{"id":116665,"date":"2016-09-26T01:00:40","date_gmt":"2016-09-26T04:00:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=116665"},"modified":"2016-09-26T04:47:22","modified_gmt":"2016-09-26T07:47:22","slug":"portugal-vai-conhecer-enfim-a-vida-como-ela-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/portugal-vai-conhecer-enfim-a-vida-como-ela-e\/","title":{"rendered":"Portugal vai conhecer enfim a vida como ela \u00e9"},"content":{"rendered":"<p><strong>Marieta Cazarr\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>O dramaturgo, jornalista e escritor Nelson Rodrigues, famoso por sua pol\u00eamica coluna A vida como ela \u00e9, escrita ao longo de dez anos (de 1951 a 1961), ser\u00e1 publicado pela primeira vez em Portugal. A respons\u00e1vel pela publica\u00e7\u00e3o \u00e9 B\u00e1rbara Bulhosa, 44 anos, diretora editorial da Tinta-da-China, editora portuguesa que, desde 2012, busca fazer uma ponte entre a literatura de Portugal e do Brasil.<\/p>\n<p>\u201cAcho que [o p\u00fablico portugu\u00eas] vai receber o Nelson Rodrigues lindamente, porque ele \u00e9 um g\u00eanio, escreve maravilhosamente e tem uma intelig\u00eancia fora do comum. \u00c9 um autor extraordin\u00e1rio que, por acaso, \u00e9 brasileiro, mas podia ser ingl\u00eas, alem\u00e3o&#8230; Ele tem muito de brasileiro, toda aquela sacanagem, a forma do entendimento dele do relacionamento entre um homem e uma mulher. O conhecimento dele dos homens e das mulheres \u00e9 uma coisa extraordin\u00e1ria, e isso est\u00e1 vis\u00edvel nos contos A vida como ela \u00e9 de uma forma brilhante\u201d, disse B\u00e1rbara Bulhosa.<\/p>\n<p>B\u00e1rbara disse acreditar que, como ela, os leitores portugueses v\u00e3o se encantar com Nelson Rodrigues. \u201cQuando come\u00e7as [a ler], n\u00e3o queres parar, principalmente pela sensibilidade dele, a intelig\u00eancia, e o fato de ele nos perturbar, ser desconcertante. Eu acho que s\u00f3 um grande autor \u00e9 desconcertante, mexe contigo, te irrita, te faz rir, te faz chorar. E o Nelson Rodrigues faz isso\u201d.<\/p>\n<p>B\u00e1rbara Bulhosa, que \u00e9 formada em hist\u00f3ria e trabalhou durante dez anos em uma rede de livrarias, conta que sempre teve o sonho de trabalhar com livros. Em 2004, ap\u00f3s ficar desempregada, decidiu fazer uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em t\u00e9cnicas editorias na Faculdade de Letras de Lisboa, com o intuito de criar uma editora.<\/p>\n<p>\u201cEu sabia que queria trabalhar com livros e queria fazer qualquer coisa a volta dos livros, editora foi a sa\u00edda que encontrei\u201d.<\/p>\n<p>Foi a partir dessa experi\u00eancia que nasceu a Tinta-da-China, uma editora que, ao longo dos anos, foi ganhando o reconhecimento do mercado portugu\u00eas pela qualidade de suas publica\u00e7\u00f5es. Tinta da China \u00e9 a express\u00e3o portuguesa para aquilo que, no Brasil, chamamos de nanquim. O nome da editora surgiu num brainstorming e tem a ver com o fato de que o nanquim n\u00e3o se apaga.<\/p>\n<p>\u201cE o imagin\u00e1rio leva-te para uma coisa antiga. O que n\u00f3s tentamos fazer com os nossos livros, enquanto objetos, \u00e9 manter grafismo e materiais cl\u00e1ssicos, pagina\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas. Estamos, no fundo, a recuperar uma mem\u00f3ria de livros antigos. Mas olhas para os livros e percebes que s\u00e3o modernos\u201d, disse B\u00e1rbara.<\/p>\n<p>A partir de 2012, quando entrou no mercado editorial brasileiro, B\u00e1rbara come\u00e7ou a publicar autores portugueses, cl\u00e1ssicos e contempor\u00e2neos, que nunca tinham sido lan\u00e7ados em nosso pa\u00eds. Ao mesmo tempo, come\u00e7ou a levar para Portugal livros de autores brasileiros in\u00e9ditos no pa\u00eds. A op\u00e7\u00e3o da editora \u00e9 sempre trabalhar com as obras no idioma original, sem fazer adapta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cSou defensora da l\u00edngua portuguesa nas suas variantes. Acho que foi um grande erro, durante anos, n\u00f3s adaptarmos Jorge Amado, por exemplo. H\u00e1 muitos autores africanos que escrevem na l\u00edngua portuguesa, mas de uma forma muito oral ou com palavras que n\u00e3o conhecemos, como Mia Couto. Mas isso \u00e9 essencial, porque isso \u00e9 a riqueza da l\u00edngua. A l\u00edngua \u00e9 viva e nos entendemos assim. Acho muito importante n\u00f3s come\u00e7armos a ler os autores como eles escrevem\u201d, defende B\u00e1rbara Bulhosa.<\/p>\n<p>\u201cQuando trabalhei como livreira, percebi que a qualidade pode vender. Percebi que se eu destacasse livros com muita qualidade &#8211; livros que muitas vezes n\u00e3o est\u00e3o destacados porque n\u00e3o s\u00e3o best sellers -, eu os vendia. Quando fui para a edi\u00e7\u00e3o, a minha premissa era a de que a qualidade pode vender. Fa\u00e7o livros para quem gosta de ler e para quem gosta de livros. N\u00e3o fa\u00e7o livros para toda a gente\u201d.<\/p>\n<p>Para a editora, apesar da alta qualidade editorial do Brasil, ainda somos um pa\u00eds que n\u00e3o valoriza os livros. \u201cComparativamente, mesmo em termos relativos, em Portugal l\u00ea-se mais do que no Brasil. No Brasil edita-se muito mais e a qualidade da edi\u00e7\u00e3o \u00e9 extraordin\u00e1ria. Aqui [em Portugal] tamb\u00e9m tem grande parte da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o l\u00ea, mas h\u00e1 uma elite que l\u00ea, inclusive a elite econ\u00f4mica. Acho que essa \u00e9 uma grande diferen\u00e7a. Porque no Brasil, quando vou \u00e0 casa de pessoas muito ricas, n\u00e3o vejo uma biblioteca, vejo obras de arte contempor\u00e2neas. Aqui em Portugal, as pessoas com muito dinheiro, mesmo que n\u00e3o leiam, compram livros\u201d.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marieta Cazarr\u00e9 O dramaturgo, jornalista e escritor Nelson Rodrigues, famoso por sua pol\u00eamica coluna A vida como ela \u00e9, escrita ao longo de dez anos (de 1951 a 1961), ser\u00e1 publicado pela primeira vez em Portugal. 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