v\u00e3o usar lupa em dinheiro de brasileiros"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Jamil Chade<\/strong><\/h6>\n<p>A eclos\u00e3o da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato no Brasil e das investiga\u00e7\u00f5es por parte do Minist\u00e9rio P\u00fablico Su\u00ed\u00e7o levaram os bancos da Su\u00ed\u00e7a a aumentar o controle sobre contas de brasileiros no pa\u00eds. Em alguns casos, chegam at\u00e9 a se recusar transfer\u00eancias de pol\u00edtico ou funcion\u00e1rio p\u00fablico brasileiro. &#8220;O escrut\u00ednio passou a ser muito maior hoje, com certeza&#8221;, declarou o presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Bancos da Su\u00ed\u00e7a, Patrick Odier, um dos banqueiros mais influentes do pa\u00eds.<\/p>\n<p>No total, mais de mil contas em 42 bancos e com US$ 800 milh\u00f5es foram bloqueadas na Su\u00ed\u00e7a, num dos maiores casos de corrup\u00e7\u00e3o j\u00e1 investigado no pa\u00eds. Entre os correntistas estavam o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o ex-marqueteiro do PT, Jo\u00e3o Santana. &#8220;O fato de termos encontrado tantas institui\u00e7\u00f5es su\u00ed\u00e7as nesse caso \u00e9 algo que lamentamos muitos&#8221;, disse Odier. Num raro discurso de mea culpa, o banqueiro n\u00e3o nega os erros das institui\u00e7\u00f5es. &#8220;Lamentamos muito&#8221;, insistiu.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio banco de Patrick Odier, o Lombard Odier, foi um dos que abriu contas para ex-dirigentes da Petrobras. O ex-diretor da \u00e1rea Internacional da estatal Jorge Zelada e o ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco tamb\u00e9m eram correntistas na institui\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Segundo as investiga\u00e7\u00f5es, menos de quatro meses ap\u00f3s a deflagra\u00e7\u00e3o da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, em 25 de julho de 2014, Zelada solicitou a transfer\u00eancia de valores da Su\u00ed\u00e7a para M\u00f4naco &#8220;Jorge Luiz Zelada, ap\u00f3s a deflagra\u00e7\u00e3o das primeiras fases ostensivas da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, a fim de ocultar os recursos il\u00edcitos que mantinha na Su\u00ed\u00e7a com a ajuda de Denise Kos (gerente do banco) solicitou, em julho de 2014, a transfer\u00eancia dos valores mantidos no banco Lombard Odier Darier Hentsch and Cie para o banco Julius Baer, em M\u00f4naco&#8221;, aponta o documento subscrito pelo delegado Filipe Hille Pace.<\/p>\n<p><strong>&#8216;Para\u00edso fiscal&#8217;<\/strong><b> &#8211;\u00a0<\/b>Entre os banqueiros, a prolifera\u00e7\u00e3o de descobertas relacionadas ao bancos su\u00ed\u00e7os voltou a refor\u00e7ar a imagem pelo mundo de que o pa\u00eds seria um para\u00edso para dinheiro sujo &#8211; uma imagem que a Su\u00ed\u00e7a tenta se desfazer.<\/p>\n<p>Segundo fontes em Zurique, os bancos passaram a acompanhar com aten\u00e7\u00e3o o notici\u00e1rio brasileiro para identificar imediatamente qualquer implica\u00e7\u00e3o de um de seus correntistas em investiga\u00e7\u00f5es. O MP su\u00ed\u00e7o tamb\u00e9m circulou um pedido de coopera\u00e7\u00e3o aos bancos.<\/p>\n<p>Para os novos clientes, a ordem \u00e9 abandonar a velha pr\u00e1tica de se evitar perguntar sobre a origem dos recursos.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o podemos ver isso como positivo para o centro financeiro su\u00ed\u00e7o&#8221;, admitiu Odier, lembrando que a Su\u00ed\u00e7a &#8220;n\u00e3o era a \u00fanica&#8221; a receber dinheiro dos ex-dirigentes e pol\u00edticos brasileiros. Para Odier, o fato de o caso envolver um n\u00famero &#8220;elevado de bancos&#8221; ocorre por conta da atratividade da Su\u00ed\u00e7a em lidar com a administra\u00e7\u00e3o de recursos. &#8220;Lamentavelmente, isso leva a essa situa\u00e7\u00e3o negativa&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Odier, por\u00e9m, afirma que os bancos &#8220;aprenderam&#8221; com a crise brasileira. Segundo ele, novas medidas de controle foram adotadas e incluem mais investiga\u00e7\u00f5es internas. &#8220;Acreditamos que a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos aspectos mais perigosos que pode afetar nosso setor&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>Claude-Alain Mangelisch, CEO da Associa\u00e7\u00e3o de Bancos, tamb\u00e9m confirma a nova orienta\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es depois do esquema de corrup\u00e7\u00e3o investigado pela Lava Jato levantar d\u00favidas sobre os bancos su\u00ed\u00e7os. &#8220;A sensibilidade hoje \u00e9 muito alta em rela\u00e7\u00e3o a quem abre contas&#8221;, disse. &#8220;Se tivermos suspeitas de corrup\u00e7\u00e3o, temos agora a obriga\u00e7\u00e3o de informar. Isso est\u00e1 funcionando e \u00e9 gra\u00e7as a isso que existe a coopera\u00e7\u00e3o entre brasileiros e o Minist\u00e9rio P\u00fablico na Su\u00ed\u00e7a&#8221;, disse.<\/p>\n<p>O executivo admite que o caso brasileiro revela como operadores, fundos e trusts criaram uma rede &#8220;complicada&#8221; de transfer\u00eancias, justamente para dissimular recursos. &#8220;Temos intermedi\u00e1rios e teremos de ter muito cuidado no futuro&#8221;, disse. Para ele, a Su\u00ed\u00e7a e seus bancos t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de &#8220;resolver da forma mais r\u00e1pida poss\u00edvel&#8221; o caso, diante da repercuss\u00e3o negativa que teve para a \u00e1rea financeira do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Segredo<\/strong><b> &#8211;\u00a0<\/b>Odier, que \u00e9 creditado como a pessoa que liderou os bancos su\u00ed\u00e7os ao fim do segredo banc\u00e1rio no pa\u00eds, insiste que a Su\u00ed\u00e7a &#8220;mudou profundamente&#8221;. &#8220;Abandonamos a confidencialidade das contas&#8221;, disse, lembrando que o setor na Su\u00ed\u00e7a passou por uma &#8220;revolu\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>O fim do segredo banc\u00e1rio, por\u00e9m, n\u00e3o ocorreu por acaso e sim por press\u00e3o de governos estrangeiros, em especial dos Estados Unidos. Washington amea\u00e7ou fechar as portas da maior economia do mundo aos bancos su\u00ed\u00e7os se as regras n\u00e3o mudassem. &#8220;Esse foi a maior mudan\u00e7a de paradigma&#8221;, disse. Segundo ele, o setor tinha tr\u00eas desafios: lidar com os clientes que j\u00e1 tinham dinheiro nesses bancos, com os funcion\u00e1rios que abriram essas contas e planejar o segmento para o futuro.<\/p>\n<p>&#8220;Passamos em sete anos do tabu de desafiar o conceito de confidencialidade banco-cliente em assuntos financeiros, para uma natural implementa\u00e7\u00e3o de acordos de troca de informa\u00e7\u00f5es&#8221;, completou.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jamil Chade A eclos\u00e3o da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato no Brasil e das investiga\u00e7\u00f5es por parte do Minist\u00e9rio P\u00fablico Su\u00ed\u00e7o levaram os bancos da Su\u00ed\u00e7a a aumentar o controle sobre contas de brasileiros no pa\u00eds. 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