{"id":117109,"date":"2016-09-30T07:23:20","date_gmt":"2016-09-30T10:23:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=117109"},"modified":"2016-09-30T10:00:42","modified_gmt":"2016-09-30T13:00:42","slug":"manda-quem-pode-obedece-quem-tem-juizo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/manda-quem-pode-obedece-quem-tem-juizo\/","title":{"rendered":"Manda quem pode obedece quem tem ju\u00edzo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jos\u00e9 Escarlate<\/strong><\/p>\n<p>Volta a Bras\u00edlia e \u00e0 velha rotina. Embaixada Americana e Pal\u00e1cio do Planalto. S\u00f3 que agora ter\u00edamos o que contar. Os convites ao presidente para visitar cidades crescia cada vez mais. Eu tinha sempre uma mala arrumada. Uma para viagens ao Sul, com agasalhos, e outro para idas ao Norte e Nordeste.<\/p>\n<p>E havia muita cidade do interior deste pa\u00eds pedindo a Deus que Geisel fosse at\u00e9 l\u00e1. S\u00f3 assim os buracos das ruas seriam cobertos por novo recapeamento, se bem que uma fina camada de asfalto, ou coloca\u00e7\u00e3o de paralelep\u00edpedos. Para o evento, a cidadezinha era varrida, lavada e depois enfeitada.<\/p>\n<p>Toda quinta-feira eu viajava. Quando encontrava v\u00f4o, voltava aos s\u00e1bados. Rodei o Brasil inteiro, vendo gente, vendo povo. O presidente queria sair da frieza dos gabinetes e dos documentos. Queria ver tudo \u201cin loco\u201d. Geisel sabia que havia problemas e choques entre seus auxiliares.<\/p>\n<p>Quando isso ocorria, eles olhavam logo para o \u201cchiqueirinho\u201d da imprensa \u2013 local restrito aos jornalistas \u2013 para ver se eles haviam percebido. Os rep\u00f3rteres viam, fingiam que n\u00e3o haviam visto, e no dia seguinte tudo estava nos jornais, tornando-se tema da reuni\u00e3o di\u00e1ria das 9 da matina. Havia, inclusive, pux\u00f5es de orelhas.<\/p>\n<p>N\u00f3s sent\u00edamos que havia um clima hostil, de animosidade entre o chefe da seguran\u00e7a e o secret\u00e1rio de imprensa. Mais especificamente, entre Humberto e o coronel Pedroso. Humberto, cioso da sua intimidade com o presidente. E Pedroso, por sua vez, zelava para que tudo corresse bem na sua \u00e1rea, para gozar da confian\u00e7a de Geisel.<\/p>\n<p>Em uma cidade na Para\u00edba os dois j\u00e1 haviam se estranhado. Depois, numa visita de Geisel a uma cidade goiana, houve outro choque entre os dois, que por pouco n\u00e3o termina em desfor\u00e7o f\u00edsico. Tudo porque a seguran\u00e7a havia impedido o acesso de uma rep\u00f3rter da TV Globo que estava sem credencial.<\/p>\n<p>Humberto pulou nas tamancas e liberou a rep\u00f3rter. Pedroso vetou. E cada um passou a falar mais grosso. At\u00e9 que Humberto falou mais alto e disse a Pedroso que estava tudo bem. S\u00f3 que ele, Pedroso, deveria explicar ao presidente a raz\u00e3o de ele, Humberto, ter pedido demiss\u00e3o. E acrescentou: \u201cTamb\u00e9m vai ter que explicar o por qu\u00ea de a mat\u00e9ria da viagem n\u00e3o ter sa\u00eddo no \u201cJornal Nacional\u201d.<\/p>\n<p>A\u00ed, Pedroso entregou os pontos. Virou-se para o sub-chefe da seguran\u00e7a e determinou. \u201cPodem liberar geral. Ningu\u00e9m mais vai precisar de credencial. A bagun\u00e7a come\u00e7ou\u201d. No dia seguinte, o \u201cEstad\u00e3o\u201d dava em primeira p\u00e1gina o \u201catrito entre o chefe da seguran\u00e7a de Geisel e o secret\u00e1rio de Imprensa\u201d. A mat\u00e9ria, escrita pelo rep\u00f3rter Ari C\u00edcero de Moraes Ribeiro, trazia todo o \u00e1spero di\u00e1logo, entre os dois. Mais adiante, Humberto e Pedroso voltaram a se estranhar, na chegada a Goi\u00e2nia. Depois, a coisa abrandou.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-83053\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/PV.png\" alt=\"PV\" width=\"122\" height=\"26\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Escarlate Volta a Bras\u00edlia e \u00e0 velha rotina. Embaixada Americana e Pal\u00e1cio do Planalto. S\u00f3 que agora ter\u00edamos o que contar. Os convites ao presidente para visitar cidades crescia cada vez mais. Eu tinha sempre uma mala arrumada. Uma para viagens ao Sul, com agasalhos, e outro para idas ao Norte e Nordeste. 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