{"id":116198,"date":"2016-09-21T07:34:13","date_gmt":"2016-09-21T10:34:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=116198"},"modified":"2016-09-21T12:44:45","modified_gmt":"2016-09-21T15:44:45","slug":"estudo-sobre-estupro-indica-que-culpa-e-da-vitima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/estudo-sobre-estupro-indica-que-culpa-e-da-vitima\/","title":{"rendered":"Estudo sobre estupro diz que a culpada \u00e9 a v\u00edtima"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Marco Antonio Carvalho<\/strong><\/h6>\n<p>Mais de um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o brasileira atribui \u00e0 v\u00edtima a culpa por ter sofrido estupro. Pesquisa do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, que ser\u00e1 divulgada nesta ter\u00e7a-feira, 20, mostra que 37% concordam com a frase &#8220;mulheres que se d\u00e3o ao respeito n\u00e3o s\u00e3o estupradas&#8221;, porcentual que chega a 42% entre os homens, e 30% acreditam que a &#8220;mulher que usa roupas provocativas n\u00e3o pode reclamar se for estuprada&#8221;.<\/p>\n<p>A pesquisa, feita pelo Instituto Datafolha com 3.625 pessoas em 217 cidades de todo o Pa\u00eds entre 1 e 5 de agosto, traz ainda outros dados considerados preocupantes por especialistas: 65% da popula\u00e7\u00e3o diz sentir medo de ser v\u00edtima de viol\u00eancia sexual, n\u00famero que \u00e9 de 90% entre as mulheres do Nordeste. O receio \u00e9 maior entre os mais jovens, onde o porcentual m\u00e9dio \u00e9 de 75%, decrescendo conforme aumenta a faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p>A opini\u00e3o surge em um ano em que se discutiu a chamada &#8220;cultura do estupro&#8221;, a partir do caso de um ataque coletivo contra uma adolescente no fim de maio no Rio. O resultado tamb\u00e9m contrasta com a celebra\u00e7\u00e3o de dez anos de vig\u00eancia da Lei Maria da Penha, considerada a mais relevante na luta contra a viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores que coordenaram o trabalho, &#8220;\u00e9 bastante comum que o comportamento de quem foi v\u00edtima seja questionado com base no que se entende serem as formas corretas de &#8216;ser mulher&#8217; e &#8216;ser homem&#8217; no mundo&#8221;. &#8220;Este pensamento vem de um discurso socialmente constru\u00eddo, que considera que se a mulher \u00e9 v\u00edtima de alguma agress\u00e3o sexual \u00e9 porque de alguma forma provocou esta situa\u00e7\u00e3o, seja por usar roupas curtas ou andar sozinha na rua em certos locais considerados inapropriados. Com isso, h\u00e1 ainda a ideia do homem que n\u00e3o consegue controlar seus &#8216;instintos naturais'&#8221;, aponta a an\u00e1lise dos pesquisadores.<\/p>\n<p>Os resultados mostram que pessoas mais novas, com menos de 60 anos, tendem a n\u00e3o culpar as v\u00edtimas. A pesquisa aponta que 44% dos brasileiros com 60 anos ou mais acreditam que uma mulher que use roupas provocativas n\u00e3o pode reclamar se for estuprada. Por outro lado, a afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada verdade por 23% dos ouvidos com idade entre 16 e 34 anos.<\/p>\n<p>O n\u00edvel de escolaridade \u00e9 visto como um diferencial. Enquanto 47% das pessoas que cursaram o ensino fundamental acreditam que s\u00e3o estupradas mulheres que n\u00e3o se d\u00e3o ao respeito, 19% daqueles que cursaram o ensino superior t\u00eam a mesma vis\u00e3o. Questionados se \u00e9 necess\u00e1rio ensinar na escola meninos a n\u00e3o estuprar, 91% dos entrevistados responderam que sim. Os respons\u00e1veis pela pesquisa encararam a resposta como importante para notar que a educa\u00e7\u00e3o sobre igualdade tem potencial para &#8220;alterar a cultura machista que perpetua a viol\u00eancia&#8221;. A concord\u00e2ncia sobre esse ensino foi confirmada em todas as faixas et\u00e1rias, n\u00edveis de escolaridade e tamanho dos munic\u00edpios.<\/p>\n<p>Atendimento. Segundo os estudiosos do F\u00f3rum, que re\u00fane 172 associados entre pesquisadores da iniciativa p\u00fablica e privada, al\u00e9m de servidores da seguran\u00e7a p\u00fablica, o registro e a investiga\u00e7\u00e3o de crimes como estupro envolvem dificuldades como tratamento e assist\u00eancia inicial \u00e0 v\u00edtima, al\u00e9m da necessidade de um trabalho consistente em busca de provas e testemunhas.<\/p>\n<p>&#8220;Nem sempre as v\u00edtimas apresentam marcas f\u00edsicas da viol\u00eancia ou perturba\u00e7\u00e3o emocional, ou t\u00eam um relato absolutamente coerente, mas isso n\u00e3o quer dizer que o crime n\u00e3o aconteceu. Levar a s\u00e9rio uma den\u00fancia de estupro n\u00e3o significa condenar sumariamente o suspeito, mas acolher a v\u00edtima, escut\u00e1-la, dar credibilidade a seu relato e buscar, por meio de investiga\u00e7\u00e3o, a devida elucida\u00e7\u00e3o do caso&#8221;, escrevem.<\/p>\n<p>As dificuldades no atendimento s\u00e3o notadas na avalia\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias: 50% discordam da afirma\u00e7\u00e3o de que policiais militares s\u00e3o bem preparados para atender v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual, e 42% dizem n\u00e3o encontrar acolhimento nas delegacias. Quanto maior a escolaridade, mais cr\u00edtica \u00e9 a vis\u00e3o. Entre a popula\u00e7\u00e3o com ensino superior, 56% disseram n\u00e3o acreditar que as delegacias ofere\u00e7am o acolhimento adequado.<\/p>\n<p>A reportagem n\u00e3o conseguiu contato com o Conselho Nacional dos Comandantes-gerais das PMs e n\u00e3o obteve resposta dos telefonemas feitos \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Delegados.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marco Antonio Carvalho Mais de um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o brasileira atribui \u00e0 v\u00edtima a culpa por ter sofrido estupro. 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