{"id":117343,"date":"2016-10-03T06:00:49","date_gmt":"2016-10-03T09:00:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=117343"},"modified":"2016-10-02T17:21:52","modified_gmt":"2016-10-02T20:21:52","slug":"rua-nascimento-e-silva-378-ali-se-fez-rock-imortal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/rua-nascimento-e-silva-378-ali-se-fez-rock-imortal\/","title":{"rendered":"Rua Nascimento e Silva, 378&#8230; ali se fez rock imortal"},"content":{"rendered":"<p><strong>M\u00e1rio Magalh\u00e3es<\/strong><\/p>\n<p>Na entrada do pequeno pr\u00e9dio da rua Nascimento Silva, 107, duas placas celebram o local onde Tom Jobim, como eternizam os versos de Vinicius de Moraes, ensinou \u201cpra Elizeth as can\u00e7\u00f5es de Can\u00e7\u00e3o do Amor Demais\u201d. Era l\u00e1 que Tom vivia no finzinho dos anos 1950, \u00e0 altura do parto da Bossa Nova. Just\u00edssima rever\u00eancia.<\/p>\n<p>Tr\u00eas quarteir\u00f5es \u00e0 frente, no outro lado da mesma rua de Ipanema, quem passa n\u00e3o v\u00ea homenagens. Porque inexistem. Mas a m\u00fasica tamb\u00e9m deve muito ao lugar. No apartamento 201 do edif\u00edcio n\u00famero 378, Renato Russo criou letras e melodias que seus contempor\u00e2neos n\u00e3o esquecem e as novas gera\u00e7\u00f5es descobrem encantadas.<\/p>\n<p>Renato chegou em 1990. Enquanto ali morou, sa\u00edram tr\u00eas discos da Legi\u00e3o Urbana gravados em est\u00fadio, al\u00e9m de dois exclusivos do l\u00edder da banda. Para o retrato da capa de um \u00e1lbum, ele posou na porta estreita do pr\u00e9dio de tr\u00eas andares com fachada de tijolo aparente.<\/p>\n<p>O apartamento conservado quase como estava duas d\u00e9cadas atr\u00e1s n\u00e3o parece um museu. Nele a vida pulsa tanto que pode at\u00e9 constranger quem, com jornada mais longeva, n\u00e3o teve nem de longe a vida t\u00e3o vivida de Renato.<\/p>\n<p>Na sala, espalham-se treze caixas com preciosidades como desenhos feitos por Renato com giz de cera _de Isadora Duncan, Jesse James, Rimbaud. H\u00e1 composi\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas, pe\u00e7a de teatro, esbo\u00e7o de \u00f3pera, grava\u00e7\u00f5es, poemas desconhecidos. Tudo da lavra do morador de outrora.<\/p>\n<p>E mais de cinquenta cadernos manuscritos, que exp\u00f5em a carpintaria criativa, vers\u00e3o ap\u00f3s vers\u00e3o, de cl\u00e1ssicos como \u201cEduardo e M\u00f4nica\u201d, composto antes da mudan\u00e7a para Ipanema. Esses di\u00e1rios reconstituem festas de arromba, esmi\u00fa\u00e7am amores e desamores, segredam bastidores do rock\u2019n\u2019roll. Trevos de quatro folhas resistem entre as p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>Em arm\u00e1rios no corredor, permanecem as camisas estampadas vestidas nos shows. A biblioteca tem biografia de Jean Genet e livro com letras de Chico Buarque. Um quarto abarrotado de CDs e vinis guarda de Richard Wagner aos Menudos. Noutro, reparei que a cama de Renato era de solteiro, como a de Fernando Pessoa em Lisboa.<\/p>\n<p>O tesouro da rua Nascimento Silva come\u00e7ou a ser conhecido numa cole\u00e7\u00e3o de livros de Renato editada pela Companhia das Letras. S\u00f3 por hoje e para sempre, volume de estreia, cont\u00e9m os textos escritos durante uma interna\u00e7\u00e3o para combater a depend\u00eancia qu\u00edmica.<\/p>\n<p>Em setembro de 1996, a Legi\u00e3o lan\u00e7ou o disco A Tempestade. Renato, aos 36 anos, estava enfraquecido pela Aids. Ele cantou: \u201cHoje a tristeza n\u00e3o \u00e9 passageira\/ Hoje fiquei com febre a tarde inteira\/ E quando chegar a noite\/ Cada estrela parecer\u00e1 uma l\u00e1grima\u201d.<\/p>\n<p>A Wikipedia informa que Renato morreu em casa um m\u00eas mais tarde, em outubro \u2013 faz vinte anos em 2016. Acho melhor corrigir: Renato Russo \u00e9 imortal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rio Magalh\u00e3es Na entrada do pequeno pr\u00e9dio da rua Nascimento Silva, 107, duas placas celebram o local onde Tom Jobim, como eternizam os versos de Vinicius de Moraes, ensinou \u201cpra Elizeth as can\u00e7\u00f5es de Can\u00e7\u00e3o do Amor Demais\u201d. Era l\u00e1 que Tom vivia no finzinho dos anos 1950, \u00e0 altura do parto da Bossa Nova. 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